Por trás da lente de uma câmera

Uma das fotos mais marcantes da história foi tirada no Sudão, em 1993, pelo fotógrafo Kevin Carter. A imagem chocou o mundo. Um abutre aguardava a morte de uma criança sudanesa prestes a sucumbir de fome. A opinião pública apressou-se em julgar a suposta frieza do fotógrafo, considerando que ele poderia ter feito algo para salvar a vida daquela criança.  Conta-se, ou fica subentendido, que a criança virou alimento do urubu e o fotógrafo, incapaz de suportar a ideia de não ter ajudado a salvar uma vida, suicidou-se após um ano, vítima de remorso.

Qual o papel do fotógrafo ou do jornalista em uma cena de tragédia? É possível manter a imparcialidade diante de situações dramáticas como esta? Deixar de lado as emoções ao tratar um tema cruel apenas como uma mera notícia? Qual a ética das imagens? O desafio consiste em equilibrar a liberdade de expressão na qual a atividade jornalística é pautada e o resguardo da dignidade e da imagem das pessoas, ou até animais.

No Brasil, fotógrafos tornaram-se reconhecidos nacional e internacionalmente pelo trabalho impecável e aprimorado que produziram. Chico Albuquerque, Geraldo de Barros e Sebastião Salgado, que inclusive foi nomeado como representante oficial da UNICEF (Fundo das Nações Unidas Para a Infância), são grandes exemplos. Sim, ética e qualidade profissional podem – e devem- andar lado a lado.

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