Moradora de SC dedica sua vida ao trabalho no Médicos Sem Fronteiras

A enfermeira Marina Barardi atuou em cinco missões humanitárias do MSF em Angola e Guiné-Bissau na África e em Bangladesh na Ásia

Em uns países em guerra hábitos cotidianos deixam de ser prioridade. O cuidado com os cabelos, a arrumação da casa e a ida ao supermercado são substituídas pela preocupação constante em se manter seguro. Quando desembarcou em uma missão do MSF (Médicos Sem Fronteiras) em Bangladesh, a enfermeira que mora em Florianópolis Marina Barardi sentiu que mesmo com toda a ajuda humanitária destinada aos refugiados rohingyas, muito ainda precisava ser feito.

Marina Barardi atou com os refugiados rohingyas em Bangladesh – Foto: Divulgação/NDMarina Barardi atou com os refugiados rohingyas em Bangladesh – Foto: Divulgação/ND

A tensão política causada pela crise humanitária em Myamar fez com que muitas pessoas fugissem do país em direção aos vizinhos. Os rohingyas, que são aproximadamente 3 milhões de pessoas, deixaram suas casas em direção a um futuro incerto. A missão de Marina era atuar com essa população em um dos campos de refugiados. O número de pessoas a surpreendeu, eram mais de 600 mil.

Crianças e adultos chegavam todos os dias ao local. As casas improvisadas com bambu, folhas de bananeira seca e palha se diferenciavam por pequenos detalhes de decoração. Os que conseguiram trazer pertences tinham o chão de barro coberto por tapetes, que davam certo conforto aquele lugar de fuga.

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Marina e a equipe do MSF tinham de montar do zero um aparato médico necessário para atender os refugiados. Quatro postos passaram a atender a população, separados geograficamente por colinas e campos de arroz. Durante seis meses essa foi a rotina de Marina.

Nascida em São Paulo, mas criada em Florianópolis, a enfermeira conta que o interesse pelo trabalho humanitário sempre esteve presente em sua vida. “Até mesmo antes da faculdade eu já me voluntariava em projetos que aconteciam aqui na Capital”, conta. A vocação se manteve ao longo da graduação terminada feita na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Aqui trabalhou na área neonatal em três diferentes hospitais.

Missão contra a febre amarela

Quando resolveu trabalhar no MSF ficou maravilhada. A primeira missão foi em 2016, em Huambo, na Angola. A missão montada para tratar a febre amarela, doença endêmica no país, era composta por várias equipes. A de Marina tinha cinco profissionais, que visitavam os 13 hospitais da periferia da cidade.

Atuando por seis meses em Angola, Marina conheceu mais sobre a cultura local – Foto: Divulgação/NDAtuando por seis meses em Angola, Marina conheceu mais sobre a cultura local – Foto: Divulgação/ND

A rotina, mesmo atarefada, permitia que Marina experimentasse pratos típicos do local. O que mais gostou foi a mistura de abacate com mandioca na brasa e o funge. O último tem a textura de polenta, mas é feita a base de mandioca. Segundo a enfermeira, esse é alimento é tão comum quanto o nosso arroz com feijão.

Entre novembro de 2018 e maio deste ano, Marina Barardi viveu na Guiné-Bissau, atuando como enfermeira neonatal. Seu trabalho junto a uma equipe de médicos estrangeiros e locais em um hospital região era parte de uma missão dos MSF, que tinha como objetivo combater enfermidades de saúde básica. Ali, no país da África-Ocidental, ela viu de perto mortes por desnutrição, desidratação e diarreia extrema.

Marina Barardi com um djambe, espécie de tambor típico da Guiné Bissau – Foto: Foto Flavio Tin/NDMarina Barardi com um djambe, espécie de tambor típico da Guiné Bissau – Foto: Foto Flavio Tin/ND

A enfermeira cuidava de uma ala hospitalar com 24 leitos, que nunca ficavam vagos por longos períodos de tempo. Trouxe dessa missão um djambe, espécie de tambor, um chocalho e uma pintura que apresentava uma cena cotidiana da vida em Bissau, capital do país. Enquanto manuseava grãos, a mulher carregava o filho nas costas envolto em panos coloridos.

Seminário reúne relatos sobre o MSF

Reunindo depoimentos e ações sobre o trabalho no MSF, o seminário “Comunicando Crises Humanitárias — como cobrir conflitos armados, desastres naturais e epidemias” acontece neste sábado (30), a partir das 9h, no Sesc Prainha.

O seminário traz informações sobre a comunicação que MSF desenvolve há quase meio século nas principais crises humanitárias onde atua. Serão exibidos vídeos de depoimento de jornalistas que cobriram episódios marcantes em campo, a bate-papo com profissionais de ajuda humanitária que viveram essas experiências de perto.

O evento contará com a participação de Marina Barardi, do profissional de logística Mario Braga, que esteve na República Centro-Africana e de depoimentos das jornalistas Patrícia Campos Mello e Sônia Bridi

As inscrições para o seminário podem ser feitas até quinta-feira (28), às 23h59, por meio deste link.

Serviço:

O quê: Comunicado Crises Humanitárias – como cobrir conflitos armados, desastres naturais e epidemias

Quando: 30/11, 9h às 13h

Onde: Auditório do Sesc Prainha, Travessa Siryaco Atherino, 100, Centro, Florianópolis

Quanto: Gratuito

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