Transporte público desafia gestão de Napoleão Bernardes em Blumenau

Após rompimento de contrato, prefeitura trabalha para retomar normalidade do serviço

Prefeito do terceiro maior colégio eleitoral de Santa Catarina, Napoleão Bernardes (PSDB) ficará marcado na memória política de Blumenau pelo rompimento do contrato com o consórcio que operava o transporte público na cidade. Mais do que isso: tem a chance de entrar para a história como o político que implantou um novo sistema aos usuários. 

Rosane Lima/ND

Bernardes esteve ontem em Florianópolis, na sede do Grupo RIC, onde foi ouvido por jornalistas

Resta saber se a lembrança das ações de Bernardes será positiva ou negativa, pois dependerá da qualidade e da eficiência do modelo a ser contratado. O gestor demonstra ter consciência disso e reafirma que o serviço deve ser licitado em seis meses. Ou seja, agosto, em plena campanha, da qual quer participar como candidato à reeleição.

O rompimento do contrato com o Consórcio Siga, formado pelas Coletivo Rodovel, Nossa Senhora da Glória e Viação Verde Vale, em 23 de janeiro, gerou expectativa nos usuários. A população sofreu com a interrupção do serviço em 2015 por conta das paralisações dos funcionários das três empresas, devido à falta de pagamento integral dos salários. “Foram sete paralisações e uma greve de 13 dias”, recordou Bernardes.

O próprio prefeito reconhece que o rompimento resultou em muitos aplausos instantaneamente, mas que as queixas têm soado mais alto no momento. A Piracicabana – contratada emergencialmente – está tentando oferecer o serviço na cidade desde o dia 1o. Porém, ainda faltam funcionários para colocar toda a frota nas ruas, além de organizar os horários e itinerários. Por conta da dificuldade, até ontem, a empresa mantinha a catraca livre para os usuários.

Por enquanto, cerca de 120 ônibus circulam em Blumenau. Até o fim de fevereiro, 240 devem operar. Pelo consórcio anterior, a frota chegava a 160. Segundo o prefeito, nesse momento, a empresa temporária e a administração têm três desafios: implantar a frota, contratar os trabalhadores das empresas que prestavam o serviço e regularizar o sistema de bilhetagem.

Não há dúvida de que fazer uma mudança tão impactante seja uma tarefa fácil. Mas o prefeito afirma com toda certeza: “Tenho convicção que essa é a verdadeira oportunidade para a virada página com a nova licitação.” Bernardes tem nas mãos o poder de estabelecer os critérios de contratação da futura operadora do transporte – essencial para garantir a cobrança de um serviço eficiente aos usuários.

Dívida ativa passa de R$ 200 mi

Além de contratar um novo sistema de transporte para Blumenau, Napoleão Bernardes diz que também tem o desafio de administrar as contas públicas devido à crise que assombra todo o país. A dívida ativa (dos tributos não pagos pelos contribuintes), por exemplo, ultrapassa os R$ 200 milhões.

Com capacidade de investimento apertada, o prefeito comenta que as áreas essenciais precisam de maior investimento do governo. Na saúde, a prefeitura investe 27% do orçamento – acima do mínimo de 15% exigido pela União.

Para 2016, o orçamento do município é de R$ 2,5 bilhões – 8% a mais comparando com o valor do bolo financeiro previsto para o ano anterior. Deste montante, segundo o prefeito, R$ 700 milhões de receita corrente líquida (o total de receitas tributárias com desconto dos valores das transferências constitucionais).

Assim como a maioria dos governos, a prefeitura faz ginástica para manter o percentual da folha de pagamento longe do limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Os salários consomem hoje 48% de todo orçamento da administração, segundo o prefeito.

Participe do grupo e receba as principais notícias
de Blumenau e região na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Política

Loading...