Blumenau ainda tem lições a aprender após um ano de pandemia de Covid-19

Um ano depois dos primeiros casos de coronavírus em Blumenau, o Grupo ND apresenta uma série de reportagens na TV e no ND+ mostrando como a cidade enfrentou e o que ainda vai fazer no combate à doença

Era 13 de março de 2020 quando a prefeitura de Blumenau começava a informar os primeiros casos suspeitos da Covid-19 na cidade. Não demorou muito até as confirmações: uma semana depois, chegavam os resultados positivos de dois pacientes. Era o começo de um desafio coletivo que testa até hoje a coesão da sociedade e a liderança dos gestores públicos.

Na semana em que a pandemia completa um ano em Blumenau, o Grupo ND apresenta a série de reportagens Blumenau: um ano de pandemia no portal ND+ e no programa Balanço Geral para mostrar os impactos na saúde, na assistência social e na economia.

O que a cidade aprendeu nos últimos 365 dias? As medidas adotadas? As sequelas? Os desafios que estão por vir? São perguntas que as autoridades municipais ainda tentam responder.

“Nós estamos enfrentando (este um ano de pandemia) com desafios, lutas e dificuldades. Ao mesmo tempo temos bons resultados, porque somos um dos municípios de Santa Catarina com menor taxa de letalidade. Até aqui não tivemos nenhum óbito por falta de leito de UTI, por falta de atendimento. Mas temos desafios ainda pela frente”, avalia o prefeito de Blumenau Mário Hildebrandt, que sentiu na pele a doença.

Profissionais estão no limite após um ano na linha de frente da Covid-19 – Foto: Reprodução/NDTVProfissionais estão no limite após um ano na linha de frente da Covid-19 – Foto: Reprodução/NDTV

O panorama

Quando tudo começou parecia inimaginável que, 12 folhas do calendário à frente, o cenário seria o pior desde o início da pandemia. Não é que a cidade tenha batido recordes de novos casos, mas os infectados estão apresentando quadros mais graves e, consequentemente, precisando de mais internação – o que sobrecarrega o sistema de saúde.

Não à toa, todas as UTIs – públicas e privadas – estão lotadas e as enfermarias têm 60,5% de ocupação. Os hospitais não conseguem mais comportar a demanda nos prontos-socorros.

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Os ambulatórios gerais ganharam estruturas à parte apenas para casos de Covid-19. Até esta terça-feira (16), o número de testes realizados era de  150.543. Quase um terço deu positivo. Com uma população estimada em quase 362 mil habitantes, a quantidade de infectados representa 12,5% dos blumenauenses.

O dado, porém, considera apenas os casos diagnosticados. Acredita-se que um percentual da população tenha sido contaminada com o coronavírus mas não passou por teste e até mesmo não teve sintomas. Mas com médicos mais preparados para atender os casos e normas de segurança mais claras, o que justifica Blumenau ter chegado a este ponto?

“2021 vai ser um ano que a gente vai ter que lidar com o vírus, porque a imunização provavelmente vai levar o ano inteiro. Teremos também que acompanhar o vírus muito de perto, principalmente essas novas cepas. […] As novas variantes têm potencial de transmissão maior, sobrecarregando de forma mais intensa o sistema de saúde”, aponta o secretário de Saúde, Winnetou Krambeck.

Tratamento além da doença

Será um ano também para enfrentar as sequelas deixadas pela Covid-19. Muitos dos pacientes infectados não se recuperam plenamente após o tratamento: comprometimento do sistema respiratório e cardíaco são os mais comuns – e devem sobrecarregar um sistema de saúde já impacto.

A expectativa da prefeitura é conseguir dar vazão à demanda através de uma parceria com a Furb. A ideia é que até o fim de março Blumenau conte com centro de tratamento pós-covid formado por uma equipe multidisciplinar.

Isso sem contar o atendimento de outras doenças que tem sido represado. É o caso, por exemplo, das cirurgias eletivas. Os procedimentos foram suspensos e, embora não sejam de urgência, o paciente pode ter o quadro agravado em virtude da demora. Nesse aspecto, é uma fila que levará até 2022 para ser normalizada.

Número de mortes acelerado

Entre o registro do primeiro caso da doença em Blumenau e a primeira morte se passaram 45 dias. A vítima era uma mulher jovem, de apenas 34 anos, profissional da área da saúde. Vanessa Neuber Salm lutou para sobreviver por quase um mês, mas não resistiu.

A quantidade de vidas abreviadas em virtude da Covid-19 chegou a 355 nesta terça-feira (16). Para o secretário de Saúde, a letalidade só não é maior por conta da qualidade do serviço de saúde na cidade, o que não é motivo para tranquilidade, já que as novas variantes do vírus apresentam transmissão ainda mais rápida e com maior potencial de morte.

Aposta na vacina

Imunização é a palavra de ordem para tentar minimizar os impactos da pandemia. São cerca de 70 mil pessoas nos grupos prioritários somente em Blumenau. Mas, passados quase dois meses da aplicação das primeiras doses, o que ocorreu em 19 de janeiro, o número de imunizados com as duas doses é de 8.504. Para se considerar saindo Da pandemia, é preciso ter entre 60% e 70% da população vacinada, aponta Krambeck.

Prefeitura reservou R$ 12 milhões do orçamento deste ano para comprar vacinas contra a Covid-19. A aquisição deve ser feita caso o Ministério da Saúde tenha dificuldades em garantir a imunização. O município acredita que a primeira compra será de aproximadamente 120 mil doses, o que seria suficiente para 60 mil pessoas.

Poder público ainda pede bom senso

Depois de uma no vivendo a pandemia diariamente, o secretário de Saúde ainda aponta a dificuldade da comunidade em seguir o regramento sanitário.

Porém, enquanto a imunização é uma realidade distante para a maioria dos blumenauenses, o prefeito segue apostando no bom senso.

É bom saber!

Infectados:

  • 45.230

Percentual da população infectada em relação ao número de habitantes:

  • 12,5%

Vacinados:

Ao todo, 15.123 pessoas receberam a primeira dose e 8.504 já tomaram também a segunda dose.

Percentual de imunizados com duas doses em relação ao público-alvo:

  • 12,1%

Recuperados, ainda que com sequelas:

  • 43.458

Total de pacientes em tratamento:

  • 1.722, sendo 1.585 em isolamento domiciliar,  74 em UTI e 114 em enfermaria.

Mortes:

  • 355. Isso significa cinco vezes o número de mortes na queda do avião da Chapecoense; nove vezes o total de vítimas com o ônibus de turistas argentinos na Serra da Santa, no Vale do Itajaí; e 14 vezes a quantidade de vidas perdidas em Blumenau na tragédia climática de 2008.

Profissionais contratados na rede pública: 

  • 220 profissionais da saúde, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes de saúde e farmacêuticos.

Valores investidos na rede de saúde:

Os recursos abaixo foram usados para compra de testes, medicamentos, EPIs e repasses para estruturação dos leitos dos hospitais e da rede pública.

  • R$ 11,2 milhões em recursos da prefeitura;
  • R$ 1,5 milhões da Câmara de Vereadores;
  • R$ 169 mil em doações;
  • R$ 75 milhões do governo federal.

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