Realezas da qualidade de vida, plantas em residências garantem bem-estar

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Arquiteto especializado em paisagismo dá dicas para harmonizar jardins e explica quais espécies podem ser cultivadas dentro de casa e os cuidados que cada uma exige

Quando o assunto é qualidade de vida e bem-estar associado ao lar, elas são imprescindíveis. É possível imaginar um lar acolhedor sem plantas? Para todos que pretendem ter um lar mais elegante nos próximos anos, o ND foi ouvir a voz de uma referência no tema.

O mestre em arquitetura e urbanismo, Timóteo Schroeder, dá dicas para quem quer embelezar a residência dando vida com o uso das plantas. Ele é coordenador do Lapa (Laboratório de Paisagismo Aplicado) da Univali (Universidade do Vale do Itajaí) e explica as principais tendências para o cultivo de vegetação em ambientes internos e jardins.

Exemplos de plantas“Um primeiro passo importante, no momento de decisão de uma planta para ambientes interiores, para casa – não necessariamente apartamentos – é sempre recomendado recorrer às floriculturas especializadas”, recomenda o especialista Timóteo Schroeder – Foto: Montagem/Reprodução/ND

Dicas para quem quer começar

“Um primeiro passo importante, no momento de decisão de uma planta para ambientes interiores, para casa – não necessariamente apartamentos – é sempre recomendado recorrer às floriculturas especializadas. A gente vê hoje muitas bancas de flores e verdes nos supermercados.

Mas por mais que seja um ambiente prático para compra, ele não vai fornecer necessariamente a informação necessária para cuidar de uma planta.

Então quando você adquire vegetação para sua casa, em uma floricultura especializada, pode sempre ter uma consulta sobre cuidados com os atendentes.

E sem contar que lá as plantas já são organizadas por áreas recomendadas dentro das residências.

Costumam separar plantas para áreas externas, com bastante sol, para áreas intermediárias, e também aquelas que preferem ambientes mais sombreados. Por isso a vantagem dos lugares especializados.”

Plantas ornamentais fáceis de encontrar

Ambientes de sombra, dentro de casa:

  • Crótons
  • Orquídeas (com flores)
  • Zamioculca
  • Begônias (com flores)

Meia sombra, espaços de transição interior/exterior:

  • Lírio da paz
  • Pata de Elefante
  • Maranta
  • Clívia (com flor)

Sol pleno, jardins externos ou sacadas com muito sol:

  • Alpínia
  • Moréia
  • Palmeira Fênix
  • Petúnia (com flor)

O que explica o interesse por plantas

“Há uma reflexão interessante, principalmente quando hoje, na pandemia principalmente, podemos observar que o mercado trouxe muitos ambientes com verdes internos, porque muitas pessoas buscaram se aproximar disso. Isso tem uma explicação.

É sabido que o verde, a natureza, ambientes que nos remetam a esse lugar natural, nos promovem sensações agradáveis. Não é à toa que, por exemplo, um dos metros quadrados mais caros do mundo é nos edifícios que fazem frente ao Central Park, em Nova Iorque.

Todo mundo quer ter aquela vista, ver aquela imensidão de verde. E cientistas vêm estudado o porquê que esses ambientes nos remetem a conforto e tranquilidade.

Nós, seres humanos, somos dotados de campos energéticos, por isso nos arrepiamos em determinadas situações, ou levamos choque. E ,obviamente, no mundo em que vivemos, ele nos carrega demais. Por isso, muita gente tem aquela vontade de fugir para o campo, para a praia.

Existe explicação física para isso. As plantas ajudam a criar campos energéticos que contribuem para essa ‘desintoxicação’, tanto dos ambientes quanto das pessoas. São dois tipos de íons, os saudáveis e os nocivos.

Timóteo Schroeder é mestre em arquitetura e urbanismo – Foto: Arquivo PessoalTimóteo Schroeder é mestre em arquitetura e urbanismo – Foto: Arquivo Pessoal

Os saudáveis são os negativos e os nocivos, os positivos. Por isso, quando estamos estressados falamos que estamos muito ‘carregados’, é porque temos muitos íons positivos com a gente.

E aí, outro fato que se sabe pela ciência, é que há uma concentração de íons negativos (saudáveis) extremamente alta na natureza. A gente não vai para a praia, para a serra, para o campo, por mero acaso.

O nosso corpo literalmente se coloca em equilíbrio nessas situações. Para se ter uma ideia, uma cachoeira pode acumular, por centímetro cúbico, aproximadamente 50.000 íons negativos.

