A medicina do futuro é aqui e agora, com robôs fazendo cirurgias

Cirurgias minimamente invasivas, com auxílio da tecnologia, garantem recuperação mais rápida para o paciente e já são realidade em Santa Catarina desde 2019

Numa cirurgia robótica, o paciente, anestesiado, tem o corpo estendido na cama de cirurgia. Apenas ele e o robô. A máquina, com quatro braços, se aproxima e o primeiro braço faz um furo no corpo do paciente, onde é introduzida a primeira pinça com a câmera. Na sequência, outros três furos são feitos para realizar o procedimento. Pouco tempo depois da cirurgia, minimamente invasiva, o paciente já sai do hospital operado e pronto para seguir sua rotina.

A cena futurista já acontece em diversos locais do país. Desde que ocorreu a primeira cirurgia robótica no Brasil, em 2008, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, inúmeros hospitais implantaram a tecnologia. Em Santa Catarina, o primeiro procedimento ocorreu em 2019, no Hospital Santa Isabel, em Blumenau.

Na cirurgia robótica feita por robô, médico controleos movimentos à distância – Foto: LETÍCIA VENERA/HSI/DIVULGAÇÃO/NDNa cirurgia robótica feita por robô, médico controleos movimentos à distância – Foto: LETÍCIA VENERA/HSI/DIVULGAÇÃO/ND

O número de tipos de cirurgias realizadas nesse sistema também cresceu e as operações já englobam todas as partes do corpo, incluindo procedimentos no coração e na cabeça.

“Qualquer tipo de procedimento pode ser feito por via robótica. A grande vantagem é, principalmente, nos procedimentos mais complexos, nos quais é muito difícil fazer videolaparoscopia e com robô acaba facilitando”, diz o médico Pedro Trauczynski, coordenador do Programa de Cirurgia Robótica do Hospital Santa Isabel, de Blumenau.

Apesar de o robô assumir um protagonismo visual na cena, o trabalho inteiro é realizado por humanos. “Importante lembrar sempre que o robô não faz nenhum tipo de movimento autônomo, muito pelo contrário, existem mecanismos para que, por exemplo, se o cirurgião tirar o rosto da lente – como um binóculo -, onde ele enxerga a imagem em 3D, lá no console o braço do robô já não mexe”, explica.

Tecnologia permite precisão nos movimentos

A câmera do robô produz imagens em alta definição de dentro do corpo do paciente, que são reproduzidas em telas para a equipe médica. O equipamento permite que a equipe médica possa visualizar a imagem ampliada em até dez vezes. “Com isso, a gente tem muito mais precisão e muito mais ângulos para poder fazer cirurgias de formas minimamente invasivas, mesmo as mais complexas”, constata Trauczynski.

Quatro braços controlados à distância

Além do braço que carrega a câmera, os outros três braços do robô utilizam pinças. São parecidas com pinças de uma laparoscopia – a cirurgia por vídeo -, mas elas têm movimentos de 360 graus na ponta e têm um filtro de movimento, que o cirurgião consegue regular. Numa cabine longe do paciente, com um console, o cirurgião introduz os dedos polegar, indicador e médio num dispositivo e dirige os movimentos do robô. Os movimentos são precisos. Quando o médico mexe um centímetro no console, o robô mexe um terço de onde estiver a pinça no paciente.

Robô Da Vinci tem futuro a explorar na rede pública

O robô cirurgião, desenvolvido nos Estados Unidos, usa tecnologia desenvolvida pela Nasa e pode custar mais de R$ 12 milhões, além de taxas extras de manutenção que somam R$ 1 milhão por ano. Batizado com o nome do cientista e artista italiano Leonardo Da Vinci, o robô fez a sua estreia no SUS em 2012, em uma cirurgia de remoção de um tumor nas amígdalas.
O equipamento foi adquirido pelo Inca (Instituto Nacional do Câncer) com recursos do Ministério da Saúde e está instalado no centro cirúrgico do Hospital do Câncer, no Rio de Janeiro. A ampliação do serviço no país na rede pública ainda depende de investimentos.

O que vem pela frente na cirurgia robótica

Tudo indica que o papel dos robôs será cada vez maior daqui para a frente. O médico cita a integração da inteligência artificial como um passo determinante para o futuro da medicina, com auxílios em exames de imagens e bancos de dados, por exemplo. Mas o cirurgião frisa: “Os robôs nunca irão operar uma pessoa sozinhos, e a parte humana da relação médico e paciente não será substituída jamais”.

(Com colaboração de Daniel Hugen e Lindsey Caetano)

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