Ainda sem registro de mortes, variante Ômicron deve se espalhar pelo planeta, diz OMS

Entidade fez apelo para que o mundo não entre em pânico com a nova variante, mas pediu aos governos que avaliem os riscos para tomar medidas de contenção

A OMS (Organização Mundial da Saúde) ainda não confirmou nenhuma notificação de morte pela Ômicron, mas afirmou nesta sexta-feira (3) que não há dúvida de que a nova cepa vai se propagar pelo planeta.

A entidade pediu que os governos examinem os casos detectados dentro de suas fronteiras e avaliem os riscos para tomar medidas de contenção.

Pandemia da Covid-19 chega à quarta onda com a presença da variante Ômicron – Foto: Pixabay/Divulgação/NDPandemia da Covid-19 chega à quarta onda com a presença da variante Ômicron – Foto: Pixabay/Divulgação/ND

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira, o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier disse que “podemos estar seguros que essa variante se expandirá. A Delta também começou em um lugar e, agora, é predominante”.

“Uma vez que é detectada uma variante e se começa a vigilância, ela é encontrada mais e mais. Isso funciona assim. Quando se descobre, é porque já há uma série de casos em mais algum lugar”, afirmou Lindmeier.

A Delta foi detectada na Índia no segundo semestre do ano passado. Hoje, representa mais de 90% dos casos de Covid-19 no mundo.

Sem pânico

A OMS, porém, fez um apelo para que o mundo não entre em pânico com a nova variante. A organização destacou que é preciso levar em conta que a Delta foi a causadora de um aumento considerável de casos e internações em vários países, particularmente na Europa, nas últimas duas semanas.

“Os confinamentos, o fechamento de certas atividades econômicas, de mercados de Natal em partes da Europa, isso aconteceu antes da Ômicron”, disse Lindmeier. “A razão foi o aumento de casos da Delta. Não percamos essa perspectiva.”

Sobre as restrições de viagens impostas em alguns países, o porta-voz indicou que isso só se justifica se for medida para ganhar tempo, quando o sistema de saúde está em dificuldade.

“Ao invés de fechar fronteiras e impor restrições, é preferível preparar o país e o sistema sanitário para que os casos cheguem”, destacou.

Mais testagens e menos barreiras

Para Lindmeir, é mais sensato reforçar a testagem de viajantes nos aeroportos do que fechar fronteiras. A adoção de barreiras entre países é uma estratégia que não encontra endosso na liderança da OMS.

A cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, disse que a Ômicron é “muito transmissível”, também durante entrevista nesta sexta (3).

“Até que ponto devemos ficar preocupados?”, questionou. “Precisamos estar preparados e cautelosos, não entrar em pânico, porque estamos em uma situação diferente de um ano atrás.”

Ela disse que é “cedo” para tirar conclusões sobre o comportamento da cepa. “Precisamos esperar, espero que seja mais ameno”, disse. Ela destacou que o mundo está “mais preparado” para a variante por conta do avanço da vacinação.

A cientista ainda afirmou que, para se tornar dominante, a Ômicron terá de ser mais transmissível do que a variante detectada na Índia. “A Delta é responsável por 99% das infecções em todo o mundo. Essa variante teria que ser mais transmissível para competir e se tornar dominante mundialmente. É possível (que isso aconteça), mas não é possível prever”, declarou.

(Com agências internacionais)

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