Aconchego: cartas por escrito dão voz a familiares de pacientes de UTIs respiratórias

Hospital faz a diferença: mais do que tratar, leva e traz o carinho nas cartas com palavras de fé e cura para pacientes graves

O trabalho dos profissionais da saúde, principalmente em UTIs no Brasil, nunca foi tão intenso e cansativo.

Mesmo assim, uma equipe em Florianópolis tem ido além de tratar pacientes: eles são sensíveis às questões da alma e, diante das dificuldades de comunicação nas unidades, acrescentaram uma nova ação, a leitura de cartas de parentes e amigos para quem está na UTI.

Paciente ouve a leitura de carta de familiar na UTI respiratória – Foto: Divulgação UnimedPaciente ouve a leitura de carta de familiar na UTI respiratória – Foto: Divulgação Unimed

Recentemente, a equipe do hospital passou a oferecer, para familiares dos pacientes em tratamento intensivo, uma forma milenar de comunicação, que, neste momento, volta a fazer todo o sentido: a carta. Assim, os profissionais que trabalham na internação podem dar voz aos sentimentos dos familiares.

Caixinha do Aconchego

A ideia tem nome: é Caixinha do Aconchego, que fica na recepção da unidade hospitalar. Esta atitude tem dado alívio emocional a quem envia e a quem recebe as cartas. E os profissionais têm feito a ação com aquele carinho que vai e volta, cheio de recompensas, mesmo diante da rotina exaustiva nas unidades.

Como a infecção por Covid-19 provoca sérios riscos à saúde de quem é contagiado, e os efeitos emocionais da internação são sentidos por todos, o isolamento imposto pelo vírus é uma barreira para a expressão de sentimentos que fortalecem o ânimo do paciente.

Por isso, o Hospital Unimed Grande Florianópolis criou ações de acolhimento que aproximam os doentes de suas famílias durante a estadia no hospital.

Trabalho de auxílio na comunicação começou com visita virtual

A primeira ação para facilitar o contato entre pacientes e familiares foi a visita virtual. Por meio dela, os pacientes se comunicam com seus familiares por ligação ou vídeo, amenizando a saudade e recebendo o carinho e as mensagens de confiança e de conforto. Esse tipo de visita, porém, não pode ser realizada por pacientes das UTIs respiratórias.

Diante dessa realidade, a equipe teve a ideia que humaniza e inspira. Mensagens escritas no papel por familiares de pacientes internados por Covid-19 são depositados na Caixinha Virtual do Aconchego, na recepção do Hospital.

Todos os dias há esta tarefa especial. As cartas são retiradas pela Chefe de Enfermagem, que indica um dos integrantes das equipes (enfermeiras, assistentes sociais ou psicóloga), para fazer a leitura ao paciente.

Caso desejem, os familiares também recebem por celular uma fotografia da ação – uma maneira de sentir o conforto de saber que suas palavras chegaram até o paciente. Depois de lida, a carta permanecerá no leito do paciente até a sua alta.

‘Muitas palavras de fé e esperança de cura’

Prática tem levado alívio emocional a pacientes que não podem se comunicar de outra forma – Foto: DivulgaçãoPrática tem levado alívio emocional a pacientes que não podem se comunicar de outra forma – Foto: Divulgação

A enfermeira Cristiani Pereira é uma das idealizadoras da ação. “Proporcionar esse momento à família e ao paciente faz a diferença, pois o amor e o cuidado da alma são um benefício para o tratamento”, explica Cristiani.

“Encontramos muitas palavras de fé e esperança de cura, isso é muito marcante. Não tenho dúvidas de que ficará guardado para cada família”, completa Cristiani.

Esta mensagem de força foi justamente o que a analista de crédito Cristiane Zanchin tentou transmitir ao companheiro, o gerente de contratos Leonardo Debastiani, 30 anos, que permaneceu em ventilação mecânica por oito dias. A carta foi lida pela equipe um dia depois de Debastiani ser extubado, um momento no qual, por segurança, as visitas ainda não estavam autorizadas.

“Eu escrevi poucas palavras, mas de muito otimismo. Falei que, assim que ele saísse de lá, eu estaria esperando. Como moro longe, enviei por e-mail. Perguntei à equipe se seria lido naquele dia e me disseram: ‘Sim, agora mesmo!’. Depois, recebi um vídeo do momento da leitura. Vê-lo ouvindo minhas palavras me deixou emocionada e mais tranquila”, lembra Cristiane.

A importância dos gestos de acolhimento

Debastiani vem reagindo bem ao tratamento nos últimos dias e deve ter alta na próxima semana. Cristiane já foi autorizada a permanecer no leito como sua acompanhante, e acredita que o acolhimento da equipe foi fundamental no momento em que o contato era restrito.

Diariamente, familiares de pessoas internadas com Covid-19 na UTI Respiratória do Hospital Unimed Grande Florianópolis enviam suas palavras, que são transmitidas com respeito e carinho pelos profissionais aos pacientes. Um gesto da equipe que faz a diferença no momento no qual as famílias mais precisam. No final, carinho e atenção fazem toda a diferença no tratamento dentro deste hospital.

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