A quarta revolução já chegou a Santa Catarina

Inteligência artificial, internet das coisas, nanotecnologia e impressão em 3D já são realidade no Estado, sede dos melhores institutos de inovação do mundo

REPORTAGEM: Aline Torres, especial para o ND
EDIÇÃO: Felipe Alves

Ali, numa meseta um tanto proeminente, de pouca al­tura, destacava-se um edifí­cio comprido, encimado por uma torre em cúpula, com a fachada dirigida para sudeste. Numerosas varandas davam-lhe de longe um aspecto poroso como uma esponja”.

Essa é primeira descrição de Thomas Mann sobre o sana­tório, nos Alpes Suíços, onde sua mulher se tratou da tuberculose, em 1912. Um cenário tão impactante a ponto de ser o epicentro de sua obra-prima “A Montanha Mágica”, Nobel de Literatura e um dos livros mais in­fluentes do século 1920.

Centro de Inovação do Sesi de Florianópolis atua como ponte entre a indústria catarinense e as universidades do Estado – Divulgação/ND

Três décadas depois, graças à criação e livre circulação da penicilina, não foi mais necessário o isolamento de tuberculosos e o sanatório foi desativado. O escritor, ob­viamente, não pode supor. Mas o local que serviu em seu livro para retratar a decadên­cia humana, seus retrocessos, se tornou o grande ponto de encontro da inovação. Criado há 48 anos por Klaus Schwab, o Fórum Econômico Mundial de Davos reúne anualmente as pessoas mais influentes do planeta.

A remota montanha suíça passou a hos­pedar a elite global. Pelos corredores de Davos circulam os maiores líderes políticos, sociais e empresarias dos cinco continentes. Não faltam mentes brilhantes do Vale do Si­lício, e dos grandes centros tecnológicos, de onde surge a “Quarta Revolução Industrial”, conceito que nasceu no Fórum e foi popula­rizado no livro de Schwab, lançado em 2016.

Contratamos das universidades. Os colaboradores criam inovações para as indústrias. Mais competitivas, elas geram mais empregos e investem em mais pesquisas. Mais profissionais vindos da universidade são contratados”. – Pierre Mattei, pesquisador-chefe do Instituto da Indústria em Santa Catarina

Assim como “A Montanha Mágica” é considerada uma das maiores obras literá­rias do século passado, “A Quarta Revolução Industrial” marcará definitivamente o século 21. É o que defendem os maiores cientistas do planeta, que não veem o livro como uma tese acadêmica, mas como um inevitável e radical acontecimento.

Transformação

A indústria 4.0 transformará a realidade, a lógica e todas as relações num ritmo verti­ginoso nos próximos seis anos. “As mudan­ças serão tão profundas que, na perspectiva da história da humanidade, nunca haverá um momento tão potencialmente promis­sor ou perigoso”, escreveu Schwab no livro.

As inovações em curso envolvem inteli­gência artificial, robótica, internet das coisas, veículos autônomos, impressão em 3D, na­notecnologia, biotecnologia, armazenamen­to de energia e computação quântica.

Parece um cenário tão distante quanto os Alpes Suíços? Pois saibam que grande parte dessas inovações estão sendo desen­volvidas nesse exato momento em Santa Catarina.

– Arte/ND

Incentivo à tecnologia

A maioria dos catarinenses não sabe, mas o Estado, ponta de lança da tecnologia no Brasil, é sede dos melhores institutos de inovação do mundo.

Ciente de que investimen­tos em ciência e tecnologia tra­zem retornos efetivos e fartos à economia e vantagens com­petitivas às indústrias, a CNI (Confederação Nacional das In­dústrias) foi uma incentivadora para criação de 26 Institutos Se­nai de Inovação e nove Centros Sesi, no Brasil.

O incentivo surgiu pela evi­dência de que a universidade e a indústria estão desconec­tadas. Para interligá-las, as 35 unidades atuam como pontes. Surgiram para realizar, por de­manda do empresariado, pes­quisa aplicada.

“Sistema que se retroali­menta”, na analogia de Pierre Mattei, pesquisador-chefe do Instituto da Indústria em Santa Catarina, que abraça o Centro Sesi de Tecnologias para Saúde, o Instituto Senai de Inovação em Sistemas Embarcados, am­bos situados na avenida Luiz Boiteux Piazza, 574, em Canas­vieiras, Florianópolis. Ainda exis­te o Instituto Senai de Inovação em Sistemas de Manufatura e em Processamento a Laser, na rua Arno Waldemar Dohler, 308, em Joinville.

“Contratamos das universi­dades. Os colaboradores criam inovações para as indústrias. Mais competitivas elas geram mais empregos e investem em mais pesquisas. Mais profissio­nais vindos da universidade são contratados”, disse.

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