Avó é barriga solidária da própria neta, em Florianópolis; conheça história

A barriga solidária, ou útero de substituição, é um dos tratamentos feitos por mulheres que não conseguem engravidar por problemas de saúde

A professora Rosicléia de Abreu Carlsem, de 59 anos, foi barriga solidária para a própria filha, Ingrid Carlsem, de 29 anos, após a jovem ter problemas de saúde que impossibilitaram a gravidez. A bebê, Maria Clara, nasceu nesta quinta-feira (19), em Florianópolis.

Mãe foi barriga solidária de filha – Foto: Ingrid Carlsem/Divulgação/NDMãe foi barriga solidária de filha – Foto: Ingrid Carlsem/Divulgação/ND

A barriga solidária, ou útero de substituição, é um dos tratamentos feitos por mulheres que não conseguem engravidar por problemas de saúde. E foi nessa possibilidade que a técnica de enfermagem, Ingrid Carlsem, viu a chance de realizar seu sonho de ser mãe.

Trombofilia fez Ingrid optar pela barriga solidária

Em 2014, Ingrid desenvolveu uma condição chamada “trombofilia” – que é uma embolia pulmonar e uma trombose venosa profunda por possuir maior facilidade para formar coágulos de sangue.

Ela ficou com sequelas na perna esquerda e corria o risco de amputá-la. Por esse motivo, teve que passar por uma angioplastia em 2016, e recebeu dois stentes para desobstruir as veias do local afetado.

Devido a isso, os médicos a desaconselharam a ter filhos. “Se você tentar, você vai morrer”, sentenciaram.

Como a ideia de ser barriga solidária surgiu

A conversa entre mãe e filha sobre a barriga solidária ocorreu anos antes de Ingrid ter descoberto a doença. Depois de ter assistido a uma reportagem na televisão, onde a sogra gerava a neta para sua nora, Ingrid perguntou a Rosicléia: “mãe, você faria isso por mim se um dia eu precisasse?”. Em resposta, ela afirmou: “claro que sim!”.

“Então estamos conversadas, se um dia eu necessitar já sabemos como proceder”, relembra Ingrid. “Uma mãe se doa de corpo e alma para uma filha. Sinto-me grata e honrada em exercer esse papel tão importante que é gerar uma nova vida, minha neta”, ressalta Rosicléia.

Ingrid e Rosicléia fizeram uma vaquinha online devido ao alto custo do procedimento de fertilização in vitro. “Nós somos de família humilde, e sem a solidariedade de amigos, familiares e equipe médica, nada seria possível”, conta Ingrid. Além da vaquinha, mãe e filha realizaram também uma rifa, e confeccionaram máscaras de tecido para agregar no valor. “Tudo com muita honestidade e perseverança”, afirma a técnica de enfermagem.

O nascimento

O parto aconteceu nesta quinta-feira (19), em Florianópolis. Maria Clara nasceu às 10h56. Veio ao mundo com 37 semanas e 3 dias, medindo 49 cm e pesando 3 quilos e 310 gramas.

O nome Maria é uma homenagem à avó e à bisavó materna, que possuíam esse nome, e Clara, por ser luz para toda a família, conta Ingrid. Aliás, Rosicléia ficou órfã de mãe aos 13 anos. Foi criada por outra Maria, a avó dela. E depois de 40 anos, Rosicléia pariu uma outra Maria, sua neta.

“O gesto da minha mãe foi de grandeza, de uma mulher nobre, talvez mesmo eu tentando mencionar ou descrever em palavras, jamais conseguirei especificar o quão valiosa ela é para mim”, ressalta Ingrid.

Rosicléia também salienta que, para Ingrid, ter um filho, foi a realização de um sonho de menina, que lutou, superou a morte e é uma mulher, uma mãe que com certeza dará tudo de si para que Maria Clara seja muito feliz e amada.

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