Saiba quais plantas são indicadas para dentro de casa e as mais perigosas

A pandemia aumentou a procura pelo cultivo de plantas dentro de casa, mas é preciso ficar atento à espécie, que pode oferecer risco à saúde dos donos e dos pets

Por conta do isolamento social, as pessoas tendem a sentir falta do contato com a natureza e, por esse motivo, começam a ter mais plantas em casa. Isso pode ser um alívio e um passatempo incorporado à rotina.

cactus e suculenta em um vaso de florCultivo de plantas em casa é uma atividade terapêutica – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/ND

Manter plantas em casa exige cuidados simples. Além do contato com um pouco de natureza dentro de casa, o cultivo de plantas ainda é uma atividade terapêutica, como cita a jornalista Melissa Carmelo, de 30 anos. Ela conta que sempre gostou de plantas, mas o convívio veio durante a pandemia da Covid-19.

“Assim como muitos brasileiros, desenvolvi um quadro emocional de ansiedade e pânico e durante uma sessão de terapia as plantas surgiram como forma de resgate de memórias acolhedoras da infância e como uma atividade segura que me permite a abstenção do momento presente. Acompanhar o desenvolvimento de uma plantinha acaba nos colocando em contato com nossos próprios processos e ideias, além de criar um vínculo de aprendizado e cuidado, o que para mim foi essencial”, detalhou.

Para a jornalista, além do efeito visual na decoração da casa, o cultivo das plantas se tornou uma forma de troca para fazer o outro feliz.

“Na era do compartilhamento, fomos pegos de surpresa por um vírus que nos impede de ir e vir e nos questiona sobre respeito ao próximo. Descobri que me faz bem poder compartilhar com familiares, amigos e vizinhos vasinhos ou mudas das minhas próprias plantas como forma de aproximação emocional.”

Já a dona de casa e trader  Thaís Doblado Prodomo, de 46 anos, cultiva plantas há 17 anos.

“Quando eu morava em apartamento,  comecei cultivando um tipo de suculenta em três vasos na sacada. No decorrer dos anos, me tornei colecionadora de suculentas, comprei e ganhei também várias folhagens.”

Quando a quarentena começou, e já morando em uma casa, toda vez que precisava ir ao supermercado, Thaís voltava com novas mudas de suculentas.

“Mantenho esse costume até hoje, porque o isolamento social me causa muito desconforto e tristeza, e o cultivo de plantas é uma terapia para mim, fazendo com que eu me sinta melhor”, diz.

Para começar a cultivar

Neste sábado (17) é comemorado o Dia Nacional da Botânica e quem dá dicas de como iniciar esse processo é Regina Bazani, especialista em plantas e flores ornamentais.

“Iniciei com espécies como cactos e suculentas. Elas podem estar em vasos ou em arranjos plantados. São espécies que precisam de cuidados menos intensos. Você pode também ter filodendros como a jiboia, orquídeas e ir testando lugares da casa, seu tempo para cuidado e se será possível dispor de mais tempo para outras espécies.”

Ela aconselha pesquisar sobre a espécie que se pretende comprar: “primeiro deve-se pesquisar a espécie que você quer ter e quais os cuidados que ela necessita: a rega correta para cada espécie; o adubo mais indicado; um lugar iluminado, mas não diretamente no sol. Um segredinho para saber se está na hora de regar é colocar o dedo na terra, se ele sair sem terra, está seca e deve ser regada”.

Plantas mais indicadas:

Cróton: esta espécie chama a atenção por suas folhas coloridas e grandes. Brilhantes e um pouco retorcidas, elas surgem em tamanhos variados e podem mesclar tons de vermelho, amarelo, verde ou laranja, formando lindas combinações. A folhagem exuberante somente será mantida se a planta receber bastante sol direto. “Por isso, posicione o vaso próximo a uma janela.

Orquídea: campeã no uso interno, ela pede poucos cuidados. Uma das espécies mais comuns é a phalaenopsis, cujas flores arredondadas variam entre o branco, o rosa, o amarelo e a púrpura. Por ser bastante delicada, é melhor escorar sua haste em um apoio. “Vale a pena substituir os vasos de plástico pelos de barro, pois são porosos e drenam melhor a água. Deve ser cultivada à meia-sombra, recebendo iluminação indireta. Preste atenção na coloração da folhagem: se estiver escura, mude a orquídea de local”, diz a especialista.

