Só no dia 16

Definição sobre a data da análise do agravo regimental que poderá recolocar Romildo Titon na presidência da Assembleia gera debates e até consulta ao STJ pelo órgão especial do TJ

Um misto de suspense e interesse público envolveu os debates e a espera pela decisão do órgão especial do Tribunal de Justiça que marcou para o próximo dia 16 a análise do agravo regimental que deve decidir se o deputado Romildo Titon (PMDB) retornará à presidência da Assembleia. Titon, afastado do cargo em decisão monocrática do desembargador José Trindade dos Santos, a pedido do Ministério Público em função da denúncia na Operação Fundo Poço  estava representado pelo advogado Gastão da Rosa Filho e por assessores do Legislativo quando o presidente Nelson Schefer Martins narrou o contato com o ministro Rogério Schietti Cruz, do Superior Tribunal de Justiça. Com a concordância de Trindade dos Santos, Schefer Martins expôs que presos aguardavam por habeas corpus e o presidente afastado do Poder Legislativo poderiam ser prejudicados em função da liminar concedida um dia antes por Schietti Cruz, a mesma que interrompeu o julgamento das denúncias oferecidas pelo MP, não ser clara sobre estas análises. Os hpabeas foram concedidos.

O informe veio mais tarde, e, enquanto havia expectativa na Assembleia, que funciona em prédio contíguo ao auditório do TJ, os desembargadores debateram até mesmo a possibilidade de julgar ontem mesmo ou fazer uma sessão extraordinária para analisar os agravos, que, além de Titon, incluem três prefeitos afastados e dois vices. O desembargador João Henrique Blasi, ex-deputado estadual, lembrou aos colegas que Titon é presidente de um poder e o segundo na linha sucessória do Estado, ao dizer que o atraso no julgamento cria um dano que não poderá ser reparado, já que os dias de afastamento, mais de um mês, não serão repostos.

Mesmo assim não veio o convencimento. Por 14 votos a cinco, os magistrados decidiram que será na próxima sessão do órgão especial o julgamento de todos os agravos. Um dos argumentos utilizados para rebater os que pediam a decisão ontem mesmo foi o de que a própria defesa de Titon inviabilizou o julgamento ao assegurar a liminar do STJ que suspendeu o objeto da pauta.

No campo político, Titon prolonga a sua sangria. Perde tempo para solucionar sua posição e faz aumentar a insatisfação dos colegas de parlamento. Muitos demonstravam indignação pela demora ao saber da deliberação do TJ. A tão decantada vitória no dia anterior já não era comemorada nos corredores do Palácio Barriga Verde. Há uma consciência coletiva de que, a cada dia que passa, o parlamento perde um ponto junto à sociedade. E tudo isso em um ano eleitoral.  

“Nosso interesse não é prejudicar ninguém. Nosso interesse era desbaratar a quadrilha, o que foi feito.”

José Trindade dos Santos, desembargador e relator da investigação criminal da Operação Fundo Poço, sobre conceder habeas corpus aos ainda presos e analisar os agravos regimentais de quem foi afastado dos cargos públicos.

ROBERTO AZEVEDO/ND

RASGADA AO VENTO

A enorme bandeira do Estado de Santa Catarina que tremula na Praça Tancredo Neves, cercada pelo Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa e Tribunal de Contas, amanheceu rasgada pela força do vento Sul. Tão logo alertado, o presidente em exercício da Assembleia Joares Ponticelli pediu para a Casa Militar verificar de quem era a responsabilidade. Um contato com a Casa Militar do TCE confirmou que, pelo sistema de rodízio entre a instituição, o Legislativo e o Judiciário, caberá ao tribunal administrativo fazer a troca do símbolo, o que deve ocorrer depois que o vendaval cessar.

Lados opostos

Ao entregar o requerimento, o deputado Jailson Lima (PT) fez um apelo aos deputados das demais siglas para indicarem participantes na CPI do Ministério Público, pois apenas PMDB, PT e PSOL assinaram o requerimento. Caso contrário, caberá ao presidente da Assembleia escolher os integrantes por sorteio.

Não demorou muito para o líder do PSD, deputado Darci de Matos, que defendeu o MP, descer a lenha na iniciativa e dizer que há interesses pessoais na abertura da comissão e que ele não assinou e nem participará dos trabalhos.

Novo discurso

Entre os peemedebistas que apoiam a candidatura própria ao governo já surgiu uma nova versão, um remake, que já não considera o PT, de Cláudio Vignatti, como parceiro no primeiro turno.

O melhor cenário poderia ter quatro candidaturas: Vignatti, Paulo Bauer (PSDB), Raimundo Colombo (PSD) e Mauro Mariani ou Dário Berger (PMDB).

A teoria

Com esta construção, os peemedebistas insurgentes acreditam que levam a candidatura do partido ao segundo turno e conseguem amealhar os apoios de petistas ou tucanos.

Além disso, os intrépidos arquitetos da candidatura própria peemedebista decidiram visitar delegado por delegado à pré-convenção em separado, forma de chamar a atenção para o projeto, o que envolverá Dário e Mariani a partir de amanhã e durante o sábado em viagem ao Extremo-Sul catarinense.

DIVULGAÇÃO/ND

PURA PROVOCAÇÃO

Final da reunião do Fórum Parlamentar Catarinense reservou este inusitado registro dos sorrisos entre três oposicionistas declarados do governador Raimundo Colombo e seu projeto à reeleição. Por notórias diferenças nacionais, o presidente estadual do PT, Cláudio Vignatti (à esquerda), o deputado federal Mauro Mariani (PMDB) e o senador tucano Paulo Bauer (à direita) nem cogitam uma tríplice aliança, no máximo uma coligação em dupla, mas deixaram escapar um sonho em comum: que Colombo retorne à Coxilha Rica, em Lages.

Sustentabilidade

Marcado para os dias 22 e 23 de maio a realização do Sustentar, na sua quinta edição, que debate propostas para melhorar a condição de quem produz e de quem consome de olho no futuro em Santa Catarina.

À frente do evento, o deputado Dirceu Dresch (PT) confirma que esta edição será em Florianópolis, três anos depois da última vez, em Chapecó, que sediou a maioria dos encontros.

Despedida

Governador Raimundo Colombo toma café da manhã com os assessores que deixam o governo para concorrer nas eleições deste ano, hoje na Casa d’Agronômica.

Agradecerá pela parceria de alguns em três anos e quatro meses de convívio na administração e aos demais que se juntaram à equipe depois.

Anote aí

Dalírio Beber pediu para sair da presidência da Casan e será substituído, temporariamente, pelo diretor de Operações, engenheiro Valter Gallina (PMDB), servidor público de carreira, que acumulará as duas funções.

Além da falta da confirmação de um nome para a Casan, Colombo ainda anunciará oficialmente quem assumirá a Junta Comercial e a Secretaria da Infraestrutura.

*A pesar dos apelos de Raimundo Colombo para permanecer, a saída de Dalírio Beber não é só reflexo do desembarque tucano em função da candidatura própria ao governo, trata-se de um a decisão dele em colocar seu nome à disposição do PSDB para concorrer a deputado estadual.

* Deputado Carlos Chiodini aguardava, até o fechamento desta edição, a comunicação que o prefeito Edson Piriquito (PMDB), de Balneário Camboriú, faria sobre o horário da virtual renúncia ao cargo para concorrer ao governo.

*Piriquito é quase unanimidade: peemedebistas e adversários ainda duvidam da saída do cargo. A conferir.

*De olho na cota dos pequenos partidos, o PEN faz grande encontro, hoje , em Joinville.

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