Secretário Desenvolvimento Econômico aposta na reinvenção e inovação para vencer crise

Rogério Siqueira encara desde segunda-feira a missão de criar políticas de Estado sobre inovação ao passo que ajuda pequenas, médias e grandes empresas a sobreviverem à pandemia da Covid-19

Rogério Siqueira tem muito trabalho pela frente. Novo secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável do Estado de Santa Catarina, o empresário de 59 anos encara desde segunda-feira (22) uma das pastas mais importantes do governo. Além de relevante, seu posto é igualmente desafiador. 

Experiente na gestão dentro da iniciativa privada, o paulista morador de Joinville há mais de 30 anos afirma que recebeu do governador Carlos Moisés (PSL) a missão de “criar políticas de Estado sobre inovação”, mas não apenas projetos de um único governo. E durante os dois anos que pretende ficar no cargo, promete fazer isso ao passo que ajuda pequenas, médias e grandes empresas a sobreviverem à pandemia da Covid-19. 

Antes de tudo, porém, vai precisar entender a dinâmica da política catarinense e como a pasta funciona. Como afirmou em entrevista ao nd+ na manhã desta quinta-feira (25), a chefia da secretaria é a sua primeira experiência na administração pública. 

Secretário Desenvolvimento Econômico aposta na reinvenção e inovação para vencer crise – Foto: Julio Cavalheiro/SED/NDSecretário Desenvolvimento Econômico aposta na reinvenção e inovação para vencer crise – Foto: Julio Cavalheiro/SED/ND

A pasta que Siqueira comanda tem uma função-meio. Além de articular projetos, o objetivo da secretaria é mobilizar organizações em prol do emprego e renda. Chamado após a saída de Lucas Esmeraldino – envolvido em polêmicas sobre indicações de amigos para cargos públicos -, Siqueira garante que terá sucesso. 

Homem de negócios, passou por grandes companhias como a Tigre e O Boticário. Já nos últimos cinco anos e meio, foi CEO do Beto Carrero World, em Penha. “A minha carreira é uma diversidade, assim como a característica do Estado”, conta. 

Diversidade

Afinado com o governador, o chefe da SED acredita na diversidade do Estado e fez uma aposta no potencial de reinvenção e inovação do catarinense para vencer a crise. “Santa Catarina é um país. A economia é uma das mais competitivas e tem um senso de cooperativismo muito grande”, frisa. 

Em consonância com Moisés, Siqueira tem como secretário adjunto o também empresário Ricardo Stodieck. Juntos, devem criar o que o secretário classificou de ‘sincronismo organizacional’. “A gente vai somar esforços no sentido de um objetivo:  retomada com espírito de prosperidade e esperança”.

Durante a conversa, o secretário comemorou o desempenho da economia frente ao coronavírus e falou em “interlocução com o setor produtivo”. Apesar da pandemia, ele enxerga números e iniciativas positivas no Estado.

Dados divulgados pelo IBGE na quarta-feira (24), apontam que SC manteve, no mês de maio, a menor taxa de informalidade da economia do país, com 20,9%. A média nacional é de 34,7%. Já a taxa de desocupação no último mês ficou em 8%. O índice é o menor entre os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. 

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Outro dado de destaque que o secretário pretende perpetuar está relacionado ao Prodec (Programa de Desenvolvimento da Empresa Catarinense). Nos últimos 16 meses, segundo Siqueira, a iniciativa fomentou mais de R$ 4,45 bilhões em investimentos privados e quase 6 mil empregos. 

“O Prodec é uma outra ferramenta que não é da gestão anterior dessa secretaria, nem do governo anterior ou atual. São 30 anos de sucesso e que vai ser mantido e revisado”, garante. 

Além da iniciativa, outra conquista celebrada pelo secretário foi a aprovação do Marco pelo Saneamento Básico. O projeto de lei aprovado quarta-feira (24) pelo Senado, e segundo Siqueira, ajudará as ações do IMA (Instituto do Meio Ambiente) e Sema (Secretaria Executiva do Meio Ambiente). Os dois órgãos são vinculado à pasta. 

