Procura-se um líder para o Brasil

Discreta reação do Palácio do Planalto às manifestações de rua do último domingo e pretensão do governo em buscar o diálogo com o Congresso tentam blindar Dilma, mas dúvida é a de quem poderia levar o país a sair da crise em caso de impeachment

O recado dados nas ruas foi ouvido com ruídos sonoros pelo Palácio do Planalto, durante a reunião do conselho político da presidente Dilma Rousseff, que, como reação, cita uma reaproximação com o Congresso para tentar neutralizar o impeachment. Desde a reeleição, Dilma não conseguiu construir pontes com o parlamento, e, agora, pressionada pelas manifestações que levaram mais de 6 milhões a protestar contra o governo, tenta estabelecer tábuas soltas de passagem.

O Palácio do Planalto também acena com medidas econômicas, sem relatar os detalhes, para evitar a abertura do processo, enquanto o fragilizado presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pede aos parlamentares para permanecerem em Brasília até sexta, depois que o Supremo Tribunal Federal se manifestar sobre embargos propostos pela casa. Com a corda no pescoço, Cunha quer deflagrar a criação da comissão que analisará o pedido de impeachment, tão logo o Judiciário se manifeste.

A turma do Planalto, liderada pelo ministro Jaques Wagner, insiste na tese do ex-presidente Lula assumir uma pasta de coordenação política, prova inequívoca do enfraquecimento que aflige Dilma e sua equipe. Mas Lula não está tão forte assim para resolver, de uma só vez, a crise política, a manutenção do mandato de Dilma e gerar medidas econômicas para fazer o Brasil crescer, algumas delas, antecipam, beneficiariam estados e municípios, ao mesmo tempo que o governador Raimundo Colombo reúne-se, hoje, com o ministro Nelson Barbosa (Fazenda) para tratar da dívida do estado com a União. Brasília e a classe política estão em xeque, não só o PT, Lula ou Dilma, e não há um líder identificado na oposição que encarne o governante confiável para nos tirar da crise. 

SOLEDAD URRUTIA/DIVULGAÇÃO/ND

A cúpula do PMDB catarinense com Paulo Afonso Vieira, Djalma Berger e Vinícius Lummertz, pioneirismo do partido no país em deixar a administração Dilma

PMDB DESEMBARCA
Autor da proposta de desembarque dos cargos do governo federal, leia-se administração Dilma Rousseff, o PMDB  de Santa Catarina oficializou a saída dos cargos da Eletrosul e da Embratur, em reunião, no final da tarde de ontem, na sede do diretório regional, em Florianópolis. O presidente estadual Mauro Mariani, o vice-governador Eduardo Pinho Moreira, o senador Dário Berger e o ex-governador Casildo Maldaner, receberam Djalma Berger e Paulo Afonso Vieira, presidente e diretor da Eletrosul, e Vinícius Lummertz, presidente da Embratur, que atenderam à manifestação da sigla feita durante a convenção nacional no último sábado.  “O Brasil precisa de um novo caminho e nós, do PMDB catarinense, estamos dando o primeiro passo efetivo, rumo à independência. Este governo não tem mais condições de propor nada”, frisou Mariani. 

Vexame
Todo garboso, a distribuir sorrisos e acenos, o presidente da Câmara Eduardo Cunha teve a alegria, ao adentrar na convenção nacional do PMDB, em Brasília, abreviada, embora estivesse em território “amigo”. Cunha foi saudado por um sonoro “ladrão”, disparado por um dos muitos convencionais, misturado à multidão, que não se sabe se interferiu, mas o deputado subiu ao palco e sequer discursou. 

Juíza
Maria Priscila Oliveira, juíza do Estado de São Paulo, considerou que a Justiça Federal é competente para analisar a denúncia dos promotores de Justiça paulistas que pediram a prisão preventiva de Lula, remessa à Justiça Federal, em Curitiba, que põe o ex-presidente nas mãos do juiz Sérgio Moro. O pedido estapafúrdio de prisão sobre o tríplex da praia do Guarujá vai para o espaço, mas Moro entra definitivamente na vida do petista.  

