Check-up pós-Covid-19: dores e impactos que ficam depois da doença

Médico explica como é o embate entre o coronavírus e o sistema imunológico e como profissionais têm observado as sequelas em pacientes na clínica de dor

Imagem ilustra ‘tempestade inflamatória’ explicada por especialista – Foto: IlustraçãoImagem ilustra ‘tempestade inflamatória’ explicada por especialista – Foto: Ilustração

Em pouco mais de um ano de pandemia, profissionais da saúde trabalham intensamente com um problema que vai além da Covid-19: a ‘Síndrome Pós-Covid’, ou seja, sintomas que continuam sendo tratados depois que o paciente fica livre do coronavírus. Esses sintomas podem se tornar permanentes.

São as sequelas da doença que vão de leve a severa, dependendo de cada caso.

Quem explica sobre este assunto é o Dr. Wuilker Knoner Campos, neurocirurgião com especialidade em coluna e dor, que tem trabalhado à exaustão com sua equipe na área da dor, devido ao aumento do número de pacientes com esses sintomas.

“Esta é uma doença nova no planeta, e ainda estamos aprendendo, mas o comportamento do Covid-19 é mais ou menos parecido com outros RNA vírus”, diz.

A Síndrome Pós-Covid-19 pode se apresentar de várias formas, como depressão, ansiedade, fadiga e dores. “A pessoa, depois que passa pela Covid-19, fica com todos os sistemas sensibilizados”, diz o médico.

Vírus causa ‘tempestade inflamatória’

Explica o médico que durante a doença há um combate intenso do vírus com o nosso sistema imunológico. Neste momento, as ‘tropas’ imunológicas têm dentro de seu arsenal uma ‘chuva’ de interleucinas, ou substâncias inflamatórias, para acabar com o invasor viral.

“Só que elas ainda não desenvolveram uma especificidade para este vírus, então o sistema dispara muitos tipos de ‘balas’ ou ‘mísseis’. Todo o arsenal é usado, e isso acaba machucando células normais, e aí que vêm as sequelas”, explica o especialista.

A partir da segunda semana da doença, o vírus causa um estado que os médicos chamam de ‘tempestade inflamatória’ que atinge alguns tipos de células. Quando essas inflamações entram nas articulações, musculatura, sistema nervoso e outros locais, provocam dores relacionadas a isto.

“Quando entra no sistema nervoso, existem as sequelas relacionadas a este sistema. E aí vão variar os graus. Temos verificado que, mesmo em casos com sintomas leves, têm ficado algum tipo de sequela”, relata Dr. Wuilker.

A Síndrome do Pós-Covid-19

O que os médicos chamam de ‘Síndrome do Pós-Covid19′ são sintomas que duram de três a seis meses, como depressão, ansiedade, dificuldades cognitivas ou de raciocínio, um cansaço muscular, entre outros. Consequentemente, o sistema da dor é afetado. Assim como outros circuitos, como a visão, audição, tato ou temperatura, a dor é um circuito que interpreta se o meio ambiente está agredindo-o ou não.

“A tempestade inflamatória que acontece após a infecção pela Covid-19, pode acontecer inclusive, após tomar a vacina, se você se infectou nos últimos 30-60 dias. O paciente pode desenvolver os mesmos sintomas que a infecção pelo Covid-19 pela reativação de nossas tropas inflamatórias do sistema imunológico”, observa o médico.

O fato é que esta tempestade inflamatória vai agir nos receptores da dor, espalhados pelo corpo, e faz com esses receptores disparem sinais elétricos mais precoces. Então qualquer estímulo, que pode até ser encostar a mão em um paciente, pode provocar a dor, porque estão aqui os receptores sensibilizados.

“Sentar em uma cadeira dói, onde encosta dói. A pessoa está muito sensibilizada, do fio de cabelo até o dedão do pé. E aí para piorar, junto a isso, tem o cansaço. As placas motoras no músculo foram danificadas, e isso faz com que venha a fadiga muscular e em consequência, câimbras”, explica o especialista.

Assim, pessoa que teve a Covid-19 pode curar-se da doença, mas poderá sofrer a Síndrome do Pós-Covid-19 por até seis meses, devido à ‘bagunça’ que o vírus fez.

Há dezenas de sequelas observadas e, em alguns casos, serão permanentes

Pacientes que tiveram anosmia – ou perda de olfato e paladar, têm uma chance muito aumentada de desenvolver cefaleia, ou dor de cabeça. Porque é sinal de que o vírus entrou no sistema nervoso central. Esse reparo neurológico demora de seis meses a um ano, segundo o que se observou até agora.

Então, quem pegou Covid-19, curou-se do vírus, da infecção, mas existem as sequelas que ele deixa.

