Cacau Menezes

Apaixonado pela sua cidade, por Santa Catarina, pelo seu país e pela sua profissão. São 45 anos, sete dias por semana, 24 horas por dia dedicados ao jornalismo


Velho eu já sou desde os 15 anos, não tenho problema com a idade

Vacinado e carimbado: e segue o baile

Qual é a sua idade?

Primeira, segunda e terceira idade? Tem gente da terceira com a idade da primeira, tem gente da primeira que parou na segunda, tem gente da segunda que viveu o auge ou que morreu  na terceira. Quem sabe faz a hora não espera acontecer.

Na minha juventude transviada já me imaginava como estou agora, sabia que preparado para não perder a essência, seria um coroa diferente. Sem a obrigação de estar em todos os lugares ao mesmo tempo, mesmo não querendo.   Menos bar, menos night  menos rua e papo furado. Mais casa, trocando experiências com  filhos, netos, com tempo para  livros, filmes e aquela pizza com vinho tinto no jantar, ouvindo Drake, Rolling Stones, Bob Dylan  ou Roberto Carlos.  Mais eu, menos eles. Não deixei de gostar da vida social, e a gente que me inspira está na noite.  Mulheres, homens, notícias, serviço e diversão. Continua tudo como antes. Só que agora civilizadamente e sem pressão de se ir onde não se quer.   A vida que me faz bem, nessa fase, é outra. Doce presente. Não me decepcionei ainda com nada. E continuo trabalhando todos os dias. Como agora, por exemplo, numa tarde de sexta-feira.

Como confessou em “Minha Alma está em Brisa”  o poeta gaúcho Mario Quintana, *Contei meus anos e descobri que tenho menos tempo para viver a partir daqui, do que o que eu vivi até agora, então também nao tenho mais tempo para apoiar pessoas absurdas que, apesar da idade cronológica, não cresceram”.

Sozinho dirigindo meu carro a  caminho da vacinação  sábado da semana passada no antigo aeroporto Hercílio Luz,  pensando, pensando, pensando,  me dei conta da insustentável leveza da vida. Que a qualquer momento eu poderia sair de cena e ser uma ausência para meus bem queridos. Ou que qualquer um deles poderia ser a ausência para mim. Como foram muitos. E que neste momento, estar em Londres, Moscou ou Floripa é igual. O risco é o mesmo. A vida é fortaleza e fragilidade. Sempre. Hoje estamos no meio de uma pandemia cujas origens são desconhecidas. Cuja cura ainda é discutida. E  entre surpresas, medos, esperanças e resistências seguimos vivendo, amando os Beatles e os Rolling Stones quando não  era belo, mas  havia mil garotas a fim. Velho eu já era com 15 anos quando as melhores companhias tinham mais de 50 anos, muitos deles amigos do meu pai.

A Pandemia servirá de marco para a civilização. Talvez uma reflexão profunda sobre a vida, talvez apenas um tempo de reclusão. Saberemos mais tarde…

Esse sabe tudo o que eu passei. – Foto: DivulgaçãoEsse sabe tudo o que eu passei. – Foto: Divulgação

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