Cirurgião plástico esclarece dúvidas sobre 2ª cirurgia facial mais realizada pelos brasileiros

Busca por procedimento cirúrgico do nariz dispara no Brasil; pacientes combinam desejo estético com necessidade funcional do sistema respiratório

A busca pelo nariz perfeito, inclusive, é assunto recorrente na internet – Foto: DivulgaçãoA busca pelo nariz perfeito, inclusive, é assunto recorrente na internet – Foto: Divulgação

Dados divulgados pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS, na sigla em inglês) apontam que o Brasil, ainda em 2020, superou os Estados Unidos e se tornou o país que mais realiza cirurgias plásticas na região da face. Entre os destaques desta pesquisa, está a rinoplastia, que foi o segundo procedimento mais realizado no país, ficando atrás somente da cirurgia de pálpebra (blefaroplastia).

Nesse período, foram realizados quase 88 mil procedimentos que serviram para remodelar e corrigir a estrutura nasal de milhares de pacientes, seja para melhorar a parte estética, seja para otimizar a função respiratória, ou até mesmo as duas necessidades ao mesmo tempo.

A busca pelo nariz perfeito, inclusive, é assunto recorrente na internet. A ferramenta Google Trends, por exemplo, já chegou a contabilizar um aumento de 4.800% nas buscas pelo termo “rinoplastia”. Para o cirurgião plástico Ivan Dellandréa, esse tipo de interesse é justificado pelo fato de que a sociedade está cada vez mais “conectada” e integrada às redes sociais e às telas digitais de maneira geral.

Comportamento que foi potencializado em consequência da pandemia do corona vírus, que obrigou a criação de políticas de isolamento e de distanciamento social, o que estimulou a execução das mais diversas atividades de forma remota, com o auxílio de dispositivos eletrônicos.

“Nos últimos dois anos, a maioria das pessoas ficou mais tempo em frente às telas, trabalhou e conversou com amigos e familiares por meio de aplicativos de vídeo chamada, aumentando, assim, a exposição da própria imagem. Além disso, com o aumento de pessoas nas redes sociais, o número de fotografias, principalmente, de selfies, também cresceu, assim como o uso de filtros de edição. Logo, houve maior preocupação em relação à beleza do rosto, em especial, a do nariz”, opina Dellandréa.

Doutor Ivan Dellandréa, cirurgião plástico – Foto: DivulgaçãoDoutor Ivan Dellandréa, cirurgião plástico – Foto: Divulgação

Segundo o médico, outro fator determinante para a alta procura por esse tipo de procedimento é a evolução das técnicas utilizadas na cirurgia, que, cada vez mais modernas, garantem um resultado satisfatório capaz de melhorar a autoestima e asseguram a discrição da operação.

“A recuperação se tornou mais rápida. E quando a cirurgia é bem realizada, as outras pessoas nem percebem que foi feita uma plástica. Isso, com certeza, faz com que a rinoplastia seja mais atrativa atualmente”, afirma o cirurgião plástico.

Para corrigir um desvio de septo que interferia na função respiratória, a arquiteta Ana Carolina Lacerda, de 27 anos, precisou ser operada há dois anos. Ela também se incomodava com o formato do próprio nariz, por considerá-lo, até então, “torto” e, por isso, aproveitou a ocasião para fazer a rinoplastia. A jovem relata que criou coragem para operar ao descobrir que poderia sanar as duas queixas no mesmo dia.

“A rinoplastia consertou meu nariz. Deixou-o retinho. Mas a minha saúde falou mais alto. Minha narina esquerda era obstruída por conta do desvio que era bem acentuado. A cirurgia resolveu esse problema. Eu gostei muito e não me arrependo. Até porque, eu vejo, hoje, o meu rosto mais harmônico e também passei a respirar melhor”, conta Larcerda.

Septo nasal é como uma “parede”, constituída por osso, cartilagem e mucosas, que separa as duas narinas. Ele precisa estar situado bem no centro do nariz para não trazer eventuais complicações ao sistema respiratório. Quando esse septo não está reto, é porque há algum tipo de desvio. Tal alteração pode ser um distúrbio congênito ou se manifestar durante o desenvolvimento dos ossos da face, ainda na infância, ou resultar de cirurgias, processos inflamatórios e traumatismos.

De acordo com o cirurgião plástico Ivan Dellandréa, esse perfil de paciente, que sofre de desvio de septo e aproveita para corrigi-lo simultaneamente com o procedimento estético de remodelagem do nariz, tem aumentado.

“Nesse caso se faz todo o procedimento de uma vez só, ou seja, tanto a parte estética quanto a parte funcional. Desta forma, o paciente se beneficia pois acaba enfrentando apenas um momento de internação e um só período de recuperação”, destaca.

Quando a rinoplastia é contraindicada?

Ainda de acordo com Dellandréa, nem toda pessoa insatisfeita com a estética nasal é candidata a fazer uma rinoplastia. O interessado terá de se consultar primeiro com um especialista e realizar exames clínicos específicos para averiguar se está apto. Pessoas com doenças crônicas descompensadas (pressão alta não controlada, diabetes descompensado) não devem se submeter a um procedimento dessa natureza e nem a outra cirurgia programada.

“A adolescência é uma fase marcada por diversas mudanças corporais, que interferem diretamente na autoestima dos jovens. Deve-se levar em conta que até os 15 anos, a parte crânio-maxilo-facial ainda está em desenvolvimento. E o nariz é o centro do crescimento facial. A partir desta idade, já há uma estabilização. Os pais devem estar envolvidos na decisão do jovem, já que a adolescência é um período complicado. Mas se esse jovem sofrer um trauma que afete o nariz, a cirurgia é indicada independentemente da idade”, salienta Ivan Dellandréa.