Suculentas: são plantas que apresentam raiz, talo ou folhas engrossadas, característica que permite o armazenamento de água durante períodos prolongados. Bastante fáceis de cuidar, elas costumam “avisar” do que precisam, basta prestar atenção aos detalhes. “Se as folhas começarem a murchar, aumente gradativamente a quantidade de água; se as folhas da base começarem a apodrecer, diminua. Se ela ficar fina e perder muitas folhas, não está recebendo a quantidade necessária de luz. O ideal é proporcionar pelo menos quatro horas diárias de sol para que elas sobrevivam com saúde”.

Cacto: ótima opção para quem não tem tempo ou jeito para cuidar de plantas, a espécie gosta de muitas horas de luminosidade direta e pouca água. Quanto mais sol seu cacto receber, mais robusto e bonito ele ficará. Quando plantado em vasos, ele estaciona seu crescimento ao perceber que o espaço acabou.

Bromélias: com vários tipos diferentes de flores e folhas, a bromélia pode apresentar as mais variadas cores e complementar a decoração de qualquer ambiente. A luz direta pode queimar suas folhagens, portanto prefira mantê-las na sombra. Lembre-se também de molhá-la a cada dois dias.

Palmeira Ráfia ou Rápis: esta é uma planta perfeita para ter dentro de apartamento. Muito bonita e fácil de cuidar, esse tipo de palmeira é ideal para ser cultivada em salas de estar, por conta do seu tamanho mais avantajado. Deve ser mantida protegida do sol, mas em um ambiente com boa qualidade de luz natural.

Espécies que devem ficar longe de crianças e animais

Em casas com crianças e animais domésticos, é preciso ter um cuidado especial, já que algumas espécies desencadeiam processos alérgicos ou são venenosas.

Conheça algumas espécies que devem ser evitadas:

Antúrio: todas as partes da planta possuem oxalato de cálcio, cujo princípio ativo oferece riscos à saúde dos animais. Os sintomas são vômitos, diarreia, salivação, asfixia, inchaço da boca, lábios e garganta, e edema de glote (uma reação alérgica tratada com adrenalina).

Azaleia: a adromedotoxina, encontrada principalmente no néctar da planta, ao ser ingerida pelo cachorro pode causar distúrbios digestivos e alterações cardíacas.

Bico-de-papagaio: “Esta planta é perigosa até para humanos”, explica Regina. “Quando seu látex leitoso entre em contato com os olhos causa irritação, lacrimejamento, inchaço das pálpebras e dificuldades na visão”. Mas com os animais domésticos o perigo é ainda maior. “Apenas o toque na planta é suficiente para causar lesões na pele e conjuntivite canina”. Em caso de ingestão, pode causar náuseas, vômitos e gastroenterite, inflamação que afeta o estômago e o intestino.

Espada-de-São-Jorge: produz substâncias como glicosídeos prenúncios e saponinas esteroidais, que são tóxicas tanto para humanos quanto para animais. No caso de ingestão, essas plantas podem irritar a mucosa, levando a dificuldade de respiração e de movimentação, além de salivação intensa nos pets.

Lírio: todas as partes da planta são tóxicas. Após serem tocadas ou ingeridas, os animais podem apresentar irritação oral e coceira na pele ou mucosas, irritação ocular, dificuldade para engolir e respirar, alterações nas funções renais e neurológicas.

Hortênsia: possui uma princípio ativo chamado hidrangina, que a torna venenosa. Sua ingestão pode causar náuseas, irritação na pele, dor abdominal, letargia e vômitos. “Não é preciso jogar a flor fora, apenas certifique-se de mantê-la fora do alcance de crianças, que podem se atrair pela cor forte e por sua exuberância”, observa Regina.

Tinhorão, Comigo-ninguém-pode e Copo-de-leite: a ingestão delas provocam reações como inchaço de lábios, boca e língua, sensação de queimação, vômitos, salivação abundante, dificuldade de engolir e asfixia. Em contato com os olhos, elas podem provocar desde irritação até lesão na córnea.

Dama-da-noite: suas partes tóxicas são os frutos imaturos e suas folhas, que, se ingeridos pelos pets, podem causar náuseas, vômito, agitação psicomotora, distúrbios comportamentais e alucinações.