Visão Catarinense: Presidente da Fecoagro, Claudio Post, espera mais ações do Estado para enfrentar crise

Entre os pontos abordados, Claudio Post acredita que Estado pode ajudar empresas e empreendedores a passar pelo “colapso econômico”

Responsável por um dos serores mais importantes da economia catarinense, a agropecuária, o presidente da Fecoagro (Federação das Cooperativas Ágropecuárias de Santa Catarina), Claudio Post, conversou com o jornalista Paulo Alceu para o Visão Catarinense desta quarta-feira (27).

Presidente Claudio Post foi o convidado desta quarta-feira (27) para o Visão Catarinense – Foto: Dell/ND

Entre as medidas para Santa Catarina ultrapassar a crise econômica criada por causa da pandemia de coronavírus que já matou mais de 24 mil pessoas no Brasil, Claudio Post acredita que a flexibilização de linhas de crédito pode ser um bom caminho para auxiliar empresas e empreendedores.

Confira a entrevista com o presidente da Fecoagro, Claudio Post:

Qual a grande preocupação do setor para o pós pandemia?

A nossa preocupação após esse período é a crise econômica que esse isolamento social está causando. Na agricultura, como é um setor muito dinâmico, nós produzimos uma grande quantidade de alimentos e dependemos da demanda do nosso consumir.

Quando ele perde economicamente, também deixa de consumir produtos em valor agregado. Portanto, quando a saúde financeira do país vai mal, tem muitos setores que dependem do mercado interno e também sofrem e se tornam inviáveis.

É uma preocupação muito grande, onde o consumidor perde o poder aquisitivo e vai demandar produtos tão essenciais.

Portanto, uma preocupação muito forte é a questão econômica que o Estado e o País estão entrando e nós estávamos nos recuperando de uma crise econômica e estávamos começando a ter um aquecimento na demanda e recuperação de preços, e com a pandemia isso está sendo interrompido.

Isso é uma preocupação muito grande, onde o consumidor perde o poder aquisitivo e vai demandar produtos tão essenciais que estamos produzindo em larga escala e em grande quantidade.

Qual a fórmula mais adequada, dentro da sua visão, para enfrentar esse novo momento, que é o do colapso econômico?

A gente não é economista, mas a gente sabe que vamos precisar de um esforço muito grande por parte do governo para financiar o capital de giro das empresas a juros baixos e de forma facilitada.

Hoje, o crédito precisa ser farto e o acesso também precisa ser facilitado, porque a maioria das empresas está passando por dificuldades e com problemas e garantias para tomarem esse crédito.

Vamos precisar de um esforço muito grande por parte do governo para financiar o capital de giro das empresas a juros baixos e de forma facilitada.

A outra questão é a dos juros realmente baixos, para que o empresariado e as empresas consigam tomar os empréstimos para alavancar seus negócios e voltar ao ritmo antes da pandemia.

O senhor acha que esse diálogo é possível com o governo, já preparando essa nova etapa?

Sem dúvida nenhuma, estamos conversando e a gente, como presidente da federação e junto com colegas de outras federações, estamos participando de um comitê de consulta, onde o governo está conversando conosco, dialogando, está perguntando e está aberto. É onde a gente vai sugerir ações para que o mercado e economia volte a operar com mais intensidade.

O senhor falou em uma retração de consumo neste período de isolamento, mas é o segmento que está em uma situação mais privilegiada, a que abastece a população.

Eu acho que nós não podemos deixar de alimentar, né. Santa Catarina tem um diferencial muito grande, porque temos um mercado internacional muito pujante. Como Santa Catarina é livre de febre aftosa e tem uma cadeia de agroindústria muito organizada, nós somos habilitados a exportar. Então, além de abastecer o mercado interno, também estamos exportando grandes somas, o que vai ajudar muito a recuperar a economia de Santa Catarina.

