ALERTA: nova variante do coronavírus tem maior capacidade de transmissão

Infectologista Fábio Gaudenzi explica por que há maior capacidade de transmissão do vírus; nova variante foi confirmada em Joinville

Logo após o Estado de Santa Catarina confirmar a nova variante do coronavírus, o infectologista Fábio Gaudenzi falou com a imprensa sobre as descobertas recentes relacionadas a essa mutação.

Falou do caso de Joinville, cujo exame identificou a presença da variante P1, descrita a partir do Estado do Amazonas.

Infectologista Fábio Gaudenzi tirou dúvidas sobre a nova variante -Infectologista Fábio Gaudenzi tirou dúvidas sobre a nova variante – Foto: Reprodução vídeo

Essa variante, segundo Fábio Gaudenzi, tem algumas mutações que, inicialmente, pela avaliação realizada por cientistas daquele Estado, identificou uma maior capacidade de transmissão do vírus.

Mas até o momento não se identificou uma maior capacidade de causar doença grave, ou mesmo a perda da resposta às vacinas que estão sendo usadas no país.

“Embora os estudos ainda estejam sendo conduzidos, até o momento o que nós sabemos é que essa cepa possui uma capacidade maior de transmissão, por isso ela é considerada como uma variante de importância do novo coronavírus”, alerta o especialista.

Ele também reforça que medidas de monitoramento recomendadas por meio das notas técnicas da Secretaria de Estado da Saúde estão sendo implementadas.

O caso

A Secretaria Municipal de Saúde de Joinville havia identificado no mês de janeiro um paciente com sintomas sugestivos de síndrome gripal com alguns sinais de agravamento.

Como o morador de Joinville havia vindo de Manaus, foi feita a notificação e deflagradas medidas, como a coleta de uma amostra para identificação da presença no novo coronavírus. Além disso, também foi feito o rastreamento dos contatos deste paciente, bem como o isolamento do mesmo no hospital.

A partir desse material coletado, que veio inicialmente positivo no PCR realizado no Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública), foi encaminhada uma amostra para a Fiocruz, no Rio de Janeiro. Veio, então, a confirmação da nova variante (veja abaixo).

Resultados preliminares de um estudo brasileiro indicou um aumento na detecção da variante P.1 – Foto: Divulgação/Fotos Públicas/NDResultados preliminares de um estudo brasileiro indicou um aumento na detecção da variante P.1 – Foto: Divulgação/Fotos Públicas/ND

Variante P.1, linhagem B.1.1.28 – Manaus/ Amazonas

Em dezembro de 2020 foi apresentada uma nova variante do SARS-CoV-2, a B.1.1.28, identificada pelo Japão, com origem em Manaus, em quatro viajantes vindos do Brasil. Essa variante possui 12 mutações na proteína spike, que podem afetar a transmissibilidade e a resposta imune do hospedeiro.

Resultados preliminares de um estudo brasileiro indicou um aumento na detecção da variante P.1, linhagem B1.1.28 em Manaus, responsável por 52,2% (n = 35/67) dos casos detectados de SARS-CoV-2 em dezembro. Em janeiro de 2021, essa proporção aumentou para 85,4% (n = 41/48).

As principais mutações ocorrem na região que codifica a proteína da espícula viral (S=”Spike”). Mutações na spike, envolvida na ligação ao receptor celular ACE2, tem maior potencial para alterar algumas das propriedades biológicas do vírus, portanto essas mutações têm sido as mais investigadas.

Uma das principais preocupações é o impacto dessas mutações sobre o desempenho dos testes em uso até o momento.

Diante do cenário descrito acima, a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SC) e LACEN/SC, da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES/SC) orientam:

  • Na avaliação de casos suspeitos de COVID-19 deve ser investigado o histórico de viagens recentes do indivíduo sintomático ou contatos próximos (últimos 30 dias) para as seguintes regiões: ÁFRICA DO SUL, REINO UNIDO e REGIÃO NORTE DO BRASIL (Tocantins, Pará, Amapá, Roraima, Amazonas, Acre, e Rondônia).
  • Os casos que se enquadrarem na definição acima deverão ser notificados.
  • Deverá ser realizada a coleta do exame RT-PCR de secreção nasofaringe (swab nasal) do caso suspeito para confirmação diagnóstica; para os casos graves, realizar preferencialmente a coleta de secreção traqueal ou lavado bronco alveolar.
  • A coleta deverá ser enviada obrigatoriamente ao LACEN/SC para posterior
    encaminhamento ao laboratório de referência para detecção de possíveis variantes por meio de sequenciamento viral.
  • A coleta deste material deve ser feita em momento oportuno (entre 3º e 7º dia do início dos sintomas para casos leves e moderados) e para os casos graves seguir as orientações do manual para COVID-19 e os padrões de qualidade e segurança orientados.

*Contribuiu Felipe Vecchio

Acesse e receba notícias de Joinville e região pelo WhatsApp do ND+

Entre no grupo
+

Saúde