“O Supremo Tribunal Federal não é Justiça?”
Jaques Wagner, ministro da Casa Civil, ao jornalista Gerson Camarotti, sobre uma eventual ida de Lula para o ministério de Dilma, que lhe daria foro especial na Operação Lava Jato e o deixaria longe de Sérgio Moro.

Triplo twist carpado
Depois de deixar o PSDB e ir para o PSB, o vice-prefeito de São José, José Natal Pereira, assinou ficha no PMDB local, conforme a coluna já havia divulgado, em um salto político de dar nó na espinha. Os peemedebistas aplaudem a chegada do ex-vereador e ex-deputado estadual, que deverá ser o candidato do partido à prefeitura, mas Natal, com certeza, queimou o filme com metade do mundo político josefense, a começar pela prefeita Adeliana Dal Pont (PSD), e contabiliza desconfianças na aliança estadual que reúne pessedistas, pessebistas e republicanos.  

Depois do Rio Araújo
Adeliana Dal Pont e José Natal conversaram na manhã de segunda-feira, justamente sobre a troca da troca do vice-prefeito. Natal foi exonerado da Secretaria da Infraestrutura, comandada agora pelo seu adjunto, Milton Bley Júnior, e a prefeita, que já havia acertado com jornalistas, irá fazer um tour, hoje, para vistoriar obras nas áreas da educação, saúde, infraestrutura e áreas de lazer a quatro dias do aniversário da cidade.  

DIVULGAÇÃO/ND

O deputado Jean Kuhlmann (ao microfone) ao lado de Cassio Taniguchi: busca de soluções para a mobilidade em Blumenau

PITACO NO VALE
Atual superintendente da Região Metropolitana da Grande Florianópolis, o ex-prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi levou sua experiência a uma palestra em Blumenau, onde debateu a mobilidade urbana e o crescimento planejado. Na foto, ao lado o deputado Gean Kuhlmann (PSD), pré-candidato à prefeitura local, Taniguchi apontou saídas para a famosa Avenida Beira Rio, que receberia os chamados modais não motorizados, como ciclovias e espaços para pedestres, sem esquecer de apontar a saída no transporte coletivo, hoje um problema para maior cidade do Vale do Itajaí, que poderia ser desenvolvido em um consórcio intermunicipal, em uma área que logo superará os 400 mil habitantes.

Subiu
Para quem acredita em extermínio do PT com a onda de denúncias que atingem alguns de seus filiados, ignora que muita gente tem se filiado em tempos de resistência. Em Florianópolis, o presidente Carlos Eduardo, o Cadu, confirmou que, desde o último dia 4, quando o ex-presidente Lula foi levado a prestar depoimento, em São Paulo, 40 novos integrantes ingressaram na sigla. 

Jantar de arrumação

Prefeito Cesar Souza Júnior e o pai, o secretário e deputado federal Cesar Souza, jantaram na casa do presidente do PSD e da Assembleia Gelson Merisio, para tratar de composição do secretariado. Cesar Júnior conta com a força de Merisio para definir o grupo com base no apoio da eleição em outubro e a grande dúvida, até o fechamento desta edição, é como seria a participação do PP no colegiado, já que a a decisão de Angela ou João Amin ainda não saiu.

* Prefeita Sisi Blind (PP), presidente da Fecam, comanda, a partir de hoje, na Expoville, em Joinville, o Congresso Catarinense de Municípios. 

* Superintendente do DNIT, Vissilar Pretto será recebido pela Comissão de Transportes e Desenvolvimento Urbano da Assembleia, presidida pelo deputado João Amin (PP), para debater a situação da BR-282, a Via Expressa entre São José e Florianópolis, e o trecho entre as cidades de Ponte Serrada e São Miguel do Oeste, no Oeste catarinense.

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