Coronavírus em cachorros: primeiros casos são confirmados no Brasil

Presença do vírus já havia sido comprovada em uma gata; transmissão de humanos para animais é possível, mas o contrário ainda não está provado

A UFPR (Universidade Federal do Paraná) confirmou a presença do novo coronavírus em dois cachorros de Curitiba, um da raça buldogue francês e um sem raça definida, segundo divulgado pela universidade nesta segunda-feira (24).

Tratam-se dos primeiros casos confirmados da presença do vírus em cães no Brasil.

Um dos testes positivos para a doença foi confirmada em um buldogue francês – Foto: Pixabay/ReproduçãoUm dos testes positivos para a doença foi confirmada em um buldogue francês – Foto: Pixabay/Reprodução

O primeiro caso do mundo foi confirmado no começo de março, em Hong Kong, quando um cachorro foi contagiado por sua dona. No Brasil, uma gata foi diagnosticada com o vírus em Cuiabá, no Mato Grosso. Ela foi infectada por seus donos, mas não apresenta sintomas da doença. O caso foi relatado pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso).

No caso do buldogue, seu tutor também testou positivo para a doença, segundo os pesquisadores. O cachorro, que dorme na mesma cama que o dono, apresentou secreção nasal no cão. “No segundo teste, o tutor negativou, mas o cão estava positivo, já com uma quantidade pequena de vírus no organismo. No segundo teste realizado com o buldogue no dia seguinte, o animal também negativou”, afirma o comunicado divulgado pela UFPR.

O tutora do cão sem raça definida também havia apresentado teste positivo para Covid-19. Segundo a pesquisa, todos os seus quatros cães, que dormem com ela na cama, tiveram episódios de espirro, no entanto apenas um teve a presença do vírus confirmada. Por outro lado, todas as pessoas da casa contraíram a doença.

O professor Alexander Biondo, coordenador do estudo, afirmou, por meio do comunicado, que os dados serão registrados no MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e as amostras serão enviadas para confirmação no TECSA Laboratório Animal, para que sejam testadas em outro laboratório de referência.

Apesar dos primeiros resultados positivos, não existe nenhum caso confirmado de cães e gatos transmissores do vírus ou com registro da doença Covid-19.

“Animais podem se infectar pelo vírus SARS-CoV-2, inclusive cães e gatos, mas isso não se equivale a dizer que eles têm a doença ou são transmissores. Segundo estudos já publicados, gatos podem se infectar e transmitir para outros gatos, mas não há dados para cães”, disse o professor, no comunicado.

“O contato mais íntimo entre humanos e pets pode infectar os bichinhos, sendo indicado o distanciamento e o uso de máscara em caso de confirmação para tutores que testarem positivo”, completa a nota.

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