Cuidado com as referências da internet

Quando a motivação é de caráter exclusivamente estético, boa parte dos pacientes costumam buscar exemplos de pessoas famosas que fizeram rinoplastia. Celebridades são usadas como referências, o que leva muitos pacientes a tentarem reproduzir o mesmo formato de nariz de um ídolo, de uma influenciadora digital ou de uma atriz ou de um cantor, por exemplo.

Doutor Ivan Dellandréa, cirurgião plástico – Foto: DivulgaçãoDoutor Ivan Dellandréa, cirurgião plástico – Foto: Divulgação

Entretanto, o médico Ivan Dellandréa alerta que cada nariz tem a sua peculiaridade e, portanto, o paciente precisa entender isso para não se frustrar.

“Costumo dizer que a internet representa uma vida paralela, onde nem sempre se mostra a realidade. Temos que ter cuidado com fotos manipuladas. Uma pequena mudança no ângulo da câmera já pode mostrar um nariz diferente na mesma pessoa. Quem quer fazer uma rinoplastia tem que levar em consideração que cada nariz é único e que seu resultado será dentro das características do seu rosto. As referências, claro, podem ajudar, mas o paciente, ou a paciente, tem que estar ciente que o resultado é individual”, pontua.

O que esperar do pós-operatório?

Ao contrário do que a maioria pode imaginar, geralmente, os pacientes não se queixam tanto de dor após a rinoplastia nem costumam depender de analgésicos por mais de três dias. Contudo, apresentam certa dificuldade respiratória nas primeira semanas, pois é normal haver congestão nasal nesse período.

Os pontos são retirados depois de, pelo menos, sete dias, mas o inchaço da região operada pode durar cerca de seis semanas. Além disso, esforços físicos devem ser evitados nas duas semanas iniciais. Porém, dependendo da particularidade da cirurgia, o retorno ao trabalho pode ser antecipado ou postergado.

O uso de óculos também não é recomendado durante os 45 dias seguintes e, nesse mesmo intervalo de tempo, o paciente não pode se expor ao sol, pois poderá contrair manchas na região operada bem como comprometer o processo de cicatrização. Por isso, praias e piscinas estão proibidas até que haja liberação médica. Outra informação importante: se houver o enxerto de cartilagem da ponta do nariz, o resultado final deve levar em torno de seis meses a um ano para, de fato, ser alcançado e se tornar integralmente visível.

Um pós-operatório descuidado pode implicar sangramento, ruptura de pequenos vasos sanguíneos, infecções ou até mesmo a necessidade de uma nova intervenção cirúrgica.

Técnicas de rinoplastia

Correção de assimetrias ou do dorso do nariz e a redefinição da ponta do órgão estão entre os objetivos de quem busca esse tipo de procedimento. A pedido do portal ND+, o cirurgião plástico Ivan Dellandréa detalha abaixo as principais técnicas de rinoplastia adotadas atualmente pelo mercado:

  • Estruturada – modifica a estética e a estrutura interna. A técnica não é nova, mas, dentre outros benefícios, chama a atenção por ajudar a conservar, ao máximo, o resultado da intervenção, ao longo do tempo —;minimizando interferências que, em certos casos, podem alterar a aparência do nariz. Essas possíveis interferências vão desde a fisiologia do processo de cicatrização até o próprio envelhecimento.
  • Reparadora – procedimento ideal para reparação de algum dano causado ao nariz em decorrência de algum acidente, trauma ou doença.
  • Rinomodelação – também chamada de bioplastia nasal; é uma técnica de preenchimento do nariz com produtos absorvíveis que visa corrigir imperfeições do contorno nasal, ou mesmo corrigir defeitos de rinoplastia anteriores. Em outras palavras, trata-se de uma solução não-cirúrgica.

Segundo  Dellandréa, não é, naturalmente, a decisão mais viável para todos os problemas de formato do nariz. No entanto, permite resolver alguns casos que se prendem com problemas meramente estéticos e com a vantagem de não recorrer à cirurgia (logo, dependendo do caso, substitui a necessidade de realizar uma intervenção mais invasiva no nariz).

O valor do procedimento varia conforme a técnica escolhida pelo paciente. Além da cirurgia, outras despesas são inclusas no preço final, como: exames médicos, tempo de internação, anestesia, materiais cirúrgicos, honorários da equipe médica e medicamentos.

A importância de se buscar um médico capacitado

Antes do procedimento, o paciente deve escolher com cuidado o especialista responsável pela rinoplastia. Conversar com pessoas que já passaram por essa experiência é essencial para tomar a melhor decisão e evitar problemas futuros.

O médico Ivan Dellandréa ressalta que a rinoplastia, por se tratar de uma cirurgia complexa, é fundamental e mais seguro que seja feita por um cirurgião plástico experiente e devidamente capacitado. Ele lembra que uma pesquisa feita pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) mostra que 97% dos erros em cirurgias plásticas têm como autoria profissionais que não possuem a especialização adequada para esse tipo de operação.

Para a formação de um Cirurgião Plástico são necessários 12 anos de formação acadêmica e quatro concursos, divididos da seguinte forma: seis anos de Medicina, três de Especialização em Cirurgia Geral e mais três de Residência Médica em Cirurgia Plástica, além da última prova para especialista de em Cirurgia Plástica.

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