Após cortes do governo, pacientes com câncer em SC terão tratamentos interrompidos

Serviço de Medicina Nuclear do Instituto de Cardiologia não terá disponível insumos radioativos a partir de 27 de setembro

Os tratamentos e diagnósticos de câncer poderão ser interrompidos em breve em Santa Catarina. O motivo é a paralisação por tempo indeterminado da produção de radiofármacos e radioisótopos pelo Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), medida realizada nesta segunda-feira (20) após cortes do governo federal.

Falta de insumos prejudica pacientes em tratamento de câncer em SC  – Foto: Divulgação/Agência Brasil/NDFalta de insumos prejudica pacientes em tratamento de câncer em SC  – Foto: Divulgação/Agência Brasil/ND

A SES (Secretaria de Estado da Saúde) disse, em nota, que o ICSC (Serviço de Medicina Nuclear do Instituto de Cardiologia) não terá disponível os insumos radioativos para desempenhar suas atividades a partir de 27 de setembro.

“Os estoques são semanais. O impacto com a suspensão do fornecimento do IPEN é de aproximadamente 16 a 20 exames semanais de Cintilografias Cardíacas e uma média de seis pacientes por semana para Iodoterapia”, diz o texto.

O Ipen fornece 25 tipos de radiofármacos aos laboratórios e hospitais do país, responsável por cerca de 85% da produção nacional, o que impacta cerca de 2 milhões de pessoas, de acordo com a SBMN (Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear).

Para seguir com a fabricação dos insumos até o fim deste ano, são necessários repasses de R$ 89,7 milhões, por conta da alta do preço do dólar na importação.

No último ano, a verba repassada ao Ipen foi de R$ 165 milhões. Até agosto deste ano, o instituto recebeu pouco mais de R$ 91 milhões. O governo federal reduziu a verba em 46% em 2021.

Confira a nota da SES na íntegra

A Secretaria de Estado da Saúde de SC (SES/SC) informa que a partir de 27 de setembro de 2021, o Serviço de Medicina Nuclear do Instituto de Cardiologia de SC (ICSC), não terá disponível os insumos radioativos para desempenhar suas atividades, tanto de diagnósticos como as cintilografias e de tratamento como é o caso da Iodoterapia para o câncer de tireoide.

Isso se deve ao fato de o Instituto de Pesquisa em Energia Nuclear (IPEN), único produtor nacional de insumos radioativos, ter suspendido as suas atividades, devido a inexistência de verba orçamentária para aquisição dos insumos, conforme ofício n° 97/2021-DIPEN/IPEN. Salientamos que tramita um Projeto de Lei do Congresso Nacional n°. 16 que solicita a autorização de recursos orçamentários para a manutenção e produção de radiofármacos

Os estoques são semanais. O impacto com a suspensão do fornecimento do IPEN é de aproximadamente 16 a 20 exames semanais de Cintilografias Cardíacas e uma média de seis pacientes por semana para Iodoterapia.

A SES ainda informa que o serviço retornará às atividades quando o IPEN regularizar a questão orçamentária e consequentemente a produção, porém sem data prevista.

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