Boletim detalha ‘rota’ da variante Delta do coronavírus em SC; veja detalhes

Dados integram boletim de Vigilância Genômica do SARS CoV-2 divulgado nesta segunda-feira (16); há 36 casos em 22 cidades de SC

Um boletim divulgado pela SES (Secretaria de Estado da Saúde) detalhou a trajetória da variante Delta do coronavírus em Santa Catarina, desde que foi identificada pela primeira vez em solo catarinense em meados de julho.

O documento mostra que a onda de frio, que atraiu milhares de turistas, impulsionou o deslocamento da variante Delta do Litoral catarinense para o interior do Estado.

Boletim detalha ‘rota’ da variante Delta do coronavírus em SC – Foto: Maria Fernanda Salinet/Reprodução/NDBoletim detalha ‘rota’ da variante Delta do coronavírus em SC – Foto: Maria Fernanda Salinet/Reprodução/ND

As informações integram o mais recente boletim de Vigilância Genômica do SARS CoV-2 divulgado nesta segunda-feira (16). O documento é elaborado pela SES por meio do Lacen/SC (Laboratório Central de Saúde Pública) em parceria com o Ministério da Saúde.

O intuito é monitorar as mutações e variantes que circulam pelo Estado, além de compreender os padrões de dispersão e evolução do vírus e o possível impacto na epidemiologia da Covid-19.

Rota da Delta

Os primeiros casos da variante Delta (B.1.617.2) confirmados em Santa Catarina foram de seis tripulantes de um navio que veio da Índia e ficou atracado na costa do município de São Francisco do Sul, no Litoral Norte. A confirmação veio no dia 20 de julho.

No final do mês, se confirmou o primeiro registro da Delta em Joinville. O mapa apresentado no boletim mostra a distribuição dos casos da variante Delta (em vermelho), com predomínio na área litorânea e cidades turísticas. Em amarelo, estão os registros da variante Alfa (B.1.1.7).

Confira no mapa: 

Distribuição das Alfa (B.1.1.7) e Delta (B.1.617.2) em Santa Catarina – Foto: SES/Divulgação/NDDistribuição das Alfa (B.1.1.7) e Delta (B.1.617.2) em Santa Catarina – Foto: SES/Divulgação/ND

De acordo com o boletim, as baixas temperaturas e a neve levaram muitos turistas ao Planalto catarinense. Após a onda de frio, observa-se que os municípios da região passaram a registrar a variante Delta.

Até a data de divulgação do boletim, já foram registrados 36 casos da Delta em pacientes de 22 cidades catarinenses.

Alta na transmissibilidade da variante

O boletim também trata do aumento de casos da variante Delta ao longo do período de testes, mostrando o impacto da sua transmissibilidade.

O número reprodutivo (R0) indica para quantas pessoas um único indivíduo infectado é capaz de transmitir o vírus. O R0 da linhagem original de SARS-CoV-2 é aproximadamente 2,5.

A variante Alfa é cerca de 60% mais transmissível do que o vírus original. A variante Delta é cerca de 60% mais transmissível do que a variante Alfa, o que se traduz em um R0 de quase 7, conforme o documento.

Proporção de casos detectados como provável Delta ao longo do período de testes por RT-qPCR para Variantes de Preocupação – Foto: SES/Divulgação/NDProporção de casos detectados como provável Delta ao longo do período de testes por RT-qPCR para Variantes de Preocupação – Foto: SES/Divulgação/ND

Isto significa que uma pessoa com a variante Delta pode transmitir o vírus para cinco a oito pessoas, enquanto que a original é transmitida para 2,4 a 2,6 pessoas. Quanto maior o número R0, mais contagiosa é a doença.

De acordo com o boletim, os dados atuais indicaram que a variante Delta está mais adaptada nas células das vias aéreas humanas, o que significa um aumento da quantidade do vírus na pessoa infectada e, portanto, a população pode expelir mais vírus no ar passando para outras pessoas.

Variante Delta

A variante Delta foi notificada pela primeira vez em outubro de 2020, na
Índia, e foi associada a um aumento no número de infecções diárias naquele país.

Geneticamente, a cepa B.1.617 tem assinatura particular na proteína Spike, caracterizada por seis mutações: D111D, G142D, L452R, E484Q, D614G e P681R. Essas mutações podem reduzir a neutralização viral e facilitar o escape da vacina.

Inicialmente, esta cepa foi designada como Variante de Interesse (VOI, em inglês) pela OMS (Organização Mundial de Saúde). No entanto, em 10 de maio de 2021, foi reclassificada como Variante de Preocupação (VOC, em inglês).

Amostragem

A rede de Vigilância Genômica no Estado é formada pelo Laboratório de Referência em Sequenciamento Genômico da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), responsável por 74% das análises.

Também conta com laboratórios parceiros, como o Laboratório de Bioinformática/Força Tarefa Covid-19 da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e a Funed (Fundação Ezequiel Dias) em Minas Gerais, responsáveis por 21% e 5% das amostras, respectivamente.

Foram sequenciados 957 genomas completos do SARS-CoV-2. Os genomas são referentes a 162 amostras de 2020 e 795 amostras de 2021. As amostras são de pacientes infectados pelo vírus detectável através do exame RT-qPCR. Os pacientes residem em 153 municípios catarinenses.

Entre o boletim anterior divulgado no dia 8 de julho e o atual, divulgado nesta segunda (16), houve um aumento de 45,4% no número de amostras sequenciadas. Nesse período, além da Delta, foi confirmada a circulação da variante de preocupação B.1.1.7, conhecida como Alfa.

Além dessas variantes, foram identificadas a P.1.7, P.3, C.36 e B.6, totalizando 27 linhagens em circulação por Santa Catarina durante o período analisado. A mutação com o maior número de registros é a Gama (P.1), conhecida como variante brasileira.

Proporção das diferentes linhagens do vírus SARS-CoV-2 circulantes no Estado – Foto: SES/Divulgação/NDProporção das diferentes linhagens do vírus SARS-CoV-2 circulantes no Estado – Foto: SES/Divulgação/ND
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