Visão Catarinense: Jorginho Mello acredita que governo pecou com fechamento precoce

Senador afirma que governo não realizou o planejamento correto para proteger a saúde e a economia catarinense com a chegada da pandemia

Filiado ao PL, o senador Jorginho Mello foi o entrevistado da série de “Visão Catarinense” desta quarta-feira (20). Entre os assunto levantados, Jorginho reiterou que a questão da saúde e economia deve ser tratados juntos e com um planejamento antecipado.

Jorginho Mello foi o convidado para o Visão Catarinense – Foto: Marco Santiago/ND

Confira a entrevista com Jorginho Mello:

O senhor é a favor do isolamento ou a favor de resolver o problema da economia?

Eu sou a favor de ter um planejamento inteligente, não pode fechar tudo e não pode abrir tudo. Temos que ter a inteligência de cuidar da saúde e também da economia. Caso contrário, a tragédia de pós pandemia será grandiosa e devastadora. Nós precisamos cuidar da saúde, o planejamento de Santa Catarina, o governo parou muito cedo e tem municípios que não tem nenhum caso até hoje. Se tivesse um planejamento e gestão mais eficiente você poderia prever isso e deixar funcionando algumas atividades sem ter que fazer um fechamento total.

Temos que ter a inteligência de cuidar da saúde e também da economia. Caso contrário, a tragédia de pós pandemia será grandiosa e devastadora.

Então, no seu entender, o governo falhou?

Sim. Quando você vai enfrentar algo que não conhece, como a pandemia, nós estamos lutando contra um adversário de olhos vendados e aprendendo todo dia com o que a ciência diz e com os problemas que vão aparecendo. Então, o governo poderia pensar, cercando-se com pessoas de visão sobre saúde, de pessoas que sabem o que iria causar esse fechamento, a desgraça, porque estamos numa crescente de desemprego que nos assusta em Santa Catarina, que sempre foi exemplo.

Então, você imagina o que será o desemprego em outros estados da federação. Se aqui, que sempre tivemos excelência em emprego, em cumprir deveres e mistura que somos diferenciados, já estamos sendo abatidos… A própria Fiesc junto com o Sebrae, aponta que já passamos de 500 mil desempregados. Isso é um desastre.

O governo poderia pensar, cercando-se com pessoas de visão sobre saúde, de pessoas que sabem o que iria causar esse fechamento

Qual a forma ideal para que a gente supere esse colapso na economia que já está acontecendo?

Agora, a prioridade zero é cuidar da saúde com tudo que precisava ser feito, planejar, ver onde tinha o foco, onde está subindo, que tamanho era, que estrutura, quantos leitos… Por exemplo, Joaçaba tinha 16 leitos de UTI, quantos vamos precisar colocar? Isso deveria ser feito paralelamente para socorrer a demanda que vai bater na porta dos hospitais públicos e privados. Nós estamos saindo bem por causa da [época] seca, nós estamos passando pelo Rio Uruguai a pé e também por causa do calor. Nós vamos entrar agora no período de inverno. Por que no Amazonas subiu? Porque é úmido. Então, graças a Deus, escapamos bem. Agora, poderia ter toda a estrutura pronta.

No ponto de vista da saúde, o senhor acha que vai piorar?

Se vai piorar? Claro que vai piorar, todas as informações que temos, cientificamente, é que a chegada do inverno, com o frio, e com o fim da seca, porque vai começar a chover, irá aumentar os números de casos. Então, nós tivemos um tempo grande para ir preparando sem fazer essa fiasqueira de hospital de campanha, de ficar comprando e pagar sem receber. Porque deveria ter uma equipe técnica descente para fazer essa estrutura, porque ao lado disso cuidando da indústria, do comércio e do turismo que foi a zero.

Todas as informações que temos, cientificamente, é que a chegada do inverno, com o frio, irá aumentar os números de casos.

O senhor não acha que o congresso não está colaborando com essa briga de egos?

