A importância de respirar bem pelo nariz

Fluxo correto do ar pelas vias nasais define qualidade de vida e saúde das pessoas

Dê valor à boa respiração – Foto: Divulgação

Você já parou para pensar no quanto a respiração pelo nariz é uma das capacidades mais subestimadas no nosso corpo? Costumamos enxergá-la de maneira natural e só percebemos sua importância quando somos privados de exercê-la plenamente, por exemplo, durante um quadro de resfriado. Mas para muitas pessoas, essa dificuldade de respirar bem pelo nariz é algo que faz parte da vida diária, o que limita em muito a qualidade de vida e o potencial.

O ar, ao ser inspirado pelo nariz, sofre um processo de filtragem, aquecimento e umidificação, o que faz com que ele chegue aos pulmões totalmente pronto e preparado para que os mesmos possam extrair o máximo de oxigênio, com o mínimo de esforço.

“Com isso, temos um sangue melhor oxigenado e consequentemente, um substrato para que todas as funções fisiológicas do nosso organismo possam ser realizadas. Ou seja, uma boa respiração pelo nariz é o pontapé inicial para que possamos ter uma boa saúde”, explica Dr. Guilherme Guerra Orcesi da Costa, médico  Otorrinolaringologista.

Se o nariz não possui um bom funcionamento, o ar que chega aos pulmões não será de tão boa qualidade, e consequentemente, a oxigenação do nosso sangue também não será otimizada. Isso, no médio e longo prazos, causa efeitos prejudiciais ao organismo como um todo, pode contribuir para o aparecimento de doenças como:

  • Sobrecarga do sistema cardiovascular (hipertensão arterial, doenças coronarianas);
  • Alterações metabólicas (diabetes e outras)
  • Problemas renais
  • Alterações no Sistema Nervoso Central, tais como problemas de sono, perda de memória, dificuldade de concentração, transtornos de humor (depressão, ansiedade) e alterações neurodegenerativas (Alzheimer).

Quem diria que respirar mal pelo nariz poderia ter tantos efeitos indiretos a longo prazo?

E o que pode causar a sensação de nariz congestionado por longos períodos?

Responde Dr. Guilherme que, para ocorrer a obstrução nasal, é necessário que a passagem de ar pelo nariz esteja impedida ou dificultada por algum fator anatômico. “Na cavidade nasal, basicamente duas estruturas podem contribuir para isso: o septo nasal e os cornetos nasais”, diz.

O septo nasal

É a separação interna da cavidade nasal, e frequentemente pode estar encurvado, caracterizando o desvio e atrapalhando o fluxo de ar. O desvio de septo nasal normalmente se desenvolve durante o nosso crescimento, mas também pode ocorrer após um trauma nasal. Muitos desvios são leves e não causam impacto significativo, mas quando há comprometimento importante na qualidade de vida, a correção é indicada através de uma cirurgia, a septoplastia.

Cornetos nasais

Estes são estruturas próprias do nariz, e servem para filtrar, umidificar e aquecer o ar que respiramos. Os cornetos podem estar hipertrofiados (dilatados) e assim ocupando muito espaço na cavidade nasal, impedindo uma boa passagem de ar.

“Muitas condições clínicas podem contribuir para a hipertrofia dos cornetos. A mais comum é a rinite, que pode ser dividida em várias categorias, de acordo com o fator causal (alérgica, infecciosa, medicamentosa, irritativa, vasomotora, gestacional, etc). A rinite é basicamente uma inflamação na mucosa nasal, e se não tratada corretamente, pode, com o passar do tempo, levar a um aumento no tamanho dos cornetos nasais”, explica Dr. Guilherme.

Sinusite

“Outra condição bastante comum, que pode levar à hipertrofia dos cornetos nasais é a sinusite. Os seios da face são pequenas cavidades dos ossos faciais que se comunicam com a cavidade nasal. De forma semelhante à rinite, a sinusite também é um processo inflamatório, e por ser um processo mais difuso, envolve não só a mucosa dos seios da face, mas também a mucosa da cavidade nasal”, explica o Otorrino.

“Com isso, os cornetos também podem ser acometidos pelo processo, o que pode levar à hipertrofia, e consequentemente, à diminuição do fluxo de ar pelo nariz. As hipertrofias de cornetos nasais podem ser tratadas clinicamente através de medicamentos, ou cirurgicamente (turbinectomia ou turbinoplastia) quando não há resposta suficiente com o tratamento clínico”, esclarece.

Pólipos e tumores

“Além das estruturas próprias das cavidades nasais descritas acima (septo e cornetos), outras estruturas que não pertencem à anatomia usual do nariz podem ocupar espaço e causar a obstrução nasal. Nesta categoria, podemos incluir os pólipos nasais e tumores”, acrescenta Dr. Guilherme.

– Os pólipos são crescimentos anormais da mucosa nasal (geralmente decorrente de inflamação intensa), usualmente vinculados a um tipo específico de sinusite crônica. Dependendo do grau da doença, os mesmos podem bloquear completamente a passagem do ar, e podem ser manejados através de medicações ou cirurgia.

– Já os tumores podem ser benignos ou malignos, sendo estes últimos, felizmente, mais raros.

Adenoide

Uma outra causa muito comum de dificuldade de respirar pelo nariz se deve a um problema que não é localizado no nariz. “Estou falando de adenoide, que é um tecido esponjoso que pode crescer logo atrás do nariz, em uma região conhecida como nasofaringe, que tecnicamente, faz parte da garganta”, explica o médico.

A adenoide é um tecido linfoide, ou seja, faz parte do sistema imunológico e pode ter seu tamanho aumentado, principalmente em crianças, sendo, inclusive, a causa mais comum de obstrução nasal e roncos nessa faixa etária. Por se localizar logo atrás do nariz, sua hipertrofia (aumento de tamanho) pode bloquear a passagem do ar inspirado pelo nariz, pois estreita a transição entre o nariz e a garganta.

Conforme a criança cresce, o espaço vai aumentando e menos impacto a adenoide vai causando na respiração, mas em casos de hipertrofia muito intensa, pode ser necessário o tratamento cirúrgico.

“Desta forma, vemos que são muitas as causas da obstrução nasal, e o tratamento adequado dependerá do correto diagnóstico. Por isso, a importância de procurar um profissional especializado e capacitado neste sentido, pois a melhora na qualidade de vida com o tratamento é marcante”, finaliza Dr. Guilherme Guerra Orcesi da Costa.

Dr. Guilherme Guerra Orcesi da Costa

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