“Já temos no mínimo 30 sequelas diferentes: pulmonares, musculares, psiquiátricas, neurológicas. Temos observado dentro da área da dor é que, quem tinha um nível baixo de dor, aumentou muito. Os nossos pacientes que tinham dor e tiveram Covid, hoje têm muito mais dor. Covid aumenta o ‘volume’ da dor e os remédios e terapias precisam ser revistos”, relata Dr. Wuilker.

“Já estamos vendo casos em que ficam sequelas, ou seja, sintomas permanentes. São pessoas que não tomavam remédio para dor e agora terão de se tratar para sempre. Hoje há muitas formas de terapia, que não são só remédios, em várias áreas. Mas o fato é que a pessoa não era assim e a partir de agora, será”, afirma o diretor técnico da clínica Neuron Dor.

Médico segurando a mão de paciente – Foto: Getty Images/iStockphoto/NDMédico segurando a mão de paciente – Foto: Getty Images/iStockphoto/ND

Busque serviços especializados

Para as pessoas que estão sentindo dores dentro desta síndrome, o médico sugere que busque serviços especializados, de acordo com seus sintomas.

Na clínica Neuron Dor existe o check-up pós-Covid. O paciente entra, é visto pelo pneumologista, que vai ver o pulmão; é visto pelo neurologista, que vai ver a parte neurológica; é visto pelo psiquiatra, que vai ver as questões de depressão, psicólogo, e depois, fisioterapeuta e outros profissionais. São feitos testes, com a equipe multidisciplinar e assim, é instituído um tratamento de forma integral.

“Há casos que não apresentaram sintomas, mas há o D-dímero alto. Quando este índice aumenta, a pessoa está com risco altíssimo de desenvolver trombose e não sabe. Pode ter embolia, infarto, AVC e outros problemas do sistema circulatório”, alerta o médico.

De forma geral, todos os médicos da Neuron Dor estão sobrecarregados, porque a dor sempre foi uma demanda alta, mas agora aumentou muito. As equipes têm feito muitas avaliações por telemedicina.

Desafio: encontrar vagas em UTIs para todos

“Estamos vemos casos não-Covid, que estão morrendo de outras causas porque não têm vaga de UTI para eles. Já trabalhávamos pacientes antes da pandemia com poucas vagas. Pacientes com trauma, tumores, AVC, que precisam operar, eles estão ficando intubados na própria sala de centro cirúrgico. A sensação que temos é de incapacidade, frustração, vemos casos de amigos, pacientes já conhecidos que não têm vaga. Pessoas intubadas nos corredores de emergência”, desabafa o especialista.

Dever de casa para cada um

“Apesar de toda a politização, o reforço que temos nesta pandemia é aquilo que viemos repetindo neste último ano: uso de máscara, álcool gel, isolamento físico, porque tenho dito que não deve ser isolamento social, mas físico. Você tem como se comunicar, conversar com seus familiares e amigos e desenvolver isso, para remediar esse isolamento. É apenas isso”, diz o neurocirurgião que é diretor técnico da Clínica Neuron Dor.

Agora é hora de vacinar

Para Dr. Wuilker, agora é hora de aguardar a vacina, que é a melhor prevenção. Hoje vivemos algo que nunca se viveu antes.

“Estamos banalizando a morte. Parece que é normal morrer. Como está ficando a saúde mental das pessoas? Temos de ver isso, as crianças também, que perdem seus pais, isso vai ficar durante anos. Estamos vivenciando um trauma humanitário, cujas consequências ainda nos assolarão por muito tempo”.

Mas o médico também ressalta que por outro lado, há muitos aprendizados. “Desenvolvemos vacina em tempo recorde, vivenciamos telemedicina, trabalho remoto, fomos jogados para dentro dos meios digitais e ficarão como legado, assim como nas guerras, a tecnologia e o acesso à informação rápida”, reflete Dr. Wuilker.

Sobre a Neuron Dor

No Hospital-Dia são realizadas consultas, exames, tratamentos, cirurgias e acompanhamento de pacientes, prioritariamente ambulatoriais de baixa complexidade, utilizando alta tecnologia para internações de no máximo 12 horas. O Centro de Tratamento de Dor Crônica Neuron Dor conta ainda com acesso para ambulâncias, sala de cirurgia e apartamentos com leitos para recuperação de pós-cirúrgico.

A clínica, em sua estrutura, também oferece consultas de encaixe rápido, sala de pequenos procedimentos e curativos, estimulação magnética transcraniana, e atendimentos em psiquiatria, psicologia, fisioterapia, acupuntura, neurologia, neurocirurgia, coluna vertebral, medicina da dor e dor oncológica.

A Neuron Dor aposta também na educação do paciente e na formação de profissionais de saúde, bem como em pesquisa através de parceiras com instituições de renome.

Saiba mais detalhes sobre esses serviços AQUI.

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