Representantes de movimentos sociais avaliam os protestos em Joinville

Um mês após o ato que reuniu 15 mil pessoas, eles dizem que há pouco o que comemorar

Pouco mais de um mês depois do início das manifestações em Joinville e do registro do maior ato público, que reuniu quase 15 mil pessoas, integrantes de diferentes movimen­tos garantem que há pouco para se comemo­rar. A luta por uma tarifa zero para o trans­porte coletivo, além de mais investimentos em setores como saúde e educação, foi a principal reivindicação em Joinville. Mas integrantes de diferentes grupos afirmam que é preciso continuar na luta.

Para o presidente da Ujes (União Joinvil­le de Estudantes Secundaristas), Luiz Souza Neto, o avanço foi na conquista de uma maior representatividade da classe estudantil nos movimentos. Reuniões em Florianópolis, in­clusive com a entrega de uma pauta de rei­vindicações diretamente para o governador Raimundo Colombo (PSD), também são sina­lizadas pela Ujes como conquistas.

Luciano Moraes/Arquivo/ND

Luciano Moraes/Arquivo/ND

Manifestação histórica mobilizou 15 mil pessoas nas ruas de Joinville

Mas, além disso, em obras e estruturas, a avaliação é negativa. “Sabemos que existe di­nheiro. Mas só conseguimos promessas para reformas e construção de novas escolas”, disse Luiz. Uma conquista comemorada pelo estu­dante foi o recuo de algumas reenturmações com abertura de novas salas. “Aos poucos, conseguimos algumas coisas, mas precisa­mos continuar na luta. Estamos aguardando o retorno das aulas”, avisa. Para o MPL (Mo­vimento Passe Livre), houve pouco avanço. Apenas uma conquista foi comemorada pelo grupo. “Tivemos uma reunião com o prefei­to (Udo Döhler) e a garantia de que teremos mais espaço para discutir nossas propostas durante as audiências da licitação do trans­porte coletivo”, disse um dos integrantes do Movimento, Hernandez Eichenberger.

A reunião com o prefeito foi em 1º de julho e a principal bandeira levada pelo MPL à Pre­feitura foi a tarifa zero, subsidiada pelo IPTU progressivo. O imposto desta maneira ainda não foi implantado em Joinville e precisa pas­sar por discussões no Conselho da Cidade e na Câmara de Vereadores. Mas Udo já adiantou que, se aprovado, é inviável utilizar este recur­so para subsidiar o transporte coletivo. Ele de­fende maior aplicação para saúde e educação.

Adesão às mobilizações diminuiu e agora está focada no transporte público

O maior movimento já registrado na história de Joinville ocorreu em 20 de junho. Cerca de 15 mil pessoas foram às ruas protestar. Cada um defendia uma bandeira – transporte, saúde, educação, segurança, críticas aos gastos com a construção de estádios para a Copa do Mundo de 2014. Depois, outros atos foram registrados, com menor intensidade.

O MPL marcou duas manifestações, uma reuniu 3.000 participantes e outra 300. A Ujes também fez atos e reuniões, inclusive com encontros em Florianópolis. Algumas bandeiras chegaram a ser abraçadas por vereadores e políticos da cidade. A causa dos estudantes é defendida por parlamentares, que têm acompanhado reuniões e até viabilizado encontros na Capital.

O MPL, que aparece nos diferentes atos da cidade, tem se mantido por conta própria. Integrantes do PSOL também acompanham o grupo. As centrais sindicais também se organizaram, mas com menor adesão em ato público. Independentemente do número de participantes, Joinville aderiu aos movimentos nacionais, mas por causas próprias e bem específicas.

A advogada do CDH (Centro de Direitos Humanos), Cynthia Pinto da Luz, avalia como positivo o momento, mas entende que ainda falta muito para os avanços.

Para ela, não há preocupação real dos governantes para mudanças de estratégias de governo. “À medida em que ocorrem manifestações deste porte, o povo se modifica para melhor. O nível de consciência política da população aumentou, mas em Joinville não podemos dizer que houve avanços concretos”, disse Cynthia.

Ela lembra que escolas continuam interditadas e não há nada de concreto para mudar essa realidade. Ela ainda cita o transporte coletivo de Joinville. O contrato de concessão do transporte coletivo termina em janeiro de 2014 e até agora só a promessa de que haverá processo licitatório. As audiências públicas ainda não têm data marcada e todo o processo está em análise no Ippuj e na Seinfra.

“A falta de respostas não deve servir para calar o povo ou deixar de acreditar que algo mude um dia. Só com essa forma de atuação é que se pode obrigar os governantes a tomar alguma atitude”, avalia Cynthia. O MPL marcou nova manifestação para o dia 14 de agosto. O objetivo é pressionar o prefeito Udo Döhler a dar alguma respostas concretas sobre o transporte coletivo.

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