“Nós vamos ter a universalização do saneamento. Isso vai ter impacto muito legal no que diz respeito à saúde pública de uma forma geral. A Sema e o IMA também vão estar atrelados neste processo”, diz.  

Confira outros pontos abordados na entrevista:

nd+: Há dados importantes sobre emprego e desocupação que mostram como a economia está superando os problemas mesmo com a Covid-19. Dentro disso, qual a receita para a retomada do crescimento agora, na pandemia? 

Resposta: É exatamente isso que o governador falou. É muito importante isso. Nós estamos tendo sinais já de que a ação integrada e não com protagonismo de uma única secretaria de governo. Integrada eu quero dizer assim: a Weg lança um produto para atender uma demanda específica da pandemia e daqui a pouco é o novo produto de exportação, olha que coisa bacana. Nós temos o menor índice [de desocupação], porque os empresários e empreendedores catarinenses tem força no DNA. A gente aguenta firme e segura os empregos. O meu papel é integrar isso. 

Como o senhor pretende viabilizar o capital estrangeiro aqui no Estado, ainda mais na situação da pandemia?  

A condição de pandemia não é uma condição para impedir o capital estrangeiro vir para cá. O mundo hoje tem uma liquidez maravilhosa. O que o que o capital de investimento no mundo está procurando são bons projetos e esses projetos nós estamos desenvolvimento aqui. Com certeza, já tem algumas empresas e alguns projetos e investidores querendo saber o que tem em Santa Catarina. Só que em três dias não deu tempo de [ver] tudo. Mas o Paulo Eli [secretário do Estado da Fazenda], me falou que ele tem todo um cardápio, com todas as condições operacionais de incentivo para implementar novas empresas em Santa Catarina.

Recentemente a Fampesc (Federação das Associações de Micro e Pequenos Empresários de Santa Catarina) criticou a dificuldade e obtenção de crédito junto aos bancos de fomento do Estado, como Badesc e BRDE. Como facilitar isso, principalmente na pandemia?

O governador pediu para a gente fazer um sincronismo do que era necessário. Aí vem o Badesc e o BRDE  que, juntos com a Secretaria da Fazenda, [vão] criar uma comissão para apresentar ao Sebrae sobre quais são as alternativas para ter o fundo de Garantia de Crédito para o pequeno médio e micro empreendedor. A ideia é injetar R$ 1 bilhão. O que vai acontecer agora é:  a Fazenda, o BRDE e o Badesc, junto com a secretaria, vão criar uma minuta para levar a aprovação e viabilizar isso o quanto antes, para que a gente possa dar sustentação ao pequeno, médio e micro. Nós estamos saindo da situação anterior, de aguardar ou de expectativa, para criar a ação de disponibilizar os recursos. 

O setor produtivo catarinense quer diálogo com o governo. Essa é outra demanda importante e essa falta de conversa recebeu críticas do setor neste último ano e meio. Como o senhor pretende criar essa relação de protagonismo? O senhor vai usar a sua experiência na gestão privada?

Resposta: Você mencionou agora uma coisa que o governador  Moisés deixou muito claro. Não é o protagonismo individual de uma secretaria que vai fazer a diferença. Nós estamos aqui para desenvolver políticas de Estado. Talvez essa é o grande link que me trouxe para o governo. Talvez a gestão anterior, que eu nem participei e nem sei que era e que não tinha contato com o setor produtivo. Eu tenho muito contato com o setor e, por isso, questionei essa condição de qual é a proposta eficaz. Ele [governador] deixou claro que é uma política de Estado que vai ser vinculada a todos os segmentos da sociedade. Como fazer isso? Trabalhando muito. 

01 Comentários

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  • Luiz Lima
    Luiz Lima
    Uma dica secretário. Demite o presidente do Imetro SC e toda sua tropa de incompetentes. Vai por mim antes que seja tarde.

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