Promotor convoca colegas para anúncio sobre inquérito de Alckmin e pede ‘união’

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O promotor Ricardo Manuel Castro convocou colegas do Ministério Público de São Paulo para uma entrevista, nesta quarta-feira (5), em que anunciará desdobramentos do inquérito aberto contra o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) por improbidade administrativa, em um apelo ao espírito de corpo da classe.

Castro pediu a presença “do maior número possível” de promotores no anúncio, marcado para as 14h, “para demonstração de união”.

A convocação é feita na esteira de uma série de ações, inquéritos, denúncias e decisões tomadas por promotores, procuradores e juízes contra candidatos nas eleições deste ano. Nas últimas semanas, foram alvos Fernando Haddad (PT), João Doria (PSDB), Jair Bolsonaro (PSL) e o próprio Alckmin.

A expectativa é que o promotor anuncie o ajuizamento de uma ou duas ações por improbidade contra Alckmin, que disputa a Presidência pelo PSDB. O Ministério Público investiga acusações de repasse de R$ 10,3 milhões da Odebrecht para campanhas do tucano via caixa dois. Ele nega irregularidades.

“Caros colegas, amanhã [quarta, 5] darei uma entrevista coletiva às 14h, […], em que pela primeira vez e única me manifestarei sobre o inquérito civil 356/18, que apura eventual ato de improbidade administrativa em tese cometido pelo ex-governador Geraldo Alckmin e outros. Gostaria, se possível, de contar com a presença do maior número possível de colegas para demonstração de união, principalmente da primeira instância…”, diz o texto.

Procurado, Castro não confirmou ou desmentiu a autoria da mensagem, mas a Folha de S.Paulo apurou que o convite em seu nome circulou entre seus colegas. O promotor disse que só se pronunciaria sobre o assunto por meio da assessoria de imprensa do Ministério Público, que não se manifestou.

Castro é um dos responsáveis pela investigação, que corre em sigilo. Alckmin prestou depoimento sobre o caso no dia 15 de agosto. Ele disse que não houve recebimento de valores sem declaração à Justiça Eleitoral nas campanhas investigadas, em 2010 e 2014.

Promotores que acompanham o caso receberam há cerca de três semanas as prestações de contas de Alckmin naquelas eleições. Eles estudavam ajuizar uma ou duas ações distintas contra o tucano e seus aliados.

No Ministério Público, discutia-se a apresentação das ações antes do primeiro turno da eleição presidencial, marcada para 7 de outubro. Caso necessário, os inquéritos continuariam abertos para complementar as investigações.

No dia do depoimento do ex-governador, o advogado José Eduardo Alckmin disse que pretendia analisar a possibilidade de pedir o trancamento dos inquéritos.

“Até aqui o que foi apurado são fatos insubsistentes. A continuar nessa linha, se o próprio Ministério Público não se convencer, se poderá eventualmente levar o caso à Justiça para verificar se é legal continuar com a investigação”, afirmou.

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