Um banho de cachoeira é literalmente uma recarga, onde trocamos nossos íons positivos por esses. Uma cidade grande, poluída, concentra por centímetro cúbico apenas 100 íons negativos. Um apartamento, em média, concentra apenas 20 íons negativos.

Em ambientes com ar-condicionado isso chega perto de zero, e aí dá para entender porque os escritórios concentram tanto essa carga. E é por isso que estamos colocando tanto verde para dentro de casa. Isso de alguma forma nos ajuda depois de um dia estressante.”

Manutenção de plantas

“Um ponto chave para a manutenção dessas plantas é entender que elas são seres vivos. Muita gente, por incrível que pareça, esquece um pouco disso. Assim como os pets necessitam de cuidados, quando você vai viajar deixa com um amigo, vizinho… as plantas também.

Elas não podem ser deixadas por longos períodos sem a hidratação devida, etc. Para uma planta ser saudável, independentemente da posição da casa, ela precisa de determinados nutrientes, que são base da alimentação dela.

Muita gente acha que planta só precisa de sol para fazer fotossíntese, mas não é bem assim. As principais fontes de alimentação, além do sol, são a água e o NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio), que geralmente na natureza são oferecidos em processos naturais, como queda de folhas, mortes de animais, entre outros fatores.

Quando falamos de plantas caseiras, geralmente em vasos ou jardins que nem sempre tem um solo muito bom, a gente precisa fazer essa reposição, e não é uma única vez. Precisamos adubar o solo, usar fertilizantes… o ideal é que se complemente com o NPK, que são essenciais. Esse conjunto é facilmente encontrado em lojas e mercados.

Além dos princípios básicos de alimentação das plantas, é preciso ter um cuidado sério com a água. Plantas que ficam muito expostas, não é recomendado porque esse sol vai ressecar até enfraquecer a raiz e você provavelmente perder a planta. É importante ter um controle ao aplicar a terra, porque também não pode encharcar, quase nenhuma planta gosta de solo inundado, é preciso ter um equilíbrio – e isso envolve muito o sentimento, a percepção do dia-a-dia.

E essa sensibilidade é nítido que as pessoas vão aprendendo com o tempo, pode ter algumas dificuldades nas primeiras, mas você aprende a compreendê-las.”

Samambaias

“Além do sol, da água, do cuidado com o solo e nutrientes, a gente precisa interpretar a origem da planta. No caso da samambaia, na natureza,
qual é o lugar que ela se desenvolve? Elas não ocupam os topos das florestas, não estão acima das árvores, e também raramente estão no solo. Ficam em posições intermediárias.

Isso significa que elas recebem sol, mas não é direto. Ela não precisa de sol batendo em cima dela o dia inteiro. É um sol fraco, apenas alguns feixes de luz, suficientes para conduzir um processo de fotossíntese.

E samambaias também gostam de solo úmido. Isso não quer dizer encharcado. Até porque se ela tiver um prato embaixo, ele nunca pode acumular água, porque ela não vai gostar desse ambiente.

A samambaia gosta quando a água bate pelos troncos e a alimenta, mas nunca fica acumulado sobre essa planta. Então ela é bem complexa. Samambaias, portanto, gostam de: feixes de luz, não exposição direta ao sol, solo úmido porém drenado – ou seja, regar pouco, mas por mais vezes, para manter úmido e não inundado, principalmente na base, para que a raiz não apodreça.”

Espécies mais indicadas para residenciais

“Existe uma infinidade muito grande de plantas, temos uma variedade imensa, porque a natureza é assim. Mas no fim muitas cidades não recebem tantas variedades nas floriculturas.

Mas uma recomendação, para quem quer começar a ter plantas em casa, e não se decepcionar ao perder a planta tão precocemente, são as jibóias. Elas resistem muito bem a ambientes sombreados. Não precisa pegar sol direto, mas precisa ser um ambiente iluminado, pelo menos. E apenas um cuidado com a água, colocar de vez em quando um NPK, já suficiente.

É uma planta muito fácil, que pode animar e trazer bastante verde para a casa. E aí existe uma abordagem bem interessante, que é o rodízio. Por exemplo, se você tem um banheiro, enclausurado, com ventilação mecânica, e você quer ter plantas para decorar esse ambiente, levar verde para o ambiente de banho, não quer dizer que você não vai poder, que nenhuma espécie vai dar certo lá.

É possível com essa estratégia. Você pode ter uma planta em um ambiente bem iluminado, que pegue sol de vez em quando, enquanto a outra está no banheiro. Não a deixe muito tempo trancada nesse banheiro, pode ser umas duas semanas, depois troca. Essa é uma dica que dá bastante certo.”