10 ações para acabar com a pandemia, segundo a UFSC

Mais de cem professores e pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina sugerem dez medidas para vencer o novo coronavírus

Uma extensa carta, na verdade um apelo nacional, assinada por mais de cem pesquisadores e professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), aponta caminhos para saúde pública vencer a pandemia.

O documento encaminhado ao Portal ND+ pelo cientista Oscar Bruna Romero, professor de doenças infecciosas e vacinas e presidente da Subcomissão Científica Covid-19/UFSC, lista as razões pelas quais Santa Catarina e o Brasil estão vivendo o pior momento da pandemia e aponta soluções. 

novo coronavirus Novas variantes do novo coronavírus foram encontradas no Brasil- Foto: Divulgação/ND

“É uma reflexão feita pelos membros da Universidade na tentativa de ajudar”, diz Oscar Bruna Romero, um dos 104 nomes que assinam a carta.

Ao citar o avanço das mortes (mais de 7,1 mil em SC e 251 mil no Brasil), os professores destacam que, a fim de evitar um retrocesso de difícil reparação nos sistemas de saúde e educação e no desenvolvimento humano, econômico e social, é preciso agir agora e propõem dez ações:

  1. Ainda não é possível desenvolver atividades cotidianas como de costume. Isto porque a doença é altamente contagiosa e com um percentual significativo de casos que evoluem para formas graves ou mortais, sem precedentes nos últimos 100 anos. 
  2.  Cumprir as quatro recomendações de prevenção: distanciamento social; uso de máscaras cobrindo as entradas e saídas de ar do rosto; higiene das mãos e ventilação dos ambientes. Essas precauções são as únicas comprovadamente eficazes. O professores frisam, inclusive, que essa pandemia se mantém pela nossa incapacidade individual e coletiva de cumpri-las.
  3. Fiscalização rígida do cumprimento de normas de prevenção.
    Segundo os pesquisadores, medidas governamentais que ignoram as normas de prevenção e sua fiscalização, permitindo atividades diurnas e noturnas que resultam de forma repetitiva em aglomeração, com a finalidade de minimizar os efeitos econômicos, terão, na sua maioria, efeitos contrários, pois levarão inevitavelmente a uma extensão do período pandêmico a elevação potencial de sua severidade e de todas as suas consequências negativas.
  4.  Exigir o uso de máscara eficiente e bem ajustada em todos os espaços públicos com fiscalização ampla e garantida.
    Os professores citam o egoísmo sistemático de grupos de pessoas, que ainda dão manutenção a esta situação “nefasta”. Assim, escrevem, é comum observar pessoas não pertencentes a grupos de risco se achando isentas de responsabilidade com os outros, fazendo questão de mostrar que não seguem as normas de prevenção em nome de uma suposta liberdade individual.  “Não podemos ignorar a ignorância dos outros, devemos explicar isto a quem ainda não entendeu. Reforçamos que os profissionais da saúde estão entre os grupos mais impactados por esta pandemia. Além do prejuízo à sua saúde física, adiciona-se o comprometimento da saúde emocional, que influi no desenvolvimento de suas atividades, como o combate da própria pandemia. A falta de compromisso de todos na contenção da infecção sobrecarrega além do necessário a estes colegas, fundamentais para a saúde de todos nós.”
  5. Qualquer atividade laboral/econômica somente poderá voltar à normalidade, quando tivermos conseguido controlar a transmissão da pandemia.
    As pessoas precisam entender isso porque a saúde depende dessa atitude.
  6. A volta das aulas presenciais deve ser revista e adiada até que o controle do processo pandêmico/epidêmico esteja consolidado.
    Os pesquisadores grifam que é falso que crianças não se infectam com o novo coronavírus. “Todas as publicações científicas têm mostrado que o convívio social delas permite transmissão, e indivíduos de qualquer idade podem ser infectados. Assim, o retorno de atividades escolares presenciais, muito necessárias, precisa diminuir o contato com adultos ou com outras crianças que não pertençam ao núcleo familiar”. Para isso, os pesquisadores propõem a diminuição do número de indivíduos ou o aumento do tamanho dos locais onde se fazem as atividades.
  7. Fazer campanha de comunicação nacional sobre quais medidas que a ciência indica que deveriam ser tomadas.
    Para os pesquisadores, é um erro grave pensar que aumentar o número de leitos hospitalares de uma região é uma medida de prevenção. “Isto representa, sobretudo, uma demonstração da nossa incapacidade de prevenir esta doença. Devemos ressaltar que a manipulação do número de leitos como forma de combate à pandemia favorece a manutenção de uma elevada parcela da população infectada pelo vírus elevando as chances de mutações e surgimento de novas variantes que podem impor maior transmissibilidade e severidade para um processo pandêmico que já é gravíssimo”, alertam.
  8. Comunicar a população, de forma clara, que ainda não há remédio contra a Covid-19, seja ele preventivo ou curativo.
    O que existe hoje são tratamentos de suporte para tentar reverter a patologia grave quando esta se apresenta, dizem os pesquisadores, lembrando que o Estado não pode agir com base em crenças ou opiniões, pois suas responsabilidades, caso venham a ser cobradas, precisam de bases de defesa sólidas e estudos científicos.
  9. Vacinas contra a Covid-19.
    “Podemos afirmar de forma contundente que já existe hoje uma terapia profilática cientificamente comprovada para a prevenção contra esta doença”, escrevem. Porém, segundo os cientistas, há falta de planejamento e de comunicação adequada  por parte do Ministério da Saúde sobre os benefícios reais destas vacinas, seguras e protetoras, em particular contra os efeitos mais indesejáveis da doença. Ponderam, ainda, que deve ser retirado das vacinas qualquer viés político-partidário, e elas devem de ser adotadas pelo Plano Nacional de Imunização; que o governo promova vacinação ordeira, rápida e irrestrita; e que devemos continuar com as medidas fundamentais: uso de máscaras eficientes, distanciamento social, ventilação dos ambientes e higienização de mãos, até conseguir que pelo menos 70-90% da nossa população seja vacinada.
  10. Investir em ciência. 
    No último e não menos importante item, os professores que assinam a carta falam, em coro, que o Brasil precisa voltar a investir em ciência de forma contínua.  “Estamos entre os países que ostentam as maiores taxas de mortalidade e entre os que pior enfrentaram a Pandemia. Este fato reforça a necessidade de mudança da postura nacional de enfrentamento da pandemia, para não sermos todos cúmplices históricos por naturalizar no século 21 um novo holocausto”, concluem, de forma contundente, os professores da Universidade Federal de Santa Catariana.

Confira abaixo a íntegra do documento:

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Saúde