O Congresso sempre foi uma casa diversa. Lá tem 513 deputados e 80 senadores, lá tem gente de toda cabeça. Tem gente da melhor qualidade e tem picareta. Mas o Congresso Nacional tem feito a sua parte.

Só para Santa Catarina, nós já autorizamos R$ 2 bilhões, R$ 1 bilhão para municípios e R$ 1 bilhão para o Estado, em quatro parcelas, para socorrer a quebradeira. Já veio R$ 167 milhões para a conta do governo do Estado e prefeituras municipais para anteder a pandemia.

O Congresso não está se omitindo porque já aprovamos a PEC de guerra. O congresso sempre foi assim, com altos e baixos onde a sociedade precisa ser cada vez mais criteriosa para eleger e isso é com o tempo, comprometimento e estar próximo que vai melhorar essas linhagens.

O congresso tem dado resposta. O Rodrigo Maia gosta de aparecer, o Davi Alcolumbre é mais solicito, é mais agradável. o Rodrigo tem umas rixas com o presidente Jair Bolsonaro, que também é um homem diferenciado, que se elegeu assim e ninguém pode dizer que está assustado com o jeito do presidente Bolsonaro.

Ele fez 75% dos votos assim e se elegeu em SC sabendo do jeitão dele e ele não mudou. É a mesma coisa que o povo adora, que ele não meteu a mão em alguma coisa e não deixou ninguém meter.

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O que o senhor não faria que está sendo feito agora no enfrentamento do coronavírus? Começando pelo nível estadual. Porque eu sei que o senhor está com um olho para a eleição de 2022 para governador.

Na verdade eu estou com os dois olhos. Graças a Deus, quero mantê-lo. Não é momento de nós avançarmos no governador Carlos Moisés, politicamente. Nós temos organismos e instâncias que vão resolver tudo. Mas também não sou de fazer média e dizer que o foco é só a pandemia.

Não senhor, tem que cuidar da economia, da pandemia e cuidar de quem está fazendo corrupção também. Não é por causa da pandemia que vamos deixar os ratos levar aquela possibilidade que o estado tem de bom exemplo. Então, eu faria um planejamento porque você precisa saber e, se não sabe, pergunta para quem sabe, isso é a grande falha.

Não é momento de nós avançarmos no governador Carlos Moisés, politicamente. Nós temos organismos e instâncias que vão resolver tudo.

Com isso de fechar tudo, ficou antipático e as pessoas precisam sobreviver e vai falar para o pequeno empresário e com o autônomo. Paulo, quem tem condições de ficar em casa é quem tem dispensa cheia. Essa é a verdade.

Ficar em casa é para quem pode e quem deve, como o idoso, quem tem problema, o funcionário público e o empresário fica em casa. Mas tem gente que não tem opção de ficar em casa. Você vê em grandes centros uma sala onde dorme todo mundo juntos e, de manhã, recolhe os colchões e bota a mesa para almoçar. O Brasil é esse, nós temos muitos brasis.

Santa Catarina tinha que arrumar o estado, bem arrumadinho, com cada município. Eu, que conheço todos os municípios, sei que pode ir lá sem avisar e é tudo arrumado e funciona bem.

Vai em cada um, como, por exemplo, aqui para uma atividade, ali para três, nesse outro para duas, e dessa forma não ia sofrer tanto como estamos sofrendo. Quando se fala de 530 mil desempregados, isso é um número que assusta.

Mas como resolver isso?

O governo tem que chamar as federações, Fecomércio, área do turismo, área da economia e começar a fazer um planejamento já para a pós pandemia porque a ajuda que o governo federal está dando é para quatro meses.

Vai ter que ajudar um pouco mais? Acho que vai. O governo vai ter que emitir dinheiro, nós vamos entrar em uma dificuldade tão grande que a reforma da previdência de 10 anos já foi para o brejo.

O governo tem que chamar as federações, área do turismo, área da economia e começar a fazer um planejamento já para a pós pandemia.

