Quem são os 17 indiciados na Operação Chabu

Inquérito da operação, deflagrada em junho, foi concluído na última sexta-feira (6) e segue agora para o TRF-4, em Porto Alegre

A Polícia Federal concluiu, na última sexta-feira (6), o inquérito sobre a Operação Chabu. Dezessete pessoas foram indiciadas, incluindo o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro. A investigação corre em segredo de Justiça. 

O relatório do inquérito, com 580 páginas, segue agora para o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), em Porto Alegre. 

Operação Chabu foi deflagrada pela Polícia Federal – Foto: Arquivo/Anderson Coelho/ND

Deflagrada em junho, a ação investigou um suposto grupo que atuava para embaraçar investigações policiais e proteger um núcleo político em troca de vantagens financeiras e políticas em Florianópolis. 

Antes de concluir o inquérito, o delegado Daniel Carvalho Brasil Nascimento, responsável pela ação, pediu a prisão de 15 pessoas. Destas, a Justiça autorizou apenas sete

À época, Gean Loureiro foi detido e levado à sede da PF na Capital catarinense, para esclarecimentos, mas liberado no mesmo dia. Ele teve a casa revistada, celulares e computadores dele e da família apreendidos, e ficou afastado do cargo por alguns dias.

Leia também:

Quem são os indiciados:

Gean Loureiro, prefeito: Nesta manhã, o prefeito da Capital informou que o “final do inquérito foi uma repetição de todos os fatos. Em entrevista coletiva no último sábado (6), Gean disse estar aliviado pelo fato de nenhum fato novo ter sido apresentado, além do que já se conhecia.

Luciano Veloso Lima, ex-secretário de Estado da Casa Civil: o advogado Rubens Cabral Faria Junior disse que a defesa ainda analisa o relatório com calma e que nada muda sobre a situação do indiciado. Ele reafirmou que o cliente não tem nenhum envolvimento e não há provas que apontem sua participação. A defesa espera que ele não seja denunciado pelo Ministério Público Federal. 

Marcelo Roberto Paiva Winter, servidor da PRF: a defesa, composta pelo advogado Thiago Vinicius Amaral, não vai se pronunciar sobre o caso. 

Hélio Sant’ana Silva Junior, delegado de Polícia Civil: a reportagem não conseguiu falar com o advogado de defesa, Eugênio Carlo Balliano Malavazi.  

Claudio Roberto Bocorny Salgado, empresário: o advogado Alexandre Neuber informou que ainda analisa o relatório e se manifestará posteriormente.

José Augusto Alves, empresário: Por meio de nota pública, os advogados Rycharde Farah e Rodolfo Macedo do Prado, afirmaram que a “investigação da Operação Chabu termina como começou: atrasada, recheada de conversas cujo conteúdo nunca se concretizou e baseada em achismos”. Além disso, disse que “pretende criminalizar a política, como se boas relações entre pessoas do mundo privado e público sejam necessariamente criminosas. Agora espera-se que o Ministério Público Federal cumpra seu papel institucional e determine o arquivamento de um inquérito açodado e inconclusivo. Em assim não procedendo, José Augusto não irá só se defender, mas provar a verdade dos fatos, afastando esta injusta perseguição.”

Edenir Silva (empresário), Edson Silva (empresário) e César Caputo  Guimarães (advogado): Caputo é um dos indiciados, mas também defende os outros dois citados no caso. Nesta manhã, disse que se trata de uma investigação desprendida da realidade, que viola os mais básicos princípios e garantias constitucionais, existentes no estado democrático de direito. “Confiamos no Poder Judiciário que as violentas agressões serão rechaçadas”.

Fernando Caieron, delegado da PF: o advogado Clóvis Rodrigues da Silva Junior afirmou que a defesa vai fazer os esclarecimentos e provar que a participação dele no processo é totalmente indevida. A expectativa é que ele não seja denunciado pelo Ministério Público Federal. 

Luciano da Cunha Teixeira, empresário: a advogada Ana Paula Travisani não retornou a reportagem até a última atualização deste texto.

Alceu Pinto Oliveira Junior, secretário de segurança de Florianópolis: Disse, na manhã desta segunda-feira (9), que não iria se manifestar.

Constâncio Alberto Salles Maciel, secretário da Fazenda de Florianópolis: A assessoria de imprensa da pasta enviou um comunicado dizendo que Constâncio “alegou que, em 45 anos de trabalho no setor público, jamais teve qualquer problema com a justiça e nunca se sentiu tão humilhado. Ele também destacou que ainda não entendeu o porquê do indiciamento, já que a investigação apenas aponta que ele teria recebido pessoas, como faz todos os dias no cumprimento do seu dever”.

Aguinaldo Peres Neto, empresário: A reportagem não conseguiu contato com a defesa. A empresa em que Aguinaldo é sócio também foi procurada, mas não retornou o contato. 

Francisco Wollinger Neto, ex-funcionário do Detran: A reportagem não conseguiu contato com a defesa. 

André Luis Mendes da Silveira, delegado de Polícia Civil e ex-secretário de Segurança Pública do Estado: A reportagem não identificou quem está atuando na defesa do delegado. 

Romanna Giulia Ceccon, ex-secretária de Assistência Social do Estado: No início desta tarde, a defesa da indiciada enviou um comunicado: “Quem se dispõe a participar da vida pública pode estar sujeito a esse tipo de suspeição. Mantenho o meu entendimento de que é importante para o país que os órgãos competentes conduzam suas investigações nesses casos. Cabe ao Judiciário avaliar se são procedentes ou não. É nessa fase que terei oportunidade de dirimir dúvidas e/ou suspeitas sobre a mensagem que recebi do prefeito Gean na qual ele me pedia para manter uma servidora comissionada na Secretaria de Assistência Social. Isto é tudo o que há contra mim. Quanto ao pedido, não tomei qualquer ação, uma vez que a referida servidora já fazia parte da equipe da Secretaria há alguns anos. Estava lá quando cheguei, e permaneceu lá quando saí. Jamais me beneficiei de qualquer fato relatado na investigação. Não conhecia essa senhora. Só tinha informações de outros servidores da Secretaria de que ela fazia bem o seu trabalho e era importante mantê-la para que não houvesse total ruptura de informações e processos na nova gestão. É isso que demonstrarei ao Judiciário”.

Operação da PF e sala segura

Segundo o relatório da Polícia Federal, três núcleos foram delineados durante as investigações. O “núcleo policial”, que tinha a tarefa de “obter informações privilegiadas sobre investigações em andamento”. 

Em posse dessas informações, repassaria ao “núcleo político”. Esse, por sua vez, retribuiria aos núcleos “policial” e “empresarial” com “benesses de ordem financeira e política”. De acordo com a polícia, os núcleos “policial” e “empresarial” tinham uma “sociedade informal”.

Para articular o esquema, a PF afirma que um grupo em um aplicativo de mensagens chegou a ser formado para organizar a implantação da chamada “sala segura” na prefeitura da Capital.

+

Política