Visão Catarinense: Presidente da Fecomércio, Bruno Breithaupt, acredita que governo estadual deveria ouvir iniciativa privada

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Segundo o presidente da Fecomércio, o estado de Santa Catarina tem totais condições para retomar a economia no pós pandemia

Para finalizar a série de reportagens “Visão Catarinense”, comandadas pelo jornalista Paulo Alceu, o convidado desta quarta-feira (3), foi o presidente da Fecomércio/SC (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina), Bruno Breithaupt.

Bruno Breithaupt, presidente da Fecomércio/SC, foi entrevistado para o Visão Catarinense – Foto: Marco Santiago/Arquivo/NDBruno Breithaupt, presidente da Fecomércio/SC, foi entrevistado para o Visão Catarinense – Foto: Marco Santiago/Arquivo/ND

Assim como nas demais entrevistas, o presidente da entidade contou sobre sua visão sobre as medidas governo de Santa Catarina durante a crise causada pela pandemia de coronavírus. Ele também apontou medidas para frear os desligamentos de trabalhadores que ocorreram neste período.

Neste momento, em que vivemos uma pandemia e um cenário de incerteza e dificuldades, o senhor acredita que vai mudar o modelo do consumidor no pós pandemia?

Nós já sentimos mudanças com relação ao comércio eletrônico e ao delivery. Ainda mais agora, com o consumo através de todas as ferramentas que a internet disponibilizou.

A loja física não vai desaparecer, mas outros canais irão surgir.

O consumidor está usando o que tem de ferramentas, procurar satisfazer a curiosidade com suas necessidades de compra. Consultando uma ferramenta, consultando outra empresa e eventualmente ele pode utilizar loja física ou não. Sem dúvidas, acredito que vá mudar e muito a condição de compra. A loja física não vai desaparecer, mas outros canais irão surgir.

Sobre a loja física desaparecer, é natural que não vai acontecer.Assim como vai acontecer uma mudança por conta do alcance dos clientes através do celular.

Nós temos que ter humildade, neste momento, porque a imprevisibilidade é muito grande e temos que acompanhar a evolução daquilo que o consumidor vai nos colocar daqui para frente para que nós empresários, comerciantes, analisarmos o desejo daquilo que o consumidor vai nos colocar daqui para frente.

O grande problema hoje é o desemprego que atingiu muito essa área. Como recuperar o emprego?

Aqui no Estado de Santa Catarina, numa pesquisa desenvolvida pela Fiesc, Sebrae e Fecomércio, na área do comércio de bens, serviços e turismo, tivemos 370 mil demissões. Esses dias estive escutando o ministro da economia, Paulo Guedes, e acredito que colocou muito bem: vamos diminuir muito esse quadro de desempregados na medida em que pudermos, através da produção, gerar novos empregos.

Para que isso aconteça, os investimentos são necessários, não só do governo federal, mas também que possam vir de fora. Temos um grande problema que é o político, onde os três poderes não se entendem e sem dúvida temos um prejuízo em relação aos recursos que poderiam vir ao nosso país.

Vamos diminuir muito esse quadro de desempregados na medida em que pudermos, através da produção, gerar novos empregos.

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Até que ponto está incomodando e atrapalhando essa crise institucional em que se estabeleceu em relação ao comércio?

Eu acho que neste momento, os três poderes deveriam estar discutindo aspectos pontuais com as empresas e empresários do comércio de bens, serviços e turismo e com outras atividades industriais com relação ao crédito. Isso porque o crédito não chega para o micro e pequena empresário. São muitas necessidades para preencher o cadastro e a dificuldade é muito grande, assim como também em outros aspectos como a saúde.

Observa-se aí uma série de soluções que já deveriam ser tomadas há muito tempo. Acredito que muito desses hospitais de campanha, na medida que está sendo colocado, não vão ser usados. Isso deveria ter sido resolvido há muito mais tempo.

Além disso, estão criando um embaraço muito grande, colocando o isolamento em um período maior que o necessário e criando uma série de inconveniências para toda a classe produtiva.

Em relação ao governo do Estado, o senhor acredita que ele atendeu o setor com suas necessidades ou falhou?

Fomos procurados através do Cofem, que é o Conselho das Federações, para conversar com o governador no sentido de criar um ambiente favorável para que nós pudéssemos, junto com o governo, discutir as melhores ações e os melhores propósitos para, de uma maneira mais eficiente e mais rápida, entre o governo e iniciativa privada, adotar medidas para que a economia voltasse a crescer de uma maneira mais rápida.

Eu sei que o momento exige muito cuidado. No entanto, nós temos certeza que a iniciativa privada, desde que ouvida pelo governo, as coisas seriam mais facilitadas e teríamos a possibilidade de voltar à atividade normal.

Antes de encerrar, gostaria de saber se o senhor é otimista em relação a retomada mais rápida e ágil da economia em Santa Catarina?

O estado tem diferenciais que muitos estados não tem. A nossa condição geográfica, economia diversificada, aspectos culturais.. fazem com que nós possamos adotarmos iniciativas acertadas.

Eu sei que o momento exige muito cuidado. No entanto, nós temos certeza que a iniciativa privada, desde que ouvida pelo governo, as coisas seriam mais facilitadas e teríamos a possibilidade de voltar à atividade normal.

Dessa forma, possibilitando aos empresários através do crédito e facilidades com relação ao tributo. Assim teremos as condições para minimizar o tempo e para que possamos novamente crescer e gerar empregos. Como resultado, aumentar as rendas das famílias e com isso aumentar a renda do nosso estado.