Cacau Menezes

Apaixonado pela sua cidade, por Santa Catarina, pelo seu país e pela sua profissão. São 45 anos, sete dias por semana, 24 horas por dia dedicados ao jornalismo


No último domingo a praia do Santinho viveu um dia de festas

A métrica dos quinhões

Pesca da tainha na praia do Santinho – Foto: Divulgação/NDPesca da tainha na praia do Santinho – Foto: Divulgação/ND

No último domingo a praia do Santinho viveu um dia de festas: 50 pescadores e sete  embarcações (algumas centenárias e quase todas de um só tronco de árvore – garapuvu – com até nove  metros de comprimento e 1,40 metros de largura) que compõem a colônia de pesca do canto sul da praia, capturaram 9.080 tainhas, entre 1,5 Kg e 2,0 Kg de peso cada. As fotos e vídeos invadiram as redes sociais pela grandeza e beleza dos arrastos, destacando-se a cena dos 50 pescadores rezando o Pai Nosso ao redor do cerco de tainhas, em agradecimento ao feito, depois de quase 30 dias de espera sem um peixe nas redes, que mostrei ntem na  TV.  Para eles e suas famílias será a comida de muitos meses com tainha frita e pirão de feijão, como disse o patrão Mazo, 69 anos, ou caldo de tainha com pirão do próprio caldo, na preferencia de Toninho, 67 anos, outro patrão, para ambos, sempre com farinha das boas, limão e pimenta.
Os pescadores consideram essencial para esta boa pesca e a vitalidade da colônia a assistência recebida do Costão do Santinho que disponibiliza os ranchos, vestiários, banheiros, chuveiros com água quente e cozinha com gás. A pesca da tainha, praticada há 300 anos em Floripa,  além da sua importância social é também uma importante marca cultural da ilha. Embora desconhecida para muitos, chama a atenção a forma complexa de distribuição dos pescados, que vale a pena ser contada. No caso do lance mencionado de 9.080 peixes, 500 deles foram doados na hora para conhecidos dos pescadores, alguns idosos e até crianças, restando um total para os pescadores e embarcações 8.580 peixes, cabendo 50% para as embarcações (no caso sete) e 50% para os pescadores. Depois, vem a definição do número de quinhões, que se obtém pela divisão de 50% dos 8.580 peixes pelo número de pescadores envolvidos: remadores, vigias, puxadores e cozinheiros, tendo-se como resultado 62 quinhões.
Do percentual recebido pelas sete canoas, cada um dos patrões (pescadores que coordenam a operação) recebe 1/4, ou seja, 162 peixes e cada canoa 1.135 peixes (somando-se 3.892 no total das sete).
Essa métrica, convenhamos complexa para nós os leigos, não é para os pescadores, e em séculos nunca houve discussão a respeito e a tradição só cresce com os anos.

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