Após depoimento, ministro da CGU passa a ser investigado na CPI da Covid

Sessão de depoimento gerou bate-boca entre políticos, com direito a acusação de machismo nas palavras de Wagner Rosário

O ministro da CGU (Controladoria Geral da União), Wagner Rosário, prestou depoimento a CPI da Covid, nesta terça-feira (21), e agora passa a ser investigado pela Comissão, após chamar a senadora Simone Tebet (MDB-MS) de ‘descontrolada’.

Ministro prestou esclarecimentos nesta terça-feira – Foto: Pedro França/Agência Senado/Divulgação/NDMinistro prestou esclarecimentos nesta terça-feira – Foto: Pedro França/Agência Senado/Divulgação/ND

Na ocasião, a senadora falava sobre as afirmações do ministro em uma entrevista coletiva sobre as notas fiscais internacionais da empresa Precisa Medicamentos, no âmbito do contrato com o governo para venda de 20 milhões de doses da vacina Covaxin.

Bate-boca

A postura do ministro em relação à senadora irritou os parlamentares, que o acusaram de machismo. Um bate-boca intenso foi iniciado, e parlamentares da CPI chegaram a pedir a prisão do ministro. O senador Otto Alencar (PSD-BA) o chamou de ‘moleque’.

A confusão começou depois que o ministro respondeu Tebet, dizendo que ela deveria reler os documentos que haviam sido expostos por ela. Dentre os documentos, um deles mostrava que servidores da CGU alertaram sobre problemas na importação da Covaxin, como a tentativa de pagamento antecipado.

“Bem, senadora, com todo respeito à senhora, eu recomendo que a senhora lesse tudo de novo, porque a senhora falou uma série de inverdades aqui”, disse Rosário.

“Não faça isso. O senhor pode dizer que eu falei inverdades, mas não me peça para fazer algo, porque eu sou senadora da República”. O ministro insistiu. “Releia. A senhora me chamou de engavetador, falou o que quis”. Em seguida, Tebet afirmou que ele estava se comportando como um ‘menino mimado’.

“Não me chame de menino mimado, eu não lhe agredi. A senhora está totalmente descontrolada”, rebateu o ministro. A partir do momento, diversos senadores começaram a falar ao mesmo tempo, chamando-o de machista. Um dos advogados do ministro se aproximou do presidente Omar Aziz (PSD-AM), logo após ele anunciar que a sessão estava suspensa por 10 minutos, e falou algo que não foi possível identificar.

“Saia de perto de mim. Não lhe dou o direito de vir aqui, não”, gritou Aziz. Em seguida, o senador Otto Alencar se levantou e se aproximou de Rosário, apontando o dedo. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE) afastou Otto e o senador Rogério Carvalho (PT-SE).

A sessão foi suspensa por 10 minutos pelo presidente Omar Aziz. Depois de retomada a reunião, Aziz pediu para que Wagner passe a constar no relatório como investigado e encerrou os trabalhos do dia na CPI.

Depoimento e expectativa

O ministro da CGU (Controladoria-Geral da União), Wagner Rosário, prestou depoimento nesta terça-feira (21) na CPI da Covid, no Senado.

Os parlamentares visam mais esclarecimentos sobre uma suposta prevaricação da CGU diante de negociações irregulares no Ministério da Saúde. A convocação de Rosário atende ao requerimento do senador Eduardo Girão (Podemos-CE), que foi aprovado desde junho pela CPI.

O pedido de inclusão do ministro Wagner Rosário veio depois que Marconny Albernaz de Faria disse em depoimento que a CGU havia participado ao lado da PF (Polícia Federal) de uma operação no Pará que teve ele como alvo em 2020.

Confira o depoimento na íntegra:

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Saúde

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