Diretor do Instituto Butatan contradiz Pazuello na CPI da Covid

Dimas Covas apontou nesta quinta-feira (27) empecilhos à compra da vacina e envio de matéria-prima

O diretor do Instituto Butatan, Dimas Covas, falou nesta quinta-feira (27), à CPI da Covid, no Senado. Por cerca de seis horas ele abordou diferentes questões sobre a pandemia, contradisse afirmações do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Com informações do R7.

Diretor do Instituto Butatan contradiz Pazuello na CPI da Covid- Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado/NDDiretor do Instituto Butatan contradiz Pazuello na CPI da Covid- Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado/ND

Covas apontou a falta de uma coordenação nacional para medidas não farmacológicas, como o uso de máscaras ou a prática do isolamento social, como um dos motivos para o avanço da pandemia.

O diretor também fez previsões. Entre elas está a possibilidade de um recrudescimento nas próximas semanas, a necessidade de reforços anuais na vacinação e a estimativa de entrega de 40 milhões de doses da ButanVac, a nova vacina desenvolvida pelo instituto, ainda em 2021.

Coronavac

Covas avaliou que o Brasil poderia ter sido o primeiro país do mundo a iniciar a vacinação e que em julho o Instituto Butantan enviou ao Ministério da Saúde uma sugestão de contrato para a entrega de 60 milhões de doses até dezembro do ano passado. O pedido não teve resposta, segundo o diretor do Butantan.

À época, a vacina ainda não tinha o uso aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o que só ocorreria em janeiro. No entanto, as intenções de compra já eram negociadas, o que também ocorreu em relação à Pfizer e a AstraZeneca – sendo esta última a primeira a ter contrato fechado, em agosto. 

As negociações para a compra da CoronaVac pelo governo federal para distribuição para todo o país foram retomadas posteriormente, e, em outubro, o instituto ofertou 100 milhões de doses a serem entregues até maio.

Segundo Covas, o governo oficializou a intenção de compra no dia 19 de outubro e, no dia 20, tudo foi suspenso após o presidente Jair Bolsonaro afirmar que não compraria vacina chinesa. Ainda naquela oportunidade, o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse em vídeo publicado nas redes sociais: “um manda, outro obedece”. 

“Infelizmente, essas conversações não prosseguiram, porque houve, sim, aí, uma manifestação do presidente da República, naquele momento, dizendo que a vacina não seria, de fato, incorporada, não haveria o progresso desse processo”, afirmou Dimas à CPI.

As afirmações contradizem a fala de Pazuello à CPI, de que não houve ingerência para a não contratação da vacina do Butantan.  O contrato acabou fechado apenas em janeiro de 2021, com uma dose menor que a prevista inicialmente – 46 milhões.

Vacinação todos os anos

O diretor do Butantan, Dimas Covas, afirmou nesta quinta-feira (27), à CPI da Covid, entender que serão necessárias doses de reforço anuais na vacinação contra o novo coronavírus. 

“Na minha percepção, como cientista, como médico, tudo indica que haverá necessidade de doses anuais, de reforço, como é a da vacina da gripe, dado que essa infecção tem a possibilidade de se tornar endêmica tudo indica que isso vai acontecer”, afirmou.

“Algumas companhias já estão trabalhando na possibilidade dessa terceira dose, inclusive o Butantan, que desenvolve estudos para ter o reforço vacinal pelo menos uma vez ao ano”, complementou.

Dimas Covas enfatizou que a estratégia será necessária para todas as vacinas “não só em relação à duração da imunidade, mas também em relação às variantes, que colocam dificuldade maior para as vacinas.”

“A própria Pfizer já está estudando uma dose de reforço. O Butantan já tem estudos previstos em andamento com a dose de reforço”, relatou.

A necessidade deverá se dar em razão da tendência de o vírus se tornar endêmico, ou seja, presente de forma permanente. Com as mutações que vão ocorrendo ao longo do tempo, seriam necessárias também atualizações da vacina por meio de uma dose de reforço.

Ele avaliou que não será necessária uma vacina inteiramente nova, o que facilita o trabalho dos laboratórios farmacêuticos.

Veja na íntegra a CPI desta quinta-feira:

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Saúde

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