Uma escala para a população

Questão da jornada de trabalho dos policiais militares e bombeiros militares interessa a todos, e não será admissível que a categoria pague por uma tentativa de economia

Policial militar e bombeiro militar têm uma atividade estressante e por natureza trabalham com as piores situações, as mais críticas e os elementos mais nocivos à sociedade. Por isso, dá para entender o diálogo travado entre o presidente da Aprasc, que representa os praças das duas corporações, com o líder do governo na Assembleia Silvio Dreveck (PP) em que o cabo Elisandro Lotin acentua que a escala de 24 horas de trabalho por 48 horas de folga representa um risco para os militares e insegurança para a população que atendem, quando debatiam nos corredores da Assembleia a Medida Provisória que trata deste assunto, entre outros pontos.

A questão é que a escala reclamada pela Aprasc não será adotada durante todo tempo, como explica o comandante-geral da PM, coronel Paulo Henrique Hemm, que justifica a medida adotada agora em função das festas de outubro e a Operação Finados, e garante que ela será adequada à realidade das unidades da corporação até o dia 30 deste mês. O coronel Paulo Henrique enviou ofício a todos os comandantes regionais para que façam os ajustes em escalas justamente para evitar distorções em municípios que têm dois ou três policiais militares, mas admite que a diminuição do contingente virou um problema. Houve o adiamento da contratação de 658 PMs aprovados em concurso para março do ano que vem devido ao limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Na coletiva que concederão, na manhã desta quinta-feira, o comandante da PM, o secretário de Segurança Pública Cesar Grubba e o comandante-geral dos Bombeiros, coronel Onir Mocelim, dirão que a reclamação da Aprasc refere-se também às horas-extras, que, quando pagas pelo governo, não geravam insatisfação entre policiais e bombeiros. O que não será aceitável de jeito nenhum é a hipótese do governo querer fazer economia em um setor tão nevrálgico como a segurança, pois só existe escala para atendimento das demandas da população, impactada por uma percepção de aumento da violência, não alcançada pelas estatísticas oficiais.

“A preocupação maior do Estado é com o cidadão.”

Paulo Henrique Hemm, coronel e comandante-geral da Polícia Militar, ao explicar o objetivo da MP que tramita na Assembleia.   

Na mira

Sem esquecer os lamentáveis acontecimentos de março passado, em que foi ofendido por professores da rede estadual de ensino, o líder do governo Silvio Dreveck teve que ouvir coro de integrantes da Aprasc que pediam a retirada da MP 212, após a reunião da Comissão de Finanças. Saiu acompanhado por seguranças da Assembleia, mas não se furtou a conversar com os líderes da associação dos praças.

CHICO ALVES/DIVULGAÇÃO/ND

Presidente estadual do PMDB, o deputado Mauro Mariani mostra as ações do partido no Estado ao presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Wellington Moreira Franco

UM CANDIDATO À PRESIDÊNCIA

O encontro entre o presidente estadual do PMDB, deputado Mauro Mariani, e o presidente da Fundação Ulysses Guimarães (FUG), Wellington Moreira Franco, foi marcado por duas máximas: aproximar a sigla das bases e ter um candidato à Presidência da República, em 2018. Mariani prega que estas prioridades devem ser o tema do congresso nacional da FUG, braço de formação política do partido, marcado para o dia 17 deste mês, em Brasília, que tem um lema interessante, “O PMDB tem voz. E não tem dono”. Deveria ser repetido a todo momento a uns e outros dentro da sigla, a começar pelo presidente da Câmara Eduardo Cunha.

Aliás

Eduardo Cunha ganhou uma chuva de dólares falsos enquanto concedia uma entrevista na Câmara, de quem se manifestava contra ele e as denúncias de corrupção que cercam o agora ameaçado de perder o mandato por quebra de decoro deputado fluminense. Só que as verdinhas que estão depositadas em contas na Suíça não são nada falsas, ao contrário das desculpas de Cunha.

Era só barulho

Com a decisão do Tribunal de Contas do Estado em não responsabilizar o presidente da Assembleia Gelson Merisio sobre a questão dos gastos com alimentação na Assembleia, ficou desproporcional o alarido criado em torno do assunto. Embora o julgamento tenha atingido quatro servidores, que podem recorrer, e determinou uma tomada de contas especial para saber se houve algum gasto excessivo, o TCE considerou que todas as medidas tomadas, inclusive a consulta informal à corte administrativa para o contrato entre o Legislativo e a Afalesc, eram legais. É o que dá criar um fato antes dele consolidado. O MP junto ao TCE saiu derrotado.

CARLOS KILIAN/DIVULGAÇÃO/ND 

Os deputados Darci de Matos, pré-candidato à prefeitura de Joinville, e Kennedy Nunes, que já disputou a eleição: apoio consolidado

UNIÃO JOINVILENSE 
Os dois deputados estaduais Darci de Matos e Kennedy Nunes, ambos do PSD, já disputaram a prefeitura de Joinville e chegaram ao segundo turno, em 2008 e 2012, e agora se unem em torno de um projeto único para enfrentar o prefeito Udo Döhler (PMDB), no ano que vem. Matos está consolidado como pré-candidato com o apoio de Kennedy, que chega a brincar que entre os dois a coisa está “zero a zero, 10 a 10” na base da harmonia e do trabalho, afinal o maior colégio eleitoral catarinense é posição estratégica para o partido que pretende ter candidatura própria ao governo em 2018.

Interessante

Na polêmica em torno da Ponte da Prainha, em Blumenau, o deputado Jean Kuhlmann (PSD) acabou defendido pelos vereadores do PT das críticas que faz ao projeto, adversários do parlamentar. A bancada do PSD local calou-se na sessão da Câmara que debateu o assunto, e não dá para esquecer que Kuhlmann disputou o segundo turno com Napoleão Bernardes (PSDB), que saiu vitorioso.

* Professor Auri Bittencourt foi lançado pelo PSOL pré-candidato à prefeitura de Biguaçu, na mesma linha que lançou o também professor Elson Pereira à prefeitura da Capital.

* Ao entregar a defesa para as pedaladas fiscais ao presidente do Congresso Renan Calheiros (PMDB-AL) o Palácio do Planalto confirmou que o déficit chega a R$ 57 bilhões, mas quem acredita neste número que sobe a cada dia, assim como os preços nos supermercados.

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