Operação Oxigênio: Leandro Barros recebeu comissão de Fábio Guasti

Em entrevista o advogado declarou que foi instado a participar do processo de compra dos respiradores a pedido do médico e empresário e não do ex-secretário da Casa Civil, Douglas Borba

Em entrevista ao nd+, o advogado Leandro Barros declarou que foi instado a participar do processo de compra dos respiradores a pedido do médico e empresário Fabio Guasti, e não do ex-secretário da Casa Civil, Douglas Borba, que indicou o nome dele para a servidora Marcia Pauli. Porém, a investigação descobriu um depósito de R$ 30 mil feito por uma empresa de Guasti na conta de Leandro.

Em depoimento, Guasti declarou que Leandro fazia a intermediação de negócios recebendo pontualmente por serviços jurídicos ou por conta da indicação de uma empresa.

Leandro Barros, durante depoimento na Alesc – Foto: Reprodução/TVALLeandro Barros, durante depoimento na Alesc – Foto: Reprodução/TVAL

Já Leandro, ao ser interrogado, afirmou que trabalha desde fevereiro de 2019 na Meu Vale, empresa de tickets de alimentação, mas sem possuir um contrato formal de trabalho, que ofereça uma remuneração pontual ou mensal.

Outra ligação de Leandro com a Meu Vale foi referendada por Gilliard Gerent, funcionário da empresa, que participou de uma reunião com o governo do Estado a pedido de Leandro, nominado como “seu chefe em Florianópolis”.

Porém, a partir da busca e apreensão feita na residência de Guasti, os policiais encontraram um e-mail datado de 7 de abril de 2020 com dois documentos que indicam pagamento de comissão de R$ 30 mil para Leandro Barros e para o também investigado Deivid de Oliveira Guimarães, que teria apresentado Fábio Guasti e Cesar Augustus Thomas Braga, outro advogado preso preventivamente na segunda fase da Operação Oxigênio.

Em contradição à prova documental, Leandro negou ter recebido valores por eventual intermediação relacionada às atividades das empresas de Guasti na venda dos respiradores e outras atividades durante a pandemia. Ainda segundo a investigação, Leandro teve papel relevante ao assegurar posteriormente a entrega do produto.

Contrapontos

As defesas dos envolvidos na operação foram procuradas pela reportagem. A defesa do empresário Fábio Guasti entende que a prisão é ilegal e afirma que tomará as medidas judiciais cabíveis.

Os advogados de Douglas Borba afirmaram que respeitam tanto a decisão da Justiça quanto a representação da força-tarefa, mas não concordam com as conclusões apresentadas e que, no momento, buscam entender melhor o processo, e a liberdade de Borba é a prioridade.

A defesa de Leandro Barros afirmou que a prisão preventiva não se sustenta, não só por violentar o artigo 312, mas principalmente por que foi decretada em face do investigado que tem colaborado com as investigações e tem sido atuante no sentido de esclarecer e colaborar com a Justiça.

Fim de semana solitário na carceragem da Deic

O ex-secretário da Casa Civil Douglas Borba, e o advogado Leandro Barros passaram o fim de semana sozinhos em celas distintas na carceragem da Deic (Diretoria Estadual de Investigação Criminal), em São José.

Borba e Barros estão presos preventivamente e foram colocados em celas separadas. De acordo com o diretor da Deic, delegado Luis Felipe Fuentes, as celas  possuem água, banheiro e ventilação “com padrão igual das delegacias”.

Na carceragem, os presos têm direito a receber visita apenas dos advogados. A alimentação é a mesma fornecida pelo sistema prisional, mas não há restrição para o caso de familiares levarem alimentos, remédios e agasalhos para os presos.

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De acordo com Fuentes, normalmente a carceragem em São José é destinada a abrigar os presos de operações realizadas pela Deic. “Geralmente, os presos ficam aqui para lavrarmos o auto de prisão em flagrante e realizar a audiência de custódia”, explica.

A carceragem da Deic também já foi utilizada para abrigar presos em situações circunstanciais. “Já tivemos que abrigar uma mulher, porque no CPP (Central de Plantão Policial) de São José não havia como”, relatou.

Presos em SP e RJ chegam em SC

Os outros três presos preventivamente na segunda fase da Operação Oxigênio, nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, eram aguardados na noite da segunda-feira (8).

O advogado César Augustus Martines Thomaz Braga, chegou a Florianópolis no avião da PRF (Polícia Rodoviária Federal) e foi encaminhado para a sede da Deic, em São José.

O médico e empresário Fabio Dambrosio Guasti, preso em Sorocaba no domingo (7), interior de São Paulo, foi transferido via terrestre, com escolta da Polícia Civil.

Já a chegada do presidente da Câmara de Vereadores de São João de Meriti, no Rio de Janeiro, o vereador Davi Perini Vermelho, está sem previsão, pois ele teve um problema de saúde.

Foragido

O sexto investigado, Pedro Nascimento de Araújo, é considerado foragido. Ele é apontado como CEO da Veigamed, empresa responsável pela venda de 200 respiradores por R$ 33 milhões, sem garantias, ao governo do Estado de Santa Catarina.

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