O amor que supera dores e dificuldades

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Independente do perfil, mãe tem algo em comum que as aproximam: o amor pelos filhos, sejam biológicos ou adotivos

Jovens, idosas, com apenas uma filha, com três, com muitos, ou grávidas do segundo filho. Mães biológicas ou adotivas. Mulheres que enfrentaram medos, superaram dores do parto, ou da perda e, incondicionalmente, amam. Maria é costureira, tem 95 anos e ficou viúva aos 38. Sozinha, criou sete filhos. Agora, tem um canal no YouTube, onde conta histórias curiosas de Florianópolis e da sua vida. Cristiane é assistente social, queria ter filhos biológicos e adotivos. Os biológicos não vieram, mas hoje ela é mãe de três meninas. Bianca é jornalista e está escrevendo a tese de doutorado. Antes da pequena Aurora, hoje com dez meses, enfrentou perdas e medos. Manoela é tatuadora e espera o segundo filho, Antônio. Diferentes histórias que se aproximam por um ingrediente em comum, o amor.

Manu, mãe da Íris, em um passeio com a filhaManoela dos Passos com sua primeira filha, Íris; agora, Manu espera a chegada de Antônio – Foto: Divulgação/ND

Bianca, do luto à aurora

Bianca Queda, 28 anos, curitibana, conheceu Adilson Costa Júnior, 27, manezinho, na faculdade. Amizade, namoro, casamento. O casal imaginava ter dois filhos: Augusto e Beatriz, mas a vida reservou grandes surpresas. Para Bianca, hoje, ser mãe, é ser forte. Em 2018, depois de uma viagem à Índia, ela aprendeu que, na cultura deles, a figura da mulher, como mãe, é muito respeitada. “No sentido espiritual, de alguém que vai trazer uma alma ao mundo”, conta. Cinco meses depois, a gravidez.

Bianca grávida do primeiro filho, AugustoBianca e Adilson na gravidez de Augusto – Foto: Divulgação/ND

“Fiquei muito feliz. Tinha certeza que era um menino. O tempo que passei com ele foi muito bom. Isso que tento guardar”, afirma Bianca. Ela perdeu o primeiro filho, Augusto, com 36 semanas de gravidez. No luto, teve ajuda da psicóloga Mariana Saloio e da família. Fez trabalho voluntário com crianças e seguiu. “Perdi o Augusto em julho de 2019, engravidei da Aurora em novembro e voltamos em dezembro para Florianópolis”, explica a mãe.

Beatriz, nome pensado para a primeira filha, virou Aurora em homenagem à médica que atendeu Bianca e disse para que ela tivesse calma, que seu bebê arco-íris chegaria. A médica tinha uma filha chamada Aurora.

A segunda gravidez de Bianca era de risco e evoluiu para altíssimo risco. “Descobri que tinha placenta prévia total, com 30 semanas. Minha placenta tinha ultrapassado o útero e invadido a bexiga. Fui para cirurgia com 5% de chance de sobrevivência”, lembra.

Aurora nasceu em 29 de junho de 2020. Bianca viu a filha rapidamente e enfrentou oito horas de cirurgia, três dias na UTI, até pegar a filha no colo novamente. Contrariando a matemática, a medicina e movida por amor, tornou-se mãe. “Realmente uma luz para mim. Tenho muita gratidão, pelo Augusto e pela Aurora”, reflete Bianca.

Bianca, mãe de Aurora, em momento feliz com sua filhaBianca e sua filha Aurora, hoje com 10 meses – Foto: Divulgação/ND

“Mãe significa eternidade”

“Cuida dela. O resto não importa”, com essas palavras, Eliane da Silva, mãe de Manoela dos Passos, se despediu da filha. Ela se referia à neta, Íris, primeira filha de Manu com o patinador Walisson Alves, de São Paulo. Tatuadora, 26 anos, Manoela é catarinense. “Foi como se ela estivesse tocando em vários assuntos e querendo dizer que nada importa, só você cuidar do seu filho e querer o melhor para ele”, conta Manu. A despedida foi em 2017, quando Íris tinha três meses.

Íris e Manu, agora grávida de AntônioManu foi mãe da Íris em novembro de 2017 e está grávida do segundo filho, Antônio, homenagem ao avô dela – Foto: Divulgação/ND

Íris não foi planejada. Suspeitando da gravidez, Manu fez teste de farmácia. Deu positivo. Ela não acreditou e fez o teste de sangue, que confirmou. “Foi um grande baque. Agarrei no Walisson. Ele me deu muito apoio e me deixou segura no que estava acontecendo em nossas vidas”, conta Manu sobre a primeira gravidez.

“A gestação em si foi bem-vinda. O primeiro momento para tentar ressignificar é mais difícil, mas depois nos adaptamos”, avalia, quatro anos depois. Manu deu à luz a Íris em novembro de 2017, com 21 anos. “Você sai de um estágio mais egoísta, onde tem que cuidar só de você e meio que perde o protagonismo da vida. Isso foi o mais difícil, sacar que posso realizar meus sonhos e vontades, mas não da forma imaginada”.

