Laudelino Sardá

Causos da Ilha, seus personagens, histórias e momentos do cotidiano de Florianópolis com quem conhece os cantos da Capital de Santa Catarina.


A dor e o eco da pandemia

É oportuno sentir que esse vírus está mordendo pessoas que nunca imaginaram precisar um dia descer degraus de uma sociedade extremamente discriminatória

Um mosquito morre com um tapa, ou se esconde. O coronavírus sequer debica. Basta um aglomerado de pessoas, para ele infectar. Se recolhessem todos os coronavírus do mundo, daria para concentrá-los num pequeno pote plástico de musse.

Novo coronavírus – Foto: Divulgação/NDNovo coronavírus – Foto: Divulgação/ND

Da mesma forma, o vírus que no século 14 pegou carona nas pulgas dos ratos em porões de navios, provocou a maior pandemia da história, matando cerca de 180 milhões de pessoas na Europa, Ásia e África.

Sim, a peste negra tomou conta dos três continentes com uma rapidez fantástica. E sete séculos depois, o vírus ainda é um terrorista invisível, desafiando todos os continentes e paralisando o processo social e econômico, como uma advertência de que é preciso repensar a sociedade.

Esqueçam o aparente sentimento humano, o amor pelo religioso e a paixão pelo progresso, pois nada vai resolver. É oportuno sentir que esse vírus está mordendo pessoas que nunca imaginaram precisar um dia descer degraus de uma sociedade extremamente discriminatória.

Imaginem: o rico e o pobre estão sendo atacados impiedosamente por esse terrorista invisível. O dinheiro não salva, e o momento é de se enxergar o ser e sentir o seu coração. Não há mais espaço para quem vive só de ambição, vaidade e orgulho extremo.

Enquanto isso, na praia da cachoeira…

– Ô Lelo, eu acho que a doença vem a cavalo e volta a pé. – Pois então, Venanço, ninguém mais se enxerga nesse mar de agonia, de confusão. Será que as pessoas estão sentindo que as coisas precisam mudar?

– É, Lelo, acho que a dor está voltando pra dentro de cada um de nós. Não tem mais aquilo de eu sofrer sozinho, entende?

– Puta meda, Venanço, parece que cada lágrima é uma verdade. – É isso, Lelo, as dores não falam mais. E tu sabe por quê? Pela primeira vez, tá todo mundo igual. A dor é orgulhosa e nos obriga a ficar de joelho.

– Tá certo, Venanço. Parece que essa dor da pandemia está desinfetando nossas almas. Acho que há dores que matam, mas há muitas dores que podem abrir nossos corações.

– É… Essa doença afeta corpo, afeta todo mundo em volta, afeta tudo que a gente fez e ia fazer. Tomara que deixe a alma da gente livre.

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