Marcos Cardoso

A sociedade da Grande Florianópolis, os eventos culturais e as tradições da região analisadas pelo experiente jornalista Marcos Cardoso.


Entrevista: Guto Galamba

O vídeo bem-humorado gravado ao ver a casa destelhada pelo ciclone-bomba o projetou na imprensa nacional. Porém, o treinador e palestrante já era sucesso na internet por pregar o pensamento positivo.

Guto Galamba com os seus cães, Cuscuz (à esq.) e Glúten – Foto: Henrique César/Divulgação/ND

A passagem do ciclone-bomba pelo Sul do país completou um mês na última quinta-feira. Naquele 30 de junho, o treinador e palestrante recifense Guto Galamba – radicado em Florianópolis desde 2016, atrás de qualidade de vida melhor – não estava em casa, que ficou destelhada e encharcada, na praia de Cacupé.

Pouco mais de duas semanas antes, ele havia brindado o 36° aniversário e recém-renovara o contrato para continuar no imóvel, onde mora há pouco mais de um ano com os seus cães, o buldogue francês Glúten e o american starfoshired terrier Cuscuz.

Desespero ao ver o estrago? Não. Graduado em educação física, especializado em tratamento da obesidade, em emagrecimento e em psicologia positiva, gravou um vídeo bem-humorado que superou 650 mil visualizações no Instagram, chamando a atenção para algo que ele vem pregando há anos: ser positivo.

A repercussão do vídeo se deu pelo teu bom humor diante de um grande prejuízo. Fazer vídeos com mensagens positivas é parte do teu trabalho. Neste caso, ele saiu naturalmente?

Ele foi totalmente natural. Eu só comecei a analisar as possíveis razões da viralização semanas após o ocorrido.

Guto em sua casa, na praia de Cacupé, depois de atingida pelo ciclone-bomba no dia 30 de junho – Foto: Divulgação/ND

No fim daqueles pouco mais de quatro minutos de gravação, dizes que, em situações como estas, o melhor é aceitar, reconstruir e mudar. O que mudou para o Guto Galamba?

Eu fiquei extremamente feliz comigo mesmo, porque eu prego muito a importância de aplicarmos o que ensinamos. Acredito que aquele foi um dos testes mais difíceis que o universo me pregou na escola da vida, e eu acho que me saí muito bem.

Houve comentários negativos também, alegando marketing com a tragédia e desrespeito com quem teve prejuízos maiores. O que dizes a estas pessoas?

”Todo julgamento é uma confissão”. O que as pessoas viram, fosse positivo ou negativo, falava delas, não de mim. A relação entre dinheiro e pensamento positivo existe, mas não na ordem falada. Eu não penso positivo porque tenho dinheiro, eu tenho dinheiro porque penso positivo.

Foto: Divulgação/ND

Já voltaram a morar na casa? Quais foram as mudanças depois do episódio do ciclone-bomba?

Ainda está sendo reformada. Acredito que mais um mês, e voltaremos. Houve muitas mudanças. Para começar, os cães não estão comigo, estão num hotel. Então, todos os dias vou até lá visitá-los. Outro ponto é que é muito estranho morar no Centro. Eu peço um Uber e ele chega em um minuto (hahaha!). No Cacupé, demorava, pelo menos, 10.

Por que o teu interesse em obesidade e emagrecimento?

Obesidade é a maior epidemia do século, mata por ano quase a mesma quantidade de pessoas que o fumo. Foi uma forma que enxerguei de ajudar mais pessoas.

Foto: Henrique César/Divulgação/ND

Como aplicas a psicologia positiva na educação física?

Essa especialização ajuda porque as pessoas que querem resultados em saúde ou estético não os têm por consequências de maus hábitos criados anteriormente. Não é por falta de um treino ou uma dieta específica. Saúde e estética são consequência. A PP me ajuda a entender melhor os mecanismos de criação de hábitos e, com isso, consigo ajudar de forma mais impactante os clientes.

Desde que a vida presencial ficou mais restrita por causa da pandemia, as pessoas têm recorrido como nunca aos meios digitais para se comunicar, comprar, vender, se entreter. É uma área em que atuas há algum tempo. O que fez atrair mais de 400 mil seguidores (80 mil pós-ciclone) para o teu perfil no Instagram?

Acredito que o caminho para o sucesso são três: ensinar o que se sabe, aplicar o que se ensina e perguntar o que se ignora, e eu faço isso diariamente na minha página. A minha entrega de conteúdo é muito rica e muito grande, isso faz com que as pessoas fiquem interessadas.

Foto: Henrique César/Divulgação/ND

Uma das tuas especialidades é escalar profissionais autônomos no meio digital. Como isto é feito?

Tenho uma técnica, a CCP. Ela trabalha o conteúdo, a constância e a personalidade das pessoas. Através deste tripé, é possível gerar autoridade nos meios digitais e agregar mais valor ao seu serviço ou produto.

Entre as tuas técnicas, ensinas que o profissional deve aparecer muito nas redes e em horários específicos. Ver a pessoa com tanta frequência não cansa o público?

O público não se cansa de ver a mesma pessoa, ele se cansa de ver a mesma pessoa falando sobre o mesmo assunto. No meu curso, ensino como aumentar o repertório de informações, como fazer combinações com outras informações e gerar conteúdos sempre inovadores. É como dizer que as crianças estão com dificuldade em ter aulas pelo computador. Claro que não estão. As crianças adoram ficar horas no YouTube com o Luccas Neto. O que elas não gostam é da aula do professor. Aí cabe a este professor aumentar seu repertorio e conseguir a atenção do seu aluno.

Foto: Henrique César/Divulgação/ND

No dia 15 de agosto, ministrarás um workshop sobre estratégias digitais no Drive Park. Já tinhas feito algo do tipo, em um drive-in?

Hahahaha! Eu já dei palestra para mais de duas mil pessoas, sem um pingo de nervosismo, mas falar para um monte de carros está me deixando levemente ansioso. Mas, como sempre sou eu quem dá a cara a tapa na minha área, vamos que vamos!

Um dos temas será o consumidor do futuro. O que quer este consumidor?

O consumidor do futuro é aquele que vai querer saber se sua empresa faz o que fala, o quanto de valor ela gera para a sociedade, se ela tem inteligência social, se ela causa danos ou não ao meio ambiente, quais causas ela defende.

Por exemplo, a empresa Guto Galamba defende causas animais e faz ações sociais doando 5% de tudo o que vende. Eu, Guto, pessoa física, defendo causas animais e faço ações sociais, indo às ruas entregar quentinhas a moradores em situação de rua. Há uma total conexão entre minha empresa e eu, e as pessoas estão mais atentas a isso.

Não irá bastar ter um produto incrível, até porque um produto incrível que destrói o meio ambiente não é incrível. A mentalidade mudou, o jogo é outro. Agora, a pergunta certa é: porque minha empresa existe? Se sua resposta tiver algum tipo de relação com dinheiro ou lucro, cuidado, estará cavando a própria cova!

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Marcos Cardoso