Cacau Menezes

cacau.menezes@ndtv.com.br Apaixonado pela sua cidade, por Santa Catarina, pelo seu país e pela sua profissão. São 45 anos, sete dias por semana, 24 horas por dia dedicados ao jornalismo


O grande e definitivo teste sobre ser ou não ser um manezinho

Se quex, quex! Se não quex dix

O GRANDE TESTE DEFINITIVO

Mais uma contribuição do Instituto Tio Cesar de Questões Fundamentais para o Desenvolvimento Humano

Ser Manezinho da Ilha é…

Em 2007, quando publiquei isto pela primeira vez, algumas versões deste texto circulavam por e-mail (não existia zap zap). E cada um que repassava acrescentava alguma coisa. Acabou sendo uma espécie de obra coletiva, que embora tenha sido iniciada pelo advogado Roney Prazeres e seu amigo Wilson Pires Ferreira Júnior (que trabalhava na CEF), já faz parte do patrimônio cultural da manezice ilhoa.

Vamos lá: para ser um verdadeiro Manezinho tu precisas preencher, pelo menos, 80% dos requisitos abaixo enumerados, caso contrário não adianta receber troféu do Aldírio Simões e nem freqüentar o Mercado Público todos os dias por cinco anos seguidos.

O teste tem um problema grave: dá impressão que só pode ser manezinho quem tem mais de 50 anos. Mas outro dia a gente inventa uma coisa para testar os manezinhos jovens. Então tá, pra ser um autêntico Mané tu precisas, ô istepô:

1) Antes de qualquer coisa, ter nascido na Ilha de Santa Catarina, seja na Carmela Dutra, na Carlos Correa, na São Sebastião ou mesmo de parteira. Vale também no continente (leia-se Estreito ou, em puro manezês, Streitcho). Só não adianta vir com essa história que nasceu fora e veio morar aqui pequenininho;

2) Falar manezês fluente, tão rápido que deixa o cristão que te ouve meio tanso;

3) Falar 60% das palavras no diminutivo (Vais querê um cafezinho com pãozinho ou com bolinho de chuva?);

4) Gostar do cheiro das bancas de peixe do Mercado Público. Nada de tapar o nariz pra comprar camarão;

5) Ter assistido um Avaí e Figueirense no Campo da Liga e, de preferência, ter fugido com a bola quando um perna-de-pau chutou ela pra fora do campo;

6) Ter, pelo menos uma vez na vida, subido a Avenida Tico-Tico (e saber hoje em dia onde fica);

7) Ter feito, ajudado a fazer ou ter dançado no boi de mamão;

8) Ter participado da farra do boi ou, pelo menos, ter fugido em carreira, todo borrado, com medo do pobre animal;

9) Ter tomado banho na Lagoa da Conceição, na praia do Vai-quem-quer ou no Balneário, sem medo de pegar pereba;

10) Ter comprado empadinha na Confeitaria Chiquinho;

11) Ter tomado picolé de côco, sorvete de butiá, Xic-xic ou Beijo Frio na Satélite ou na Cocota;

12) Ter saído em bloco de sujo no carnaval vestido de mulher e continuar gostando de rapariga;

13) Ter guardado no rancho: caniço, tarrafa, puçá, coca, jereré e pomboca (“Prá módi pegá uns sirizinho, uns camarãozinho, uns peixinho…”);

14) Ter comprado na venda: bala azedinha; pé de moleque; quebra-queixo; maria-mole; pirulito açucarado em forma de peixe; bala Rococo; Tablete Dalva; Guaraná Pureza; Chocoleite; groselha (grosel) ou laranjinha Max William.

15) Acreditar em bruxa e nas histórias do Franklin Cascaes;

16) Ter assistido na TV Cultura um filme na Poltrona 6 e, para as senhoras, o programa “Celso e a Sociedade” (a Metralhadora Platinada);

17) Entender tudo o que o Miguel Livramento fala, não aceitar nada do que o Paulo Brito diz e tentar descobrir para qual time da Capital o Roberto Alves torce (sem acreditar naquela história de que ele ainda é torcedor do Paula Ramos);

18) Saber a diferença entre o Jorge Salum e o João Salum e saber qual dos dois vendia tecidos e qual era radialista;

19) Ter ouvido o programa do Walter Souza na Diário da Manhã, depois do Vanguarda, e ter tentado ganhar os discos que ele dava para quem cumpria a tarefa do dia;

20) Sentir enorme prazer ao comer uma boa posta de tainha frita, com “pirão de náilo”, ou então, aquele berbigãozinho ensopadinho derramado sobre um pirãozinho de feijão;

21) Saber a diferença entre pirão de náilo e pirão jacuba;

22) Ter curtido um baile de carnaval no Lira, no LIC, no Doze ou no Limoense e dançado no Paineiras ou no Seis;

23) Ter assistido desfile de escola de samba e de carros alegóricos e de mutação ao redor da Praça XV;

24) Saber que o “Dr. Alcides Abreu”, que só se veste de branco, não é médico coisa nenhuma;

25) Defender a mudança do nome da cidade para Nossa Senhora do Desterro e, se algum gaúcho concordar, mudar imediatamente de idéia;

26) Ter passado pela Ponte Hercílio Luz de carro, a pé ou de bicicleta e não entender por que a deixaram ficar nesse estado lamentável;

27) Ter ficado horas no Ponto Chic, tomando cafezinho e discutindo política, futebol e mulher (não obrigatoriamente nessa ordem);

28) Ser Figueirense e secar o Avaí, ser Avaí e secar o Figueirense e depois falar mal de qualquer árbitro que apite um Clássico;

29) Ter andado em ônibus da Empresa Florianópolis, Limoense, Taner ou da Trindadense;

30) Ter ouvido a Neide Mariarrosa no “Amarelinho”;

31) Ter comprado um bilhete de loteria federal da Lurdes (com redinha na cabeça e tudo);

32) Ter chorado as mortes do Zininho e do Aldírio;

33) Ter conhecido o Bataclan, o Gogóia (esse pouca gente se lembra, era da Figueira);

34) Ter ouvido as histórias do Capa Preta;

35) Ter ouvido previsões do A. Seixas Neto.

36) Ter freqüentado, ou apenas conhecido, o Miramar e lamentar a burrice daqueles que permitiram a sua demolição;

37) Ter comprado na Modelar, no Ponto 75, na Grutinha (êta nome sugestivo); nas Casas Coelho; na A Capital; na Az de Ouro; nas Casas Macedônia e na Miscelânia, que era o paraíso da criançada.

38) Ter escolhido carro na C. Ramos ou na Dipronal.

39) Ter ido ao cinema no Roxy, no São José, no Ritz, no Glória ou no Império;

40) Ter visto a procissão do Senhor dos Passos descer a Rua Menino Deus;

41) Se emocionar ao ouvir o Rancho de Amor à Ilha e cantar baixinho como se fosse uma oração;

42) Adorar e odiar o vento sul;

43) Amar o verão, reclamar do calor, só comer tainha em meses que não têm R, achar lindo o garapuvu florido e, pessimista, achar que os Manezinhos e a Ilha estão à beira da extinção.

Foto: Facebook/Guia ManezinhoFoto: Facebook/Guia Manezinho

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