Capital mantém taxa de letalidade por Covid-19 em 0,7%, um dos menores índices do país

Desenvolvimento social e econômico, testagem em massa e adoção precoce de medidas restritivas são alguns fatores que possibilitam resultado no município

Florianópolis mantém, há meses, sua taxa de letalidade em relação à Covid-19 em 0,7%, bem abaixo do percentual estadual (1,097%), que já é hoje o menor entre as unidades federativas do país; nacional (2,45%) e mundial (2,14%), nesta terça-feira (26). O índice é medido pelo número total de óbitos em relação à quantidade de casos confirmados de infecção pelo coronavírus.

Investimento na testagem em massa, além de outras ações, foi fundamental para o resultado – PMF/Divulgação/NDInvestimento na testagem em massa, além de outras ações, foi fundamental para o resultado – PMF/Divulgação/ND

Em outros municípios de médio e grande porte, esse número também é maior do que o da capital catarinense. Alguns exemplos são Joinville (1,14%), Chapecó (0,89%), Blumenau (0,96%) e São José (0,96%).

O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, afirma que o baixo índice de letalidade verificado no município quanto à doença se deve, entre outros fatores, à tomada rápida de decisões, desde o início da pandemia.

“Ainda no dia 13 de março, quando soubemos da confirmação de dois casos positivos de Covid-19 na Capital, decretamos de imediato a proibição de eventos na cidade. Três dias depois foram suspensas as aulas na rede municipal e privada. Pelo mesmo decreto, também foram fechados cinemas, museus e teatros. Desde então, acompanhamos diariamente a situação da doença na cidade, os casos, a taxa de ocupação de leitos de UTI e, com o avanço e aumento de casos de coronavírus, aumentamos as medidas restritivas para frear a disseminação do vírus”, explica.

Além das restrições, Loureiro diz que outras ações, como o investimento na testagem em massa, foram fundamentais para esse resultado.

“A ampliação dos testes na cidade nos permitiu, além de ter um panorama atualizado e real do vírus cidade, acompanhar a evolução dos casos positivos e quem teve contato com essas pessoas. Abrimos centros exclusivos para testagem do coronavírus, aumentamos a transparência na divulgação de informações essenciais para a população. Tudo isso fez a diferença para que hoje tenhamos esse baixo índice de letalidade”, afirma.

Desenvolvimento e qualidade de vida

A taxa de letalidade por Covid-19 em Florianópolis é ainda bem menor que a registrada em Santa Catarina, hoje em 1,097%, a mais baixa das unidades federativas do país nesta terça-feira (26). De acordo com o infectologista Valter Araújo, esse número se deve a diferentes questões, entre as quais o médico destaca o desenvolvimento e a qualidade de vida de cada localidade.

Bom desenvolvimento econômico e social também colabora para menor índice de letalidade, afirma especialista – Leonardo Sousa/PMF/Divulgação/NDBom desenvolvimento econômico e social também colabora para menor índice de letalidade, afirma especialista – Leonardo Sousa/PMF/Divulgação/ND

“Por que, do total de casos da Covid-19, morrem menos pessoas em SC e em Florianópolis em relação a outros Estados? Isto tem a ver com vários fatores como o fato de que uma população mais saudável é melhor atendida, por exemplo”, afirma.

Com um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de 0,847, muito acima do nacional, de 0,759, a capital catarinense ocupa o terceiro lugar no Brasil nesse quesito. Seu IDH é comparado ao de Portugal e maior que o de todos os países na América do Sul, o que reforça as afirmações médico infectologista.

“As razões pelas quais a capital está no topo de vários indicadores de desenvolvimento social e econômico também explicam por que a cidade tem os menores índices de letalidade do país, um bom atendimento à saúde, além de outros indicadores da boa situação sócio econômica, menos desemprego, menos desigualdade social, por exemplo”, afirma.

Medidas restritivas e testagem em massa

Ainda, segundo o médico, a adoção de medidas restritivas, além do investimento na testagem em massa e acompanhamento da evolução dos casos na cidade contribuem para a manutenção deste baixo índice de letalidade. “A OMS (Organização Mundial de Saúde) orienta para testar o máximo de gente de maneira a identificar e isolar rapidamente os doentes e, com isto, diminuir a transmissão”, explica.

Ainda, acrescenta Araújo, a taxa de ocupação dos leitos de UTI funciona como um balizador da necessidade ou não de medidas mais restritivas. “Se tivéssemos leitos de UTI (Unidades de Terapia Intensiva) em maior quantidade, estaríamos   mais seguros no Estado”, avalia.

Barreira sanitária no aeroporto internacional Hercílio Luz – Divulgação/NDBarreira sanitária no aeroporto internacional Hercílio Luz – Divulgação/ND

Outras ações importantes, entre muitas, tomadas pelo município de Florianópolis desde o início da pandemia para manter baixo o índice e reduzir a curva de contágio pela Covid-19 são a obrigatoriedade do uso da máscara em todo o município, a formação de barreira sanitária no aeroporto internacional Hercílio Luz, a criação de centros exclusivos de testagem para o coronavírus, o acompanhamento de casos positivos pelas equipes de saúde da prefeitura, a criação do Alo Saúde, serviço pioneiro no atendimento remoto à população;  o atendimento e consultas por telemedicina,  orastreamento de casos positivos pela Smart Tracking, o investimento em fiscalização para o cumprimento das regras sanitárias da cidade.

Panorama no país

Boletim especial divulgado no último dia 13 pelo Observatório Covid-19 da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) apontou que a taxa de letalidade caiu ao longo de 2020, “provavelmente devido a ações de saúde como o aumento da cobertura de testes, a melhoria e ampliação das ações da Atenção Primária em Saúde, o aumento no número de leitos e o aprendizado no tratamento hospitalar de casos graves”, segundo os pesquisadores.

Ainda assim, o índice fechou o ano entre 2% e 3% na maioria dos Estados, com apenas Rio de Janeiro e Pernambuco acima de 5%, o que “revela graves falhas no sistema de atenção e vigilância em saúde nesses estados”, de acordo com o estudo, já que um nível alto de letalidade está relacionado à subnotificação dos casos.

O levantamento alerta que o Brasil encerrou 2o ano passado com patamar de casos comparável aos valores de junho a agosto, quando havia cerca de 40 mil casos e 1 mil mortes por dia. Em dezembro, foram registrados novamente 40 mil casos diários, com 600 vítimas por dia.

Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.

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