Casos de Covid-19 sobem 3,5% em uma semana na Grande Florianópolis

Boletim da UFSC analisa período entre 12 e 19 de fevereiro e indica "forte crescimento" da doença também na Capital catarinense

O número oficial de casos de Covid-19 na Grande Florianópolis aumentou 3,5% no período entre os dias 12 e 19 de fevereiro de 2021.

É o que aponta a edição de número 41 do Boletim da Covid-19 em Santa Catarina, publicada pelo Necat (Núcleo de Estudos e Economia Catarinense) da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) no último sábado (20).

Praia da Joaquina, em Florianópolis, em fevereiro de 2021 – Foto: Leo Munhoz/ND

Segundo o informe, o número absoluto de casos de Covid-19 passou de 119.430 no dia 12 para 123.726 uma semana depois. Em termos absolutos significou a ampliação de 4.296 novos casos em sete dias. Com isso, a participação relativa da mesorregião no total estadual se manteve em 20%.

Com o título “Os casos ativos estão crescendo fortemente na microrregião de Florianópolis”, o documento busca sistematizar o balanço geral da doença no Estado. Também aponta uma situação de alerta na região da Capital, principalmente após aglomerações registradas no período de Carnaval.

Além disso, foi observada a continuidade da expansão da doença por diversas cidades próximas à Capital do Estado.

De acordo com o Covidômetro, nesta terça-feira (23), Florianópolis conta com 1.806 infectados ativos, e tem 437 mortes em decorrência da Covid-19.

A ocupação de leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) está em 92,2% para adultos, 60% pediátrico e 68,4% neonatal.

A Secretaria Municipal de Saúde não se manifestou sobre o documento do Necat, nem informou sobre a adoção ou não de novas medidas contra a Covid-19 até o fechamento desta reportagem.

Expansão da Covid-19 desde outubro

O gráfico abaixo apresenta o processo evolutivo da doença nas microrregiões mais atingidas pelo novo coronavírus desde o dia 28 de maio de 2020.

Desde o final de outubro, a microrregião de Florianópolis assumiu a liderança na evolução dos casos de Covid-19.

“Em primeiro lugar, destaca-se a forte expansão dos casos na microrregião de Florianópolis a partir da segunda quinzena de outubro, com aceleração do contágio nos meses de novembro e dezembro, porém com pequena redução do ritmo de contágio a partir do mês de janeiro e com continuidade em fevereiro”.

“Mesmo assim, em termos absolutos, continua sendo a microrregião com o maior número de pessoas contaminadas”, reforça no documento o coordenador geral do Necat, Lauro Mattei, que assina a edição.

Evolução dos casos em microrregiões catarinenses entre 28 de maio de 2020 e 19 de fevereiro de 2021 – Foto: Reprodução/Necat/UFSCEvolução dos casos em microrregiões catarinenses entre 28 de maio de 2020 e 19 de fevereiro de 2021 – Foto: Reprodução/Necat/UFSC

Covid-19 em Santa Catarina

No Estado, o número de casos oficiais saltou de 608.544, em 12 de fevereiro, para 631.868 no dia 19. Isso representou um crescimento percentual de 3%, parecido com o da região da Grande Florianópolis.

“Esses resultados decorrem dos elevados índices de contaminação registrados, sobretudo a partir do mês de novembro de 2020, quando o mais grave surto da doença tomou conta do Estado, permanecendo ativo até o presente momento”, destaca Lauro Mattei.

Em termos absolutos, significou a contaminação de mais 23.324 pessoas em apenas sete dias. O que também chama atenção neste mesmo período, é a ocorrência de mais 205 mortes pela doença.

“O problema do Brasil é que a maioria das ações voltou-se para a esfera curativa e não preventiva, fazendo com que a pandemia não tivesse um controle efetivo até o presente momento”.

“O PNI (Plano Nacional de Imunização), que começou em 18 de janeiro de 2021, além de extremamente lento, prescinde do elemento essencial: a vacina em quantidades suficientes para dar maior celeridade ao processo de imunização de 70% da população brasileira”, lamenta o coordenador do Necat.

“Situação gravíssima”

“Pode-se afirmar que, do ponto de vista geral, Santa Catarina continua em uma situação gravíssima”, afirma Lauro Mattei, após analisar o contexto atual da pandemia em todo o Estado.

Segundo ele, tal afirmação está embasada no comportamento dos seguintes indicadores:

  • Evolução do Rt (Número Reprodutivo Efetivo): Nota-se que esse indicador se situou no patamar acima de 1 na maioria das regiões do Estado, inclusive apresentando tendência de elevação em muitas delas. Nesta situação, entende-se que ainda são necessárias medidas mais efetivas, por parte das autoridades governamentais e do conjunto da sociedade, que visem controlar a curva de contágio, uma vez que o vírus ainda continua circulando fortemente no Estado de Santa Catarina;
  • Média semanal móvel de novos casos: Da mesma forma que no caso anterior, nota-se que a média semanal móvel no período considerado foi de 3.332 casos diários, patamar 34% superior ao verificado nos últimos 14 dias (05.02.21), indicando uma tendência consistente de crescimento do número de casos. Sem dúvida, essa é mais uma importante informação que claramente está indicando a gravidade da situação da Covid-19 no Estado;
  • Velocidade do contágio: Diante do grande número de pessoas contaminadas no Estado, adotou-se a replicagem de 20 mil novos casos no tempo para analisar a velocidade de contágio das pessoas. Assim, observou-se que na semana em apreço essa velocidade foi semelhante àquela registrada no mês de janeiro de 2021, quando foram registrados 20 mil novos casos a cada 5 dias, indicando a gravidade da situação que persiste no território catarinense;
  • Evolução dos casos ativos: Notou-se que na semana considerada o número de casos ativos aumentou em 31% em relação à semana anterior, bem como em 44% em relação aos últimos 14 dias, indicando uma aceleração expressiva da contaminação da população catarinense neste momento;
  • Média semanal móvel dos óbitos: A média semanal móvel ao final no mês de fevereiro se estabilizou entre 28 e 29 óbitos diários, patamar que reflete o recrudescimento da doença no Estado e que não apresenta nenhuma tendência de queda mais consistente no momento.

“O conjunto dessas informações revela que a situação da pandemia no Estado continua muito grave, uma vez que Santa Catarina não apresenta resultados confortáveis quando confrontados com aqueles verificados em outras unidades da federação”, conclui o profissional.

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