Guilherme Fiuza

Jornalista e escritor que iniciou a carreira em 1987, no "Jornal do Brasil". Entre outras redações, trabalhou em "O Globo" e revista "Época". Escreve também sobre política para a "Gazeta do Povo".


Chegou a verdade de laboratório

Onde estão os gráficos sobre as doenças represadas em cinco meses de pânico e confinamento totalitário?

“No Brasil, quando a marca de 100 mil óbitos foi atingida, o registro civil indicava uma supressão de mais de 70 mil óbitos nas estatísticas de outras enfermidades importantes.”

Enquanto insiste na experiência obscurantista do lockdown, sem uma única evidência de eficácia dessa medida contra a epidemia, parte da humanidade se tornou negacionista em relação às consequências graves do “fique em casa” indiscriminado.

O Centro de Florianópolis com movimento menor por conta da pandemia de coronavírus – Foto: Anderson Coelho/NDO Centro de Florianópolis com movimento menor por conta da pandemia de coronavírus – Foto: Anderson Coelho/ND

Onde estão os gráficos sobre as doenças represadas em cinco meses de pânico e confinamento totalitário? Quem vai fazer a contagem das pessoas que morreram em casa por falta de tratamento ou de socorro emergencial? Ninguém vai fazer.

Há um pacto hipócrita em torno da história oficial da Covid-19 – o único mal do mundo. Os xiitas do lockdown vão levar essa farsa às últimas consequências.

As taxas de homicídio em 20 grandes cidades americanas aumentaram 37% entre maio e junho, por exemplo, em comparação com um aumento de 6% no mesmo período em 2019. É o pico de homicídios, resultado direto do pico de hipocrisia dos que prenderam a população fingindo salvar vidas.

A polícia de Nova York afirmou que a mobilização de policiais por conta dos protestos violentos que se espalharam pelos EUA – supostamente contra o racismo – relegou várias áreas da cidade à falta de fiscalização.

Isso aconteceu por todo o país – e os especialistas em segurança pública já sabem qual é a principal causa adicional: os bloqueios impostos pela política de lockdown contra o coronavírus. Como já alertaram médicos em várias partes do mundo, possivelmente a maioria das mortes atribuídas à Covid-19 não foi causada por ela.

No Brasil, quando a marca de 100 mil óbitos foi atingida, o registro civil indicava uma supressão de mais de 70 mil óbitos nas estatísticas de outras enfermidades importantes – como pneumonia, infarto, septicemia, insuficiência respiratória e AVC. O que aconteceu de 2019 para 2020 com esses males? Devemos celebrar mais de 70 mil vidas salvas? Não.

Esse grupo possivelmente chegou ao falecimento pelas mesmas causas de sempre, como mostram as estatísticas relativamente constantes, mas foram para a contagem da Covid-19 porque portavam o coronavírus – sem que ele tenha sido o fator letal.

Essa premissa precisaria ser estudada e esclarecida pelas autoridades médicas e científicas, mas o tema parece proibido. Talvez porque mude completamente o entendimento sobre o perfil da epidemia e os riscos nela contidos.

Esse jogo de meias-verdades e fatos embaçados não vai acabar bem. É um jogo político. Os tais checadores da verdade insistem, por exemplo, em propagar a mentira de que o STF não tirou o poder do governo federal sobre o funcionamento da sociedade na pandemia.

Será que eles não viram as diretrizes federais barradas pela Justiça em favor do lockdown nos Estados? Claro que viram. Mas isso não importa – foram abolidos os dramas de consciência diante do novo normal dos hipócritas. Eles sonham com um mundo acuado por verdades de laboratório.