Durante uma viagem a Curitiba em 2020, Manu começou a se sentir estranha e enjoada. Resolveu comprar testes de gravidez e deu positivo. Feliz, segura, vendo Íris crescer saudável, cheia de memórias boas que a maternidade trouxe, Manoela aguarda o segundo filho, Antônio. O nome é uma homenagem ao avô dela. Para Manu, mãe significa eternidade.

Em breve, Manu será mãe de doisEm breve, Manu será mãe de dois – Foto: Divulgação/ND

Diquinha, sete filhos, 17 netos, 24 bisnetos

Texto baseado em reportagem de Marcelo Mancha, NDTV

Maria da Silva, a dona Diquinha, é manezinha da Armação. Costureira, tem 95 anos. Com a ajuda da filha mais nova, Roseli Pereira, agora está no YouTube, no canal ‘Memórias da Dona Diquinha’, onde conta os causos do passado de Florianópolis, sua história e do bairro onde nasceu e vive há quase um século.

Dona Diquinha, mãe de seteDona Diquinha, 95 anos, viúva aos 38, cuidou de sete filhos sozinha – Foto: Divulgação/ND

Maria da Silva, a dona Diquinha, é manezinha da Armação. Costureira, tem 95 anos. Com a ajuda da filha mais nova, Roseli Pereira, agora está no YouTube, no canal ‘Memórias da Dona Diquinha’, onde conta os causos do passado de Florianópolis, sua história e do bairro onde nasceu e vive há quase um século.

Diquinha casou aos 21 anos e perdeu o marido aos 38. Osvaldo Francisco da Silva, o seu Canduca, era pescador. A viúva criou os sete filhos sozinha, com algum suporte do mais velho, na época com 12 anos. Guerreira, administrou os barcos e redes da família, que cresceu. Hoje são 17 netos e 24 bisnetos.

“Ela comandou os homens em uma época com muito mais preconceito. Mas ela soube superar tudo isso com muita sabedoria”, descreve a filha Roseli.

A ideia do canal da Diquinha no Youtube veio quando Roseli voltou para a casa da mãe na pandemia. “Nos momentos que ficamos juntas, depois do almoço, ou do café, lembramos histórias do Sul da Ilha, principalmente da Armação e Pântano do Sul”, lembra Roseli.

Papo vai papo vem, há cerca de um mês, nasceu o canal com as histórias de Diquinha. Em um dos vídeos, ela conta que fazia roupa para as moças que iam às festas do Pântano do Sul. “Elas traziam o pano, eu tinha que cortar escondido, elas vinham provar sem a outra ver, porque uma não queria ver o modelo da outra. Queriam ser diferentes”, lembra Diquinha.

Simples, sorriso largo, mãe e mulher forte, Diquinha vem de outra época, é do tempo das casas de estuque, mas chega aos 95 anos cheia de vida, tão ou mais disposta que os nativos digitais.

Dona Diquinha, hoje, tem 17 netos, alguns reunidos nesta foto, quando ela comemorou 90 anos – Foto: Divulgação/NDDona Diquinha, hoje, tem 17 netos, alguns reunidos nesta foto, quando ela comemorou 90 anos – Foto: Divulgação/ND

“Somos uma família real”

Texto baseado em reportagem de Karina Koppe, NDVT

A assistente social Cristiane Coelho de Campos Marques é casada há 16 anos com o administrador Luciano de Souza Marques. O casal planejava ter dois filhos biológicos e um adotivo. Mas o plano precisou ser revisto e assim as irmãs Letícia, Isadora e Bianca entraram na família.

Cristiane, mãe das irmãs Letícia, Isadora e Bianca Cristiane e as filhas Letícia, Isadora e Bianca, todas do coração – Foto: Leo Munhoz/ND

No início do processo de adoção, Cristiane e Luciano queriam duas crianças, mas uma assistente social disse que, no Oeste, havia três irmãs esperando por adoção e que elas poderiam ser separadas. Começam as viagens para conhecer e se aproximar das três meninas. Mais alguns meses de espera e a família se formou.

A decisão de adotar uma criança requer mais do que o desejo de ser pai ou mãe. Logo, mães e pais aprendem sobre paciência e muito amor. Segundo a Comissão Estadual Judiciária de Adoção, 1.354 crianças e adolescentes estão acolhidos em Santa Catarina. Mais de 2.900 pessoas estão habilitadas como pretendentes para a adoção, mas a fila não zera. O problema é que a maioria dos candidatos prefere crianças de até três anos, sem irmãos.

Cristiane e o marido entraram com o processo em 2014 e somente quando mudaram o perfil de adoção, o processo se agilizou. Foram cinco anos de espera, mas, agora, vivem as dificuldades e alegrias da maternidade e da paternidade, como qualquer outra família.

“Minhas sensações são múltiplas. A euforia de estar realizando um sonho e o grande desafio que é a educação, os testes constantes. Confesso que somos uma família real”, afirma Cristiane.

Cristiane e Luciano tiveram paciência até completar a família – Foto: Leo Munhoz/NDCristiane e Luciano tiveram paciência até completar a família – Foto: Leo Munhoz/ND