Internacionalização é prioridade: indústria de SC se prepara para abertura econômica

Com o recém-anunciado acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, a indústria catarinense se prepara para se beneficiar da abertura econômica do Brasil

REPORTAGEM: Aline Torres, especial para o ND
EDIÇÃO: Felipe Alves

Internacionalizar a indústria catarinense é uma das prioridades da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) para criar um cenário de justa competição frente às inevitáveis mudan­ças.

Para tanto, Maria Teresa Bustamante, presi­dente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, que integrou como representante do setor eletroeletrôni­co a equipe brasileira que negociou durante 20 anos o acordo entre Mercosul e União Europeia, coorde­na um amplo programa para dar suporte, ao lado de analistas financeiros, a 570 indústrias estaduais.

– Arte/ND

Com o recente acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia e a redução das barreiras internacio­nais, a indústria catarinense pode se beneficiar desse novo momento de abertura econômica do Brasil.

Em Santa Catarina, existem 50 mil indústrias, das quais 44 mil são microempresas, mais vulneráveis às mudanças no mercado, que terão dois anos para de­senvolverem a inteligência competitiva, tece­rem alianças internacionais e se integrarem à cadeia global.

Dividido em cinco fases, o programa foi iniciado pelo diagnóstico, etapa importante para mapear programas gratuitos de incen­tivo à internacionalização. Há, aproximada­mente, cem iniciativas oferecidas pelo go­verno federal, estadual e por agências com o objetivo de dar suporte às exportações como a própria Fiesc, a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e In­vestimentos), CNI (Confederação Nacional da Indústria), Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e o Ministé­rio da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Nas outras fases, uma equipe multidisci­plinar construiu um questionário de 25 per­guntas para avaliar a maturidade empresa­rial. Esses questionários são entregues em eventos regionais chamados de “Diálogos Empresariais”, onde são apresentados o pro­grama e ferramentas altamente competitivas e desconhecidas como o drawback.

Ao final da capacitação, são indicados analistas experientes da Fiesc para auxiliar empresários que queiram elaborar o plano de internacionalização.

O programa, como explica Bustamante, incluirá ainda uma plataforma interativa e colabora­tiva, que servirá como canal de comunicação entre os industriais catarinenses e parceiros internacionais. “Somente com o acordo Mercosul – União Europeia, os empresários terão acesso a 28 países. Existe mer­cado para todos, mas é preciso preparo”, disse.

Já ouviu falar em drawback?

O drawback surgiu na legislação americana em 1789 e foi introduzido no Brasil em 1934. É um benefício fiscal, espécie de regime aduaneiro especial para extrair a carga tributá­ria da importação como o II (Impos­to de Importação), IPI (Imposto sob Produtos Industrializados) e o ICMS (Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação).

A contrapartida exigida pela União é que o produto importado tenha valor agregado em solo nacio­nal para ser exportado. O drawback pode ser solicitado virtualmente pelo SisComex (Sistema Integrado de Co­mércio Exterior).

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