Anvisa: não há evidências de falta de medicamentos por causa do coronavírus

Anvisa está em contato com empresas que detêm registros de medicamentos para agir rapidamente em casos de desabastecimentos

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afirmou que não há “evidências” de que os estoques de medicamentos no Brasil estejam sob risco “iminente” de desabastecimento por prejuízos causados pelo novo coronavírus na cadeia produtiva da indústria farmacêutica.

Anvisa pretende agir rapidamente em casos de possíveis desabastecimentos. – Foto: Arquivo/Agência Brasil/Divulgação/NDAnvisa pretende agir rapidamente em casos de possíveis desabastecimentos. – Foto: Arquivo/Agência Brasil/Divulgação/ND

Santa Catarina, inclusive, possui 54 casos suspeitos do novo coronavírus. O número foi atualizado nesta quinta-feira (5), pela secretaria de Saúde do Estado. Na quarta (4), no entanto, havia registro de 46 casos suspeitos.

A Anvisa disse que está em contato com empresas que detêm registros de medicamentos no Brasil. A ideia é agir rapidamente em casos de possíveis desabastecimentos. “Todas as associações representativas da indústria farmacêutica já foram contatadas pela Anvisa para o envio de dados sobre estoque de medicamentos e eventuais riscos de desabastecimento”, declarou a agência, em nota à imprensa.

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O avanço do novo coronavírus ligou o alerta na indústria e em governos por possíveis interrupções do fornecimento de medicamentos ou de insumos para a produção de remédios, especialmente vindos da China e Índia. Mais de 90% dos IFAs (Insumos Farmacêuticos Ativos) usados no Brasil são importados, sendo boa parte destes países.

Aumento na procura

Além disso, a confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil, no fim de fevereiro, fez com que a procura por máscaras cirúrgicas aumentasse em Santa Catarina. Em cidades como Joinville, houve registro de lojas com estoque zerado e aumento considerável no valor do produto.

Com o aumento de casos suspeitos no país, o Ministério da Saúde intensificou os trabalhos para garantir a importação de imunoglobulina, medicamento usado para melhorar a imunidade de pacientes de diversas doenças, como casos graves do coronavírus.

Reuniões com a indústria

A Anvisa se reuniu na quarta-feira com representantes da indústria farmacêutica para confirmar que não há risco “iminente” de falta de medicamento. “Como encaminhamento, foi definido que as associações manterão canal aberto com a Anvisa sobre a real situação dos estoques das empresas, a fim de evitarmos um potencial risco de desabastecimento de medicamentos no Brasil”, afirma a agência.

O órgão afirma que, se preciso, adotará medidas de para atender casos específicos de falta de medicamentos ou insumos para a produção. “Portanto, a Anvisa adotará medidas de otimização regulatória para atender casos específicos, mantendo a qualidade, segurança e eficácia dos produtos, e, em eventual hipótese de desabastecimento em razão da epidemia de Coronavírus, poderá tomar as devidas providências.”

A agência definiu, além disso, que editará uma resolução para “racionalizar” certificações exigidas para registros de medicamentos e produtos para a saúde no Brasil, prevendo demanda pelo coronavírus.

Como o Broadcast/Estadão mostrou, por sua vez, a indústria de medicamentos afirma que não teve a cadeia produtiva impactada pelo novo coronavírus, mas a situação “preocupa”. As entidades dizem ter ligado o alerta para a possibilidade de insumos para produção ou pressão sobre preços.

“As nossas associadas, e quase todas as empresas do setor, estão obviamente fazendo mapeamento dos seus estoques e checando como o fornecimento pode ser afetado. É lógico que a preocupação é grande, mas não posso dizer pontualmente quais seriam os ativos (prejudicados)”, disse a presidente da ProGenéricos, Telma Salles.

“O que preocupa é uma corrida às farmácias por notícias de suposto desabastecimento. Aí vai ter mesmo uma falta de medicamentos”, afirmou o presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), Nelson Mussolini.

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