Santa Catarina tem um diferencial muito grande, porque temos um mercado internacional muito pujante. (…) Além de abastecer o mercado interno, também estamos exportando grandes somas, o que vai ajudar muito a recuperar a economia de Santa Catarina.

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O senhor acha que as medidas de isolamento, que estão sendo tomadas atualmente, preservando vidas, pelo menos tecnicamente, cientificamente isso vem sendo colocado e estão dentro do padrão de que as federações defenderiam?

Sim, sem dúvida nenhuma. Desde o começo sabemos que, como a gente não conhece bem a pandemia, tem carência de estudos e comprovações de como enfrentá-la. Sabemos que o isolamento é necessário, mas a economia precisa andar.

Então, sugerimos vários protocolos para que o mercado, assim que reabra, obedeça os protocolos para que a gente consiga enfrentar a pandemia de forma a não prejudicar a saúde da população. E principalmente preservando a saúde dos nossos trabalhadores. Então, a agroindústria hoje tem um protocolo muito rígido para atender o mercado internacional.

Por outro lado, isolando as pessoas que apresentam os sintomas, temperatura alta ou qualquer sintoma para não colocar em risco, assim como permanecer em casa, não circularem e orientando também a sociedade para que se proteja e evite o máximo possível o contato para que a curva de infectados seja a mais baixa possível para que o setor de saúde consiga atender a demanda que vem.

Aí foi uma das nossas preocupações logo de imediato: fazer doações vultosas para os hospitais, para que consigam se equipar e ter saúde financeira para atender uma demanda maior.

Essas foram as ações sociais que as cooperativas fizeram e que, com certeza, ajudaram positivamente a sociedade. Isso não poderia ser diferente porque nosso princípio é justamente o interesse pela comunidade. Sabemos que a economia saudável é importante e se completa assim que todos os elos se beneficiem. Primeiro, não ficou impedido de trabalhar, mas vamos sentir as consequências de uma parada ou crise maior na economia.

O que vocês esperam a partir de agora, dentro dessas circunstâncias que estamos vivenciando? O senhor acredita que SC sairá mais rápido desse processo de colapso econômico, já que é uma crise mundial e somos grandes exportadores?

Eu acredito que sim, porque temos uma economia diversificada e temos uma matriz bem profissional. Como já falei, temos muitas plantas habilitadas para vender ao exterior, estamos livres de febre aftosa e outras doenças. Também temos a agricultura pujante com uma boa produção de soja, grande produtor de maçã, cebola, banana e entre outras culturas que somos bem fortes. Com certeza, vai contribuir para a recuperação da nossa economia.

O que o senhor e as federações esperam do governo em termos de apoio para superar as dificuldades que virão?

Nós precisamos simplificar o Estado. Sabemos que o Estado é bem pesado e o que prejudica muito a economia é a lentidão nas licenças. Começando pela ambiental, sanitária e de todas as formas tanto no governo municipal, estadual e federal. Para que simplifique a vida do nosso empresário, para que consiga se preocupar mais com a sua produção e consiga sobreviver disso.

Nós também esperamos que o governo do estado faça uma reforma previdenciária e tributária para facilitar muito a atividade empresarial. Por outro lado, também esperamos a simplificação e barateamento do custo da mão de obra. Isso porque, hoje, nós que somos empregadores, temos uma carga de imposto muito grande em cima do trabalho e prejudica a criação de novos empregos.

Nós precisamos simplificar o Estado. Sabemos que o Estado é bem pesado e o que prejudica muito a economia é a lentidão nas licenças.

Então, por um lado, é muito engessamento, a burocracia para abrir novas empresas demora muito. Dessa forma, o Estado pode simplificar, melhorar para que a atividade econômica consiga uma velocidade maior para que empregue o maior número possível. Além de empregar pessoas, produzir de forma competitiva no mercado internacional para que SC seja um estado de excelência e continue crescendo acima da média do nosso país.