Visão Catarinense: presidente da Fetrancesc, Ari Rabaiolli, se mostra otimista para o pós-pandemia

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Segundo ele, o Governo mostrou-se aberto para discutir as melhores formas de ajudar a classe de transporte de cargas durante e após a pandemia

Mesmo com o momento de crise, onde o mundo enfrenta um inimigo invisível, o coronavírus, o serviço de transporte em Santa Catarina não pode parar por conta da responsabilidade de não causar um problema ainda maior.

Para falar sobre o assunto, o convidado para o Visão Catarinense desta segunda-feira (1°) foi o presidente da presidente da Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado), Ari Rabaiolli.

Ari Rabaiolli acredita que pós pandemia pode ser superado em Santa Catarina – Foto: Divulgação/NDAri Rabaiolli acredita que pós pandemia pode ser superado em Santa Catarina – Foto: Divulgação/ND

O representante da Fetrancesc explicou como foram as conversas e debates no início da pandemia e do isolamento social. Segundo Ari Rabaiolli, o Governo de Santa Catarina mostrou-se ativo e participativo para a resolução de empecilhos que apareceram no início.

Além disso, ele crê que o pós-pandemia pode ser superado, “acredito que se todos procurarem a fé e otimismo, conseguiremos passar por esse momento difícil”.

Confira a entrevista com o presidente da Fetrancesc:

O que mudou com a pandemia?

Na verdade, mudou para todos. Nós somos uma atividade essencial e desde o primeiro momento estamos à frente, garantindo o abastecimento de toda a população, com um trabalho árduo dos nossos motoristas que estão nas estradas. Graças a Deus, temos pouquíssimos indícios de contaminação e, por isso, acho que temos que comemorar. Isso, com certeza, é uma garantia que os empresários estão cuidando muito bem de seus colaboradores.

Em relação a Santa Catarina, vocês estão tendo apoio e ajuda dentro do que esperavam do governo?

No começo tivemos umas dificuldades porque o isolamento foi novidade para todos, até para o governo. Não haviam restaurantes e lanchonetes abertas. Para atividades essenciais, como a nossa, precisamos da abertura desses estabelecimentos. Com certeza o governo ajudou muito nas primeiras semanas.

Depois, conversamos com eles e foram autorizadas as aberturas. Mas como a cadeia é muito extensa, ampla, cada vez que se abre algo ficava outras coisas como, por exemplo, quando se abria oficinas, faltava o fornecimento de peças.

Então, tivemos dificuldades e, de modo geral, o governo atendeu bem as sete federações empresariais de Santa Catarina, onde a Fetrancesc faz parte. Nesse trabalho, junto ao governo, muitas contribuições foram feitas pela nossa federação, assim como as outras que fazem essa composição.

Quais essas colaborações e quais atividades foram desenvolvidas pela federação?

Como já éramos uma atividade essencial, o grande problema do governador foi de que só permitia o transporte de primeira necessidade. Mas a cadeia produtiva é ampla e o produto de primeira necessidade requer outras matérias primas, embalagens e era quase impossível os agentes fiscalizadores da Polícia Militar, da Vigilância sanitárias e guardas municipais identificarem isso.

Então, pedimos que o transporte de cargas fosse liberado na sua totalidade porque vínhamos trabalhando no sacrifício, transportando com ociosidade porque o comércio estava fechado e tudo que coletamos na quarentena, estava nos nossos depósitos e terminais que não conseguimos entregar.

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Então, imagina trabalhar com terminais cheios, muitas mercadorias em caminhões porque não cabia mais nos terminais. Assim como o comércio fechado, sendo que temos que trabalhar para garantir o abastecimento e com ociosidade.

Nossos caminhões rodaram muito com 20% ,30% ou 40% da sua capacidade. O procedimento foi muito sacrificado neste sentido, mas não só a Fetrancesc, como a Fiesc e a Fecomércio contribuíram muito nas reuniões da construção de atividades econômicas. A nossa demanda de início foi a abertura de restaurantes, oficinas mecânicas, lavações, auto eléctricas e também nossas entidades e mais duas de SC como Sest Senat e a Transpocred.

Nossos caminhões rodaram muito com 20% ,30% ou 40% da sua capacidade. O procedimento foi muito sacrificado.

Então desenvolvemos uma ferramenta para estabelecimentos se cadastrarem e disponibilizando aos motoristas pontos de atendimento, de acordo com a necessidade de cada um.

Foram muitas as atividades das nossas entidades, junto à Polícia Federal, distribuindo marmitas, onde foram mais de 4 mil refeições distribuídas. Assim como a distribuição de kits de higiene e também tivemos a atuação do Sest Senat para dar assistência aos motoristas, equipes de segurança com exames de hipertensão e glicemia e orientação para não se contaminar. Com o conjunto de três entidades, a Fetrancesc, Sest Senat e a Transpocred, juntamente com reuniões diárias do governo de SC, lideradas pelo secretário da Fazenda, Paulo Eli.

Com a pós-pandemia, na sua visão, o que vem pela frente?

Na verdade, cada um de nós, seja pessoa física ou jurídica, terá que se reinventar. Estamos otimistas porque o governo de SC, através da Secretaria da Fazenda – que está coordenando o grupo econômico – dá sinais de que quer prestigiar as indústrias de SC. Em um determinado momento, iria ver com as indústrias que estarão dispostas a produzir kits de segurança. Por exemplo, para que os municípios e o próprio estado adquirissem de empresas catarinenses.

Também foram receptivos na medida em que a Fiesc levou a necessidade da abertura da indústria, assim que a Docol teve a necessidade de fabricar torneiras para ter acesso à água. De modo geral, o governo do Estado esteve muito disposto a discutir com os empresários e indústrias sobre a retomada. Também visando a economia catarinense e perguntando para as pessoas sobre o movimento todo.

Acho difícil o governo tomar uma decisão como foi o decreto da quarentena até 15 dias antes. No entanto, vejo que, no fim, isso foi positivo porque a retomada pode ocorrer um pouco antes.

Eu acredito que o que está por vir passa por toda a sociedade e a necessidade de reinvenção de todos os setores da economia. Estamos com um novo mundo e nova economia a venda com internet cresceu muito e nós transportadores precisamos mudar e trabalhar mais o e-commerce. Acredito que se todos procurarem a fé e otimismo, conseguiremos passar por esse momento difícil.