“A gente quer respostas”, diz pai de jovem que morreu por Covid no Hospital Florianópolis

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Família do estudante pede que o caso seja apurado, pois acredita que Mateus não recebeu tratamento adequado na unidade de saúde pública da Capital

“Ele só me disse ‘mãe, estou subindo para a UTI’ e foram as últimas palavras que ele falou comigo”. O relato é de uma mãe que busca entender as circunstâncias que levaram o filho a não sobreviver à Covid-19. Andreia de Souza é mãe de Mateus Felippe de Souza, o jovem de 21 anos sem doença preexistente que morreu no Hospital Florianópolis no dia 15 de julho.

Pais de jovem morto por Covid-19 no Hospital Florianópolis – Foto: Vanessa da Rocha/ND

A data do óbito do jovem coincide com o período em que o Estado enfrentou falta de medicamentos. Reportagem publicada nesta terça pelo nd+ revelou que uma ata de reunião realizada entre o Ministério Público e a Secretaria de Saúde do Estado dava conta do uso de morfina para sedar o estudante.

Mateus completaria 22 anos na última quarta (28) e concluiria o curso de Direito na Unisul em 2021. No documento, a morte do jovem é relacionada com o desabastecimento de remédios adequados nos estoques estaduais e do Hospital Florianópolis.

Em entrevista, os pais de Mateus disseram que o jovem avisou a mãe que estava sem medicação. “Ele dizia ‘mãe, eu estou aqui e só estou no oxigênio. Eu não estou tomando comprimido, eu não estou tomando soro, eu não estou tomando medicação’, diz Andreia.

“Eu liguei pro médico dele que estava de plantão e perguntei ‘vocês não estão dando medicação? Meu filho está aí só pra tomar oxigênio? Tem que entrar rápido com medicação, com antibiótico’. Ele (o médico) disse: ‘não, mãe. Ele está tomando’. E ele me mandou a lista de medicação que estava tomando’, porém, meu filho dizia ‘mãe, não tem medicação nenhuma”, relata Andreia.

Num áudio enviado à mãe antes de ir para a UTI, o rapaz faz o apelo “O médico… O médico ainda não prescreveu nada ali. Eu tô sem tomar remédio. Ele não prescreveu nada ainda”, disse.

O pai do jovem, Rivelino Souza, espera investigação aprofundada sobre as causas da morte. Ele também argumenta que procedimentos médicos foram realizados sem que a família fosse avisada  e que seu filho ficou sem realizar exames devido à falta de condições de uso do tomógrafo da unidade de saúde pública.

“A gente poderia ser um pouco mais bem atualizado. Se estava faltando algum medicamento, a gente poderia correr atrás e dava algum jeito, né? Porque foi uma morte assim, inesperada mesmo. A gente não se conforma até hoje. Quem perde filho, e só quem perde filho, sabe a dor assim que é e meu Deus. É uma vida”, lamenta.

O Ministério Público instaurou um procedimento para investigar o caso após ser questionado pela reportagem do ND+. Rivelino aguarda ser chamado para prestar o depoimento. “Por enquanto ainda não há respostas. Tem perguntas, mas não tenho respostas”.

A Secretaria Estadual da Saúde informou que o estoque de medicamentos do Estado está abastecido, mas não quis conceder entrevista sobre o caso. O Hospital Florianópolis divulgou nota em que nega “denúncias” e informa que é considerado referência no tratamento da Covid-19, mas não prestou informações sobre as circunstâncias da morte do jovem e também não quis gravar entrevista.