As histórias emocionantes de quem se recuperou da Covid-19 em Joinville

Recuperados após semanas intubados e internados, eles têm um só desejo "viver a vida"

Foram 85 dias no hospital, 55 deles intubado e uma nova chance de viver. “Agora eu penso em muitas coisas. Trabalhei a minha vida inteira e agora, daqui para frente, quando melhorar bem, vamos fazer tudo o que queremos. Eu e minha esposa que cuidou tanto de mim. Vamos viajar, viver a vida, aproveitar a vida. É só isso que quero”. O desejo é de Ademar de Cordova depois de passar quase três meses internado em uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) tratando todas as consequências da Covid-19, em Joinville, Norte de Santa Catarina.

Depois de 85 dias internado, Ademar de Cordova agradece a dedicação dos profissionais – Foto: Gladionor Ramos/NDTVDepois de 85 dias internado, Ademar de Cordova agradece a dedicação dos profissionais – Foto: Gladionor Ramos/NDTV

As memórias são confusas, afinal, foram 55 dias sedado, intubado e sem consciência do que se passava à sua volta. Ademar recorda de ter feito o teste e depois do resultado tudo se tornou confuso. “Eu fui para a UPA Leste, fui examinado e depois disso, minha mente apagou algumas coisas. Da UPA me encaminharam para o Regional, onde fui direto para a UTI e, então, só lembro dos últimos três ou quatro dias, quando já estava no quarto. Eu saí no dia de Natal”, fala.

Foram dias difíceis para a família, que passou três meses com a angústia de vê-lo inconsciente e com poucas perspectivas. “A previsão dos médicos era de que eu não iria resistir. Todos que entraram comigo naquele período foram a óbito, só eu que não. Eu tive apoio divino e de muitos anjos na terra, minha mulher é meu anjo na terra”, diz.

As sequelas ainda o acompanham, mas a evolução o deixa animado. “A previsão era para não resistir e 30 dias depois de sair da UTI eu estava caminhando sozinho”, comemora. Além do apoio da família e dos amigos, Ademar ressalta a dedicação dos profissionais de saúde. Ele lembra que deu trabalho, mas a insistência, o carinho e o respeito de todos foram fundamentais para o tratamento. “Eu dei trabalho, briguei, rasguei tudo, não queria ser intubado, mas a dedicação dos funcionários dá gosto de ver e eles me ajudaram a estar aqui hoje”, recorda.

Se recuperando aos poucos, três meses depois de receber alta, ele reforça o pedido para que todos se cuidem e valorizem a saúde. “Eu era um cara que não dava muita bola, mas pensem na saúde, no bem-estar e em amar muito o seu próximo. Aprendi que não somos ninguém”, finaliza.

“Não tive nem tempo de sentir medo”

“Eu não tive tempo para sentir medo, foi tudo muito rápido”. Um teste na unidade de saúde, o transporte de ambulância até a UPA Leste e, de lá, para o Hospital Bethesda e, por fim, o Hospital Municipal São José. Tudo aconteceu quase do dia para a noite, mas os 23 dias intubado pareceram uma eternidade para Julio Cavalheiro e para a companheira, Renate Cavalheiro.

“Tive muito medo de ele não voltar mais. O médico não deu esperança nenhuma, mas Deus é tão bom, que ele melhorou”, fala Renate.

O diagnóstico da Covid-19 abalou a família, que acompanhou com angústia a evolução do quadro de Julio, que já recebeu a primeira dose da vacina.

Renate acompanhou com angústia a luta de Julio e agora o casal só quer “viver a vida” – Foto: Gladionor Ramos/NDTVRenate acompanhou com angústia a luta de Julio e agora o casal só quer “viver a vida” – Foto: Gladionor Ramos/NDTV

“Eu não via nada, não sabia de mais nada, ela que sofreu. Sou casado há 46 anos e ela ficou quase maluca. Bati na trave, escapei barato e graças a Deus estou aqui para valorizar a vida, a família e os verdadeiros amigos”, diz.

O casal superou a Covid-19 e já sabe o que quer do futuro. “Agradecemos todos os dias e agora pensamos em morar na praia e curtir a vida. Trabalhamos a vida toda e agora é agradecer que ele está de volta e viver a vida. Eu peço para que todos se cuidem porque isso não é brincadeira. Quando aconteceu com ele, eu senti muito medo, foi um mês que eu não vivi. Não via passar o dia, a hora passar. Ninguém deveria passar por isso”, fala a esposa.

Julio faz o mesmo apelo. “Quem já passou por isso pode falar, é complicado demais e eu peço a Deus para que se cuidem e não peguem. Não são só os mais velhos, não. Tem que acabar com isso de fazer festa. Isso custa caro”, finaliza.

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