Sindicato pede explicações ao Governo sobre assessora sem formação no Porto de SFS

Atuação de Aline Fernanda Hasse na assessoria de imprensa vira alvo de investigação do sindicato da categoria após denúncias do Grupo ND

Há pelo menos cinco meses, Aline Fernanda Hasse responde aos questionamentos e demandas da imprensa que procuram a SCPar Porto de São Francisco do Sul.

A assessora, que consta na lista de funcionários desde dezembro de 2019, confirmou que não possui formação acadêmica e se limitou a responder “ensino médio completo” quando questionada a respeito de sua escolaridade.

Aline apoiou publicamente a candidatura de Fabio Schiochet – Foto: Redes Sociais

Com salário base de pouco mais de R$ 6,7 mil, conforme próprio documento da empresa, a assessora recebe ainda cerca de R$ 2.680 acrescidos ao salário por periculosidade, e pouco mais de R$ 1 mil de vale alimentação.

A denúncia feita pelo Grupo ND acendeu o alerta no Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina. Além de estar ocupando um cargo para o qual não é qualificada, a chegada de Aline ao Porto teria sido por interferência política.

Interferência política

Aline foi indicada ao Porto de São Francisco do Sul pelo deputado federal Fabio Schiochet, com quem, inclusive, trabalhou no gabinete após a eleição. A assessora o apoiou publicamente durante a campanha de 2018. O deputado confirmou que sugeriu o nome de Aline ao então secretário da Casa Civil, Douglas Borba, que teria a indicado para o Porto.

Por isso, o Sindicato já afirmou que irá protocolar um pedido formal de explicações à Casa Civil a respeito da nomeação dela ao cargo de assessoria. Entre os pontos de interrogação, está a informação de que o Porto já tem, em seu quadro de funcionários efetivos e concursados, uma jornalista formada pela Unisul. Porém, ela não é a responsável pelo setor e, após a nomeação de Aline, não tem atendido mais a imprensa.

Após ser questionada pela reportagem sobre a ilegalidade de sua nomeação por não estar apta ao cargo, a assessora alegou que, para a função, não há a exigência de formação.

No entanto, o argumento utilizado por ela é invalidado pela Lei Estadual 15.460, de 12 de abril de 2011. O texto prevê a exigência de apresentação de diploma para os cargos de jornalista, sejam eles efetivos ou comissionados na esfera da administração pública estadual direta ou indireta em todos os poderes.

Lei foi assinada em abril de 2011 e, Aline, assumiu o cargo em dezembro de 2019 – Foto: Divulgação

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