Aulas híbridas e falta de rotina: o desafio das crianças autistas na pandemia

Especialistas explicam que o autismo se manifesta principalmente nos comportamentos de interação social; por isso, manter a regularidade na escola é importante

Faz três meses que as escolas municipais de Joinville trabalham com sistema híbrido de ensino. Essa adaptação à pandemia, no entanto, tem sido bastante desafiadora para os alunos diagnosticados com autismo.

Na véspera do Dia do Orgulho Autista, que acontece nesta sexta-feira (18), a reportagem do ND+ traz a história de Vanessa Keli Pereira Alves, mãe da menina Luna, de 4 anos, que diariamente dribla os obstáculos causados pela falta de rotina escolar.

Isso porque, como medida de contenção da Covid-19, há intercalação semanal entre ensino presencial e remoto.

Vanessa e a filha Luna precisam driblar os desafios causados pela falta de rotinaVanessa e a filha Luna precisam driblar os desafios causados pela falta de rotina – Foto: Reprodução/NDTV

Segundo a psicóloga Ana Carolina Wolff Mota, em entrevista ao Balanço Geral Joinville desta quarta-feira (16), esses meninos e meninas geralmente não gostam de surpresas e demonstram irritabilidade quando elas acontecem. Na pandemia, essa tem sido uma constante.

“O autista não pode quebrar rotina. Ele tem que ter a rotina dele de segunda a segunda”, comenta Vanessa. “Então, numa semana, a Luna vai para a escolinha. Na segunda, é difícil, que é o primeiro dia, mas terça ela já vai no embalo”.

Depois do final de semana, no entanto, ela espera voltar à escola. “Chega na segunda e o que ela está esperando? Ir para a escolinha. E não vai. Ela já começa a ficar agitada”, completa. “Quando a Luna quebra a rotina dela, ela fica muito acelerada, não se concentra. Ela fica irritada se eu insisto em tentar trabalhar com ela, brincar de massinha”.

Laudo não atendido

Luna faz acompanhamento com um neurologista, que teria recomendado que a criança não quebrasse a rotina para não sofrer com alterações de comportamento e de aprendizado. O laudo foi apresentado à escola, mas não teria sido atendido.

O psiquiatra de Luna orientou que fosse mantinha uma rotina na escolaO psiquiatra de Luna orientou que fosse mantinha uma rotina na escola – Foto: Reprodução/NDTV

Segundo a psicóloga Ana Carolina, o autismo se manifesta principalmente nos comportamentos de interação social. Por isso, manter a regularidade na escola seria tão importante.

As crianças, segundo ela, costumam reproduzir os comportamentos das outras. Aprendem em conjunto como se comportar em filas, no parquinho, nas brincadeiras coletivas.

“Tudo isso são oportunidades de aprendizagem, portanto, de desenvolvimento para a criança com autismo”, comenta Ana. “Não ter essas experiências de forma regular pode significar um prejuízo bem importante em termos de oportunidade de aprendizagem”, complementa.

Aulas em Joinville

A retomada das aulas em Joinville aconteceu em 8 de fevereiro em modelo híbrido. Ou seja: em uma semana metade da turma tem aula presencial, enquanto o restante continua com as atividades online. Na semana seguinte, é feita a troca.

Além do escalonamento, outras medidas foram tomadas para diminuir os riscos de transmissão pela Covid-19.

Entre elas, está na maneira como a merenda escolar será distribuída, de forma individual. Já os bebedouros são usados somente para abastecer garrafas individuais.

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