Paulo Alceu

Análises qualificadas e comentários assertivos acerca dos assuntos mais relevantes para os catarinenses.


Só vale para o delegado?

Tais atos não serão em hipótese alguma tolerados pelo atual governo. Perfeito. Merece elogios, mas que passe a valer para todos

Diárias: Tolerância Zero 

Arquivo/ND

Na coletiva à imprensa ontem o secretário de Segurança, Cesar Grubba, reforçou o argumento de que desvios de conduta do delegado Cláudio Monteiro, na utilização de diárias, acabaram provocando sua exoneração. Nada, além disso. Reforçou que não se trata do valor R$ 1,4 mil, mas do ato, pois o delegado pegou diária para uma investigação em Campo Grande, no Mato Grosso, e foi para Miami. O que deu para perceber é que tais atos não serão em hipótese alguma tolerados pelo atual governo. Perfeito. Merece elogios, mas que passe a valer para todos. Não pode se restringir a uma ação, que atingiu o diretor da Deic, mas que a partir de agora seja regra. Tem razão o secretário quando destaca que não se trata do valor, pois se espera de agentes públicos exemplos e probidade. O governo que está aí, desta forma, passa a sintonizar com a ansiedade popular, que não tolera mais abusos e desvios de dinheiro público sem a devida punição. Foi por causa das diárias, então, que o delegado perdeu seu cargo, que a presteza e a determinação passem a ser aplicada sem medir consequências a todos que não cumprirem com a responsabilidade do uso devido e correto das diárias.

Conversa
Foi revelado ontem, durante a coletiva, que o secretário recebeu a denúncia do uso indevido de diárias pelo delegado Cláudio Monteiro, no dia 21 de março. E que cinco dias depois, numa conversa com o secretário de Segurança, Cesar Grubba, o delegado Cláudio Monteiro reconheceu que cometeu um erro chegando a dizer que fez uma “besteira” e comentou o seguinte: “Acabei estragando minha carreira por causa de uma coisa insignificante…” Na ocasião, Grubba lamentou, reconhecendo o trabalho de Monteiro, mas disse que não tinha outra coisa a fazer a não ser exonera-lo. Até porque Monteiro apresentou um relatório sobre as diárias com notas fiscais frias, com almoços em duas cidades do Mato Grosso e uma do Paraná. Isso para justificar o uso do dinheiro. E ele em Miami. Pegou mal.

Relações
Diversas vezes o secretário César Grubba fez questão de frisar que os inquéritos de responsabilidade da Deic continuam tramitando sem “nenhuma ingerência política”. Citou o inquérito da Celesc e dos ferrosos. Insistiu que a demissão do delegado Monteiro se deu devido ao problema administrativo. E destacou que o trabalho da Deic prosseguirá sendo fortalecida e com aumento no contingente. “Desde 1º de janeiro de 2011 a Deic não teve nenhum tipo de interferência e nunca terá enquanto eu estiver aqui. Trata-se de um organismo extremamente importante”, sublinhou o secretário Grubba.

Um dos erros
Por que aconteceram esses desencontros, no caso Monteiro, gerando as mais variadas versões e especulações? A estratégia utilizada foi errada. A coletiva de ontem, deveria ter sido feita na quarta-feira e anunciada a exoneração e a nomeação do novo delegado. Não, decidiram comunicar na quinta-feira na véspera do feriado, num ponto facultativo. De repente a intenção era, quem sabe, neutralizar a mídia que num feriadão daria o caso como concluído, anunciando na segunda a posse do nosso delegado. Estratégia errada. Num feriado prolongado qualquer assunto acaba sendo tratado como prioridade, principalmente, a demissão de um delegado que vinha conduzindo seu trabalho sob aplausos da população. Tiro no pé. Virou tema de manchete e por ter sido conduzido com argumentos pouco assimiláveis ocupou as páginas da suspeita. Tudo isso poderia ter sido evitado.

Distorções  

As benesses, que emolduram salários de alguns agentes públicos, vêm sendo contestadas, inclusive, entre categorias. Não há mais espaço para regalias que representam muito mais uma injustiça diante de outros servidores, sem entrar no mérito do cidadão comum, que dificilmente verá no seu contracheque, de repente, gratificações superiores a muito salário por aí. Seria irreal se acontecesse. Isso sem considerar outras vantagens indigestas. Mas enquanto deputados recebem 14º e 15º salários tramita na Câmara projetos propondo o fim do 13º para o trabalhador. Dá para acreditar.

Tuitando
@ Ao anunciar a disposição de disputar a prefeitura de Joinville o deputado Marco Tebaldi não perdeu a oportunidade de atacar o petista Carlito Merss: “Vamos resgatar a estima do joinvillense e a gestão pública hoje feita de mentiras.”

@ O delegado Renato Hendges considerou errada a forma como foi conduzida a exoneração do companheiro da Deic, Cláudio Monteiro. Também levantou suspeita de um possível “desmanche” desse importante organismo da Segurança Pública.

@ Partiu do delegado Hendges a preocupação com a retirada de equipamentos de investigação da Deic utilizados em casos de sequestros e também de escutas de autoridades suspeitas. Seria a confirmação de varrer desvios para debaixo do tapete. 

@ A coletiva do secretário Grubba foi definida durante reunião na manhã de ontem na Agronômica com a participação do governador Colombo, onde ficou decidida também a divulgação de uma nota, visando dar um fim às especulações.

Diferenças
A decisão que for tomada em Brasília em relação à votação do projeto que acaba com o 14º e 15º salários dos parlamentares vai atingir as assembleias legislativas e naturalmente a de Santa Catarina, onde essa regalia é paga há décadas sob o nome de “desconvocação” e “convocação”. Pra quem não sabe, em dezembro quando encerra o ano legislativo, o deputado ganha o 14º salário e em fevereiro quando retorna às atividades recebe o 15º salário, além do salário mensal. Imagina você saindo de férias ganhando um salário a mais e quando retornar também. Por que para o trabalhador não vale? Pois então…

Tebaldi para prefeito 

Arquivo/ND

Na verdade a novidade seria se o deputado Marco Tebaldi anunciasse ontem que não disputaria a Prefeitura de Joinville. Sua pré-candidatura já era fato desde que deixou a Secretaria da Educação numa situação pouco confortável. Politicamente escolheu o caminho mais adequado, até para fortalecer o nome e sedimentar sua liderança na região. Mas o que acontecerá nos próximos 80 dias é para observar. Hoje no páreo Marco Tebaldi, Udo Döhler e Carlito Merss. O PSD continua no processo e a tendência é lançar o deputado Kennedy Nunes, mas há fortes pressões para apoiar o PMDB de Döhler.

E  Vida Segue
Se essa história de diária que acabou derrubando um delegado for regra, a partir de agora vai ter muito agente público em dificuldade. Ou só vale para o delegado?