Enfim, o governo vai ter que emitir dinheiro, o empresário vai precisar de crédito. Eu acabei de emitir uma lei que vai ser sancionada segunda-feira, dando um prazo, taxa de juros, carência de oito meses, taxas de 1% ao ano porque se não não vai se reerguer.

O empresário ficou assustado, mandou embora, a loja dele ficou fechada e a doença, você não sabe se é como um tigre ou um gato. Cada profissional que vem na TV falar, eu fico prestando atenção para ver se ele diz algo diferente do que tenho ouvido. Mas só dizem que isso pode se agravar, que o pico vai ser no final de abril, agora vai ser em maio e no início de junho. Amigo, eu não sei  e ninguém sabe. Nós estamos lutando contra um inimigo invisível e o mundo está lutando.

Em relação o que vai acontecer depois, já estamos carregados de incertezas,  como o senhor disse, não sabemos se a gente vai, quando isso vai terminar,  mas que isso vai terminar, vai. O senhor não acha que está no momento de mudar esse modelo político brasileiro, essa máquina pública, que só consome dinheiro?

Não tenha dúvida, faz tempo que defendo isso. O governo tem que ser menor e diminuir o tamanho do Estado. O Estado é muito burocrático, é muito demorado, a resposta é muito difícil. Com todo respeito ao funcionário publico, nós precisamos agilizar mais, suprimir processos.

Quando entramos com o pedido na Anvisa para a Weg fazer os respiradores, você não sabe a luta que foi. (A Weg) é uma empresa de renome, que dispensa qualquer certificação, uma empresa que vai desviar um pouco da sua atividade para fazer respiradores.

O governo tem que ser menor e diminuir o tamanho do Estado. O Estado é muito burocrático, é muito demorado, a resposta é muito difícil.

Nós precisamos de segurança, saber que o Ministério da Saúde não vai sequestrar [equipamentos] para que vá para Brasília. Precisamos suprir Santa Catarina, o Paraná e Rio Grande do Sul. Para conseguir isso, o Mandetta teve que se meter junto com a gente, e agora a Weg vai começar a liberar X por dia, uma empresa nossa, que tem credibilidade a toda hora.

Então, a máquina do governo público é muito pesada, a repetição de serviços, eu não tenho dúvidas que poderia dar uma navalhada e suprimir grande parte de atividades, que ninguém vai notar essa diferença. Depois dessa pandemia, pode acreditar que muita coisa vai mudar.

Para finalizar, o que o senhor acha que vai mudar e o que acredita que vai mudar?

Nós precisamos do governo, que tem que abandonar qualquer modelo de economia, porque o mundo vai mudar e a globalização vai passar por um grande deságio, porque o pessoal da zona do euro vai se fechar, de fronteira toda aberta e ver o que foi que isso causou, e que deve comprar de dentro do território.

Temos que começar a comprar do Brasil, para reagir a economia. Assim como a solidariedade, tem muito empresário que meteu a mão na gibeira e está dando, gastando com respiradores e material de saúde, ajudando a fazer hospital, e isso é muito bom e mostramos que somos todos iguais e que o último paletó não tem bolso.

Precisamos gostar mais para que a vida seja mais leve e que a reforma política precisa ser feita. Diminuir o número de deputados, senadores e vamos ter que enfrentar isso.

Temos que parar de enfrentar isso de eleições, eu não acho nada agora. Se vai adiar por um mês ou não, tinha que fazer uma eleição única e que iria acabar com muita coisa. Infelizmente, é uma máquina pesada e que precisa de desprendimento, desapaixonar. Para de vaidade, o povo está vendo e não vem fazer conversa bonita, fazer média e jogar débito para cima de alguém.

O povo sabe e não responde na lata porque é educado.  A sociedade mudou e está mudando a cada eleição, nós temos que aprender a gostar dessa palavra “política”. Nós temos que dar uma lustrada nela e tem pessoas que envergonham ela até hoje, mas tem muita gente boa. O povo tem que começar a pensar nisso e só assim vai mudar para melhor.

A sociedade mudou e está mudando a cada eleição, nós temos que aprender a gostar dessa palavra “política”.

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