Raimundo Colombo descarta candidatura em nível nacional: “Minha missão é ajudar aqui”

Para governador, momento é de foco na discussão sobre a dívida de Santa Catarina com a União

O governador Raimundo Colombo (PSD) avaliou o cenário político nacional e deu novos detalhes sobre a negociação da dívida dos Estados com a União. Colombo falou nesta segunda-feira (7) em entrevista exclusiva ao ND, logo após o lançamento do movimento Construindo Conceitos por uma Santa Catarina Melhor. A iniciativa é do Grupo RIC, em parceria com o governo do Estado e a Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

:: Avanços do Estado em debate promovido pelo Grupo RIC

Daniel Queiroz/ND

Governador Colombo falou no lançamento do movimento Construindo Conceitos por uma Santa Catarina Melhor

Colombo espera a convocação para uma nova reunião em Brasília ainda nesta semana. Na pauta, a proposta do governo catarinense para que a União conceda descontos nos valores pendentes da dívida. Pelos cálculos do Tesouro Nacional, Santa Catarina ainda deve quase R$ 9 bilhões. Caso a tese catarinense prevaleça, o débito estaria zerado.

 

O senhor levou uma proposta à presidente Dilma Rousseff para que o governo federal conceda um desconto aos Estados na dívida com a União. Como foi a recepção e como estão as negociações?

Em um primeiro momento foi um assunto polêmico. O Ministério da Fazenda ficou de estudar, avaliar profundamente, e isso ocorre durante essa tarde. Mas eu acredito em um resultado positivo. Não é uma coisa simples, mas eu estou otimista. São três itens, dois nós praticamente já conseguimos. Falta um terceiro.

Quais são esses dois itens já alcançados e o que está em discussão?

O primeiro é a mudança do indexador para um menor. Para o futuro, isso já está resolvido. O segundo é o alongamento da dívida por 20 anos. Agora, para que alongue, nós queremos reduzir a base de cálculo. É o terceiro ponto, é essa negociação de desconto que estamos construindo. Mas, isso não impede a tramitação do mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal, até que esse acordo seja feito.

O valor do desconto já foi proposto? Esse percentual tem base na tese de Santa Catarina, que contesta a aplicação de juros sobre juros?

É com base na tese de Santa Catarina, ainda não temos os valores definidos. Mas o governo vai tentar abrir uma negociação com um percentual que seja compatível para eles e nós vamos ver se isso é viável para nós ou não.

Qual é a reação dos demais governadores na discussão sobre as dívidas?

É um movimento que está tomando corpo. A maioria se associou à tese de Santa Catarina, inclusive, se precisar, judicialmente. Mas o melhor caminho não é o confronto, o melhor caminho é o diálogo. Nós já estamos trabalhando em conjunto com São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Alagoas, que são os Estados mais complicados.

De que forma o clima de instabilidade política em Brasília, decorrente das revelações da Operação Lava Jato, impactam nas discussões sobre a questão da dívida?

É claro que tira a atenção, muda o foco. Mas logo em seguida a gente retorna para o objetivo e tenta evoluir naquilo que é prioridade.

O discurso do senhor repercutiu de forma positiva entre os participantes do evento. A avaliação é que manteve o tom crítico, mas também trouxe o tom de esperança, diferentemente de outras vezes, em que alertou para os riscos da crise, como na mensagem de abertura do ano Legislativo, em fevereiro. O que mudou?

Essa crise gerou um ambiente de mudança. Mas é preciso responsabilidade, bom-senso, espírito público, patriotismo. São palavras que estão meio abandonadas, mas importantes para que nós achemos o melhor caminho e façamos a coisa correta. Não adianta pessoalizar ou partidarizar, temos que pensar no Brasil como um todo.

O pronunciamento do presidente da Assembleia, Gelson Merisio, falou em transição de antigas para novas lideranças, e citou o nome do senhor. Por sua vez, o senhor comentou que líderes precisam se apresentar para contribuir com a sociedade. O senhor pretende lançar seu nome para as eleições em âmbito nacional?

Não, não tenho interesse nisso. Eu acho que atrapalharia. Nós já estamos com uma bomba na mão aqui, vou me preocupar com outras coisas? A minha missão é ajudar aqui. Se a gente quiser fazer qualquer coisa pessoal, de mais ambição, vai atrapalhar. O nosso foco é fazer uma boa negociação da dívida. Esse é a nossa prioridade. Ajudar a sociedade de Santa Catarina a enfrentar a crise. O resto eu não